Da vida sindical ao Planalto, da prisão à volta à Presidência: relembre a trajetória de Lula

  • 04/10/2026
(Foto: Reprodução)
Quase quatro décadas depois de disputar pela primeira vez a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a chegar à reta final de uma eleição presidencial. Aos 80 anos, o petista disputa o segundo turno de 2026, em busca da reeleição e de um quarto mandato no Palácio do Planalto. 🗓 A votação será em 25 de outubro. Se eleito, Lula chegará em 2030 com 16 anos de presidência da república na biografia política. Lula completará 81 anos no fim de outubro. Nordestino e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), já eleito presidente da República em 2002, 2006 e 2022 (leia mais abaixo). Lula é o primeiro político vitorioso em três eleições presidenciais no Brasil. Antes, foi derrotado em 1989, 1994 e 1998. Agora no g1 Quem é Luiz Inácio Lula da Silva? Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, interior de Pernambuco. É o sétimo filho do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu. Aos sete anos, mudou-se com a mãe e os irmãos para São Paulo em um caminhão pau de arara. Viveu na periferia do Guarujá e, depois, seguiu com a mãe e irmãos para a capital – onde morou em uma habitação de um cômodo, nos fundos de um bar. Lula trabalhou como engraxate, office boy e se empregou na Fábrica de Parafusos Marte. Se formou em torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ingressou na indústria metalúrgica, onde também começou o movimento sindical. Aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho. Hoje, Lula é casado com a socióloga Janja da Silva. Esse é o terceiro casamento do petista. Lula já foi casado com Maria de Lourdes da Silva, que morreu em 1971, e com Marisa Letícia Lula da Silva, a dona Marisa, que faleceu em 2017. Lula é pai de cinco filhos. Presidente durante agenda em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert. Movimento sindical e PT Lula trabalhou na Indústria Villares, metalúrgica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, chamado de Frei Chico. Foi suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Reeleito presidente do sindicato, Lula ganhou visibilidade nacional pela liderança nas greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC durante a ditadura militar (1964-1985). O governo ditatorial reagiu, e o sindicalista ficou 31 dias na cadeia em 1980, com base na antiga Lei de Segurança Nacional. Também em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), junto com políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. Dona Marisa, sua esposa na época, costurou a primeira bandeira do partido. O país entrava na reta final da ditadura, com a abertura política "lenta e gradual" definida pelos militares, e ganhou alternativa de partido à esquerda. Derrotas para Collor e FHC Lula concorreu, sem sucesso, ao governo de São Paulo em 1982 e foi eleito deputado federal em 1986, participando da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou dois anos depois a atual Constituição do Brasil. Em 1989, o petista estreou na corrida ao Planalto na primeira eleição direta para presidente desde 1960. Ele chegou ao segundo turno, porém foi derrotado por Fernando Collor de Mello, à época no PRN, que em 1992 renunciou e foi condenado em um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção. Lula voltou a concorrer ao Planalto em 1994 e 1998, porém nas duas ocasiões foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato impulsionado pelo êxito do Plano Real no combate à inflação. Mandatos Em 2002, Lula foi eleito com 52,7 milhões de votos. Derrotou no segundo turno José Serra (PSDB), candidato governista. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a governar o Brasil. Definiu como meta a redução da miséria e da desigualdade, aprimorou políticas sociais e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni. Em 2006, Lula recebeu 58,2 milhões de votos e venceu Geraldo Alckmin, que estava no PSDB, no segundo turno. Reeleito, lançou novos programas, com destaque para a política de habitação do Minha Casa, Minha Vida e para as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula foi badalado no exterior, ao ponto de ser chamado de “o cara” pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Com aprovação recorde de 87%, o petista se despediu em 2010 tendo sido decisivo na vitória de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra, na corrida presidencial. Lula iniciou o terceiro mandato em 2023 depois de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno com 50,90% ; 60,3 milhões de votos. O petista recriou ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas. Lula passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024. O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social. Também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev. E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo extinto Banco Master, de Daniel Vorcaro. Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos. Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos. A condução das negociações comerciais e diplomáticas, que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump, foi um dos principais desafios do mandato. Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros. Lula também voltou atrás de duas decisões recentemente na reta final das eleições. O presidente articulou com o Congresso a aprovação do fim da taxa das blusinhas. No início de setembro, Lula sancionou a nova lei, que acaba com a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. E na semana passada o petista anunciou a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho". No fim de 2023, o presidente Lula sancionou a lei que regulamentou as empresas de apostas, chamadas de bets. Escândalos ➡️Mensalão Em 2005 estourou o escândalo do mensalão. O então deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, delatou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" um esquema de compra de apoio político no Congresso por meio de mesadas pagas a parlamentares de partidos da base de Lula. O escândalo resultou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios e derrubou o ministro da Casa Civil, José Dirceu. O PT argumentava que o esquema se tratava de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral. Ainda em 2005, Lula foi à televisão para um pronunciamento em cadeia nacional no qual se disse “traído”. Sem usar a palavra mensalão, admitiu que o partido e o governo tinham errado e deveriam pedir desculpas. ➡️Lava Jato Como ex-presidente, Lula viveu altos e baixos. Superou um câncer na laringe e viu o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar 28 dos 38 réus na ação penal do mensalão. Em 2014, ele comemorou a reeleição de Dilma. No mesmo ano, começou a Operação Lava Jato, que descobriu esquema de desvio de recursos públicos nas gestões petistas por meio de contratos da Petrobras. O dinheiro irrigava doleiros, executivos, partidos e políticos. A operação avançou sob a condução de Sergio Moro, juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba. A Lava Jato gerou delações premiadas, devolução de parte do dinheiro desviado, prisões de empreiteiros e políticos e influenciou no impeachment de Dilma, em 2016. A cassação marcou a saída do PT do Planalto após 13 anos no poder. Em 2017, Lula foi condenado por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP). A condenação, a primeira de um ex-presidente por crime comum no Brasil, foi confirmada no ano seguinte no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância de Justiça Federal. Para três desembargadores Lula recebeu propina da construtora OAS por meio do triplex e de reformas no imóvel. O petista negava os crimes e se dizia vítima de perseguição. Travou uma batalha nos tribunais nos últimos anos. Como o STF tinha entendimento de que era possível cumprir a pena após condenação em segunda instância, Lula foi preso em 7 de abril de 2018. Ele foi levado para uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou encarcerado por 580 dias. No mesmo ano, teve a candidatura à Presidência barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. Em 2019, Lula deixou a prisão após o STF decidir que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado. Dois anos depois, em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo ao petista os direitos políticos e tornando-o elegível novamente. Saúde Em 2011, Lula foi diagnosticado com câncer na laringe, e superou a doença após o segundo mandato na Presidência. Ao longo do terceiro mandato, o petista também enfrentou desafios relacionados à saúde. Em 2023, Lula foi submetido a uma cirurgia no quadril para tratar dores provocadas por artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais. Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, passou pela retirada de uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de sessões de radioterapia.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/10/04/da-vida-sindical-ao-planalto-da-prisao-a-volta-a-presidencia-relembre-a-trajetoria-de-lula.ghtml


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