Morte de PM: intervalo de 29 minutos entre disparo ouvido por vizinha e pedido de socorro do marido é questionado pela família
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Intervalo entre barulho disparo e pedido de socorro é questionado pela família de PM baleada em SP
O depoimento de uma vizinha de porta do casal é um dos fatos apontados pela família da policial militar Gisele Alves, baleada na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, o tenente‑coronel da PM Geraldo Neto, em São Paulo.
Aos investigadores, a vizinha afirmou que, no dia do ocorrido, ouviu um estampido único e forte às 7h28. Assustada, ela disse que acordou e conferiu imediatamente o horário no celular.
Mas a primeira ligação do tenente-coronel, pedindo socorro, foi feita às 7h57 da manhã, 29 minutos depois.
Para a família da vítima, é necessário explicar o que aconteceu nesse intervalo.
“Nesse espaço de tempo, Gisele ficou agonizando. O coronel tem que explicar isso. A família merece essa explicação.”
A família da soldado também pede que o caso seja investigado como feminicídio.
Versão do marido
Em ligação aos serviços de emergência, o tenente-coronel afirmou que a esposa havia tirado a própria vida.
“Minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate aqui agora, por favor”, disse ele no telefonema.
Segundo o relato do oficial, o casal discutia o relacionamento e ele estava no banho quando ouviu um barulho.
Ele afirmou que saiu do chuveiro, foi até a sala e encontrou a esposa caída no chão após o disparo.
Cena considerada estranha por socorristas
Bombeiros chegaram ao apartamento às 8h13 e conseguiram reanimar a policial. Ela foi retirada ainda com vida e levada para atendimento médico.
Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, afirmou em depoimento que decidiu fotografar a cena porque encontrou elementos incomuns.
Segundo ele:
a arma estava bem encaixada na mão da vítima, algo incomum em casos de suicídio;
o sangue já estava coagulado;
o cartucho da bala não foi encontrado;
o tenente-coronel disse que estava no banho, mas estava seco e não havia água no chão.
Cena do crime comprometida
Laudos da Polícia Técnico-Científica indicaram que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que impossibilitou determinar com precisão a dinâmica do disparo e quem efetuou o tiro.
Imagens feitas no apartamento após o socorro mostram móveis fora do lugar, produtos de limpeza e panos espalhados pelo chão.
Contatos após o disparo
Entre as ligações feitas pelo tenente-coronel naquela manhã está um telefonema para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Kogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Segundo o advogado da família de Gisele, a presença do magistrado no apartamento também precisa ser esclarecida.
Defesa
Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirmou que o oficial não é investigado, suspeito ou indiciado no processo e que tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações.
Os advogados do desembargador disseram que ele foi ao local a pedido do tenente-coronel, como amigo, e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia.
Caso da PM morta em São Paulo.
Fantástico
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Morte de PM em apartamento levanta dúvidas: laudos, câmeras e testemunha contradizem versão de suicídio
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