Em entrevista, Lula critica 2º escalão de Trump e diz que Lulinha terá que provar inocência: 'Ninguém está impune se cometeu erro'

  • 23/08/2026
(Foto: Reprodução)
Após ligação entre Lula e Trump, Brasil e EUA agendam reunião sobre tarifaço O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (23) que as conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são sempre "civilizadas e muito respeitosas", mas, depois, "o segundo escalão toma atitudes impensáveis". "Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: 'Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem'", disse Lula. "A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil." A declaração foi dada durante entrevista à TV Record, gravada no Palácio da Alvorada nesta manhã. O petista também foi questionado sobre as investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O presidente afirmou que trata o assunto "com muita seriedade", que Lulinha terá que provar sua inocência e que "ninguém está impune se cometeu erro". "Ninguém está impune se cometeu erro. Portanto, esse é meu papel de presidente. Meu filho sabe que se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele." Ligação com Trump Lula telefonou para Trump na manhã da última sexta-feira (21). A conversa durou cerca de 1 hora e 20 minutos e teve tom "amistoso e cordial", segundo o Palácio do Planalto. Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio Jornal Nacional/ Reprodução Na ligação, Lula afirmou que as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são "infundadas". As novas barreiras comerciais haviam sido determinadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Durante a entrevista deste domingo, Lula afirmou que disse a Trump que as bases pelas quais o governo norte-americano impôs novas sanções ao Brasil "são mentirosas". "Temos o menor desmatamento da história do Brasil. E eu nasci na minha vida política combatendo trabalho escravo. Portanto eu não posso admitir que alguém possa dizer que vai culpar o Brasil porque o Brasil compra produto que de país que tem trabalho escravo, eu não posso fiscalizar os outros países. No fundo no fundo ele estava se referindo à China, na verdade é isso. Eu conversei muito sinceramente com ele e foi uma conversa boa porque no mesmo dia ele ligou para o secretário de Comércio dele, que ligou para o meu ministro de Indústria e Comércio e que já marcaram uma reunião para a próxima semana." Após a ligação entre Lula e Trump, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, confirmou ao blog da Julia Duailibi que Brasil e Estados Unidos devem retomar, nesta semana, as negociações técnicas sobre o tarifaço americano. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com ele logo após a conversa de sexta-feira para propor uma reunião. "Já deu fruto [a conversa com Trump] e espero que seja fruto bem gostoso e saboroso porque eu quero manter uma relação muito civilizada com os EUA. Além dos EUA serem tecnologicamente importante, economicamente importante, militarmente importante, nós temos 203 anos de relação diplomática, somos as duas maiores democracias do hemisfério. Temos que passar bons exemplos. Somos dois homens de 80 anos de idade e temos que passar bons exemplos ao resto do mundo", disse Lula. Investigações sobre Lulinha e Marcola Lula também afirmou na entrevista que não tenta proibir as investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Lula também afirmou que Lulinha terá que provar sua inocência e que "ninguém está impune se cometeu erro". "Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. E eu não sou presidente que tento proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora, eu não ameaço punir delegado", disse o presidente. "Ninguém está impune se cometeu erro. Portanto, esse é meu papel de presidente. Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele." A Polícia Federal (PF) investiga se o filho do petista cometeu os crimes de tráfico de influência e de corrupção em três inquéritos diferentes. Uma das linhas de investigação apura se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negociações com o Ministério da Saúde. O "Careca do INSS" é apontado como um dos principais responsáveis pelos desvios de aposentadorias e pensões. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha Reprodução / JN A PF também identificou que o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana, o Marcola, recebeu a minuta do contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, que tentava fechar o contrato com a pasta. O negócio nunca saiu do papel. No início do mês, foi revelado que a empresária repassou dinheiro a Marcola. Em nota, o ex-chefe de gabinete de Lula disse que a transferência foi de R$ 249 mil e foi fruto de um empréstimo pessoal já quitado. Taxa das blusinhas Lula afirmou que vai se reunir na próxima quarta-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e sinalizou que os dois devem anunciar um acordo sobre o fim do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. O Congresso Nacional deve instalar em 1º de setembro a comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP. A MP foi editada pelo governo do presidente Lula em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo nas últimas semanas e a instalação da comissão mista foi um gesto de Alcolumbre ao governo.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/23/lula-diz-que-conversas-com-trump-sao-civilizadas-e-respeitosas-mas-segundo-escalao-dos-eua-toma-atitudes-impensaveis.ghtml


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