Corpo da artista plástica mineira Teresinha Soares é cremado na Grande BH
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Morre a artista plástica Teresinha Soares aos 99 anos
O corpo da artista plástica Teresinha Soares foi cremado na tarde desta quinta-feira (2) no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A cremação ocorreu logo após o velório dela, no Centro de Belo Horizonte.
Teresinha morreu na madrugada da última terça-feira (31), aos 99 anos. Ela estava internada no Hospital Felício Rocho, na capital mineira, onde ficou após fraturar o fêmur.
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Nascida em Araxá, no Triângulo Mineiro, Teresinha Soares é um dos principais nomes da arte contemporânea no Brasil e na América Lartina. Ela ficou conhecida por seu pioneirismo com obras de cunho erótico, psicodélico e de crítica social. Seus trabalhos foram expostos em alguns dos principais museus do país e do mundo.
Teresinha iniciou os estudos na Universidade Mineira das Artes, em Belo Horizonte, em 1965. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro estudar gravura em oficinas independentes organizadas pelo Museu de Arte Moderna (MAM). A artista começou a ganhar fama no mundo das artes nos anos 1960 e 1970.
Além de artista plástica, Teresinha foi escritora, vereadora, funcionária pública e professora. Ela produziu pinturas, esculturas e realizou performances.
'Uma das vozes mais potentes da arte brasileira'
Exposição ‘Quem tem medo de Teresinha Soares?’, no MASP, em 2017
MASP/ Divulgação
Em nota, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) se despediu da artista e afirmou que ela foi "uma das vozes mais potentes da arte brasileira e do feminismo"
"Entre referências ao pop, a sociedade do consumo e a política, Teresinha deixou um trabalho que atravessa o corpo, o desejo e os costumes. A artista foi uma das primeiras no Brasil a tratar de temas de gênero e a defender os direitos e a liberdade sexual da mulher."
Em 2017, o MASP apresentou a exposição "Quem tem medo de Teresinha Soares?", a primeira mostra panorâmica da artista em um museu, reafirmando a importância de sua trajetória e a atualidade de seus trabalhos. Entre os destaques, estava a obra "Morra usando as legítimas alpargatas" (1968), que Teresinha Soares doou ao acervo MASP.
Na obra, a artista faz uma crítica irônica à Guerra do Vietnã (1955-1975), misturando imagens de violência com elementos de sexualidade e da cultura de massa. Corpos nus entrelaçados aparecem dentro de um aparelho de televisão, chamando atenção para o papel dos meios de comunicação na propagação da guerra.
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Contribuição para a arte latino-americana
O Museu de Arte Latinoamericano (Malba), de Buenos Aires, apontou Teresinha como artista chave da arte brasileira do pós-guerra, "cuja obra deu um contributo decisivo para a abstração latino-americana".
Em 2025, foi incorporada uma importante pintura da artista brasileira no acervo do museu: "Deus Criou o Homem e..." (da série Acontecências), 1967. A pintura fez parte da exposição "Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, anos 60-70".
O Museu de Arte da Pampulha (MAP) também lamentou a morte da artista mineira. Segundo a instituição, sua relação com o MAP atravessa momentos importantes da história de Belo Horizonte.
"Destaca-se a realização da obra “Corpo a corpo: in cor-pus meus”, apresentada durante a abertura do II Salão Nacional de Arte Contemporânea da Prefeitura de Belo Horizonte, em dezembro de 1972, no MAP, um marco de sua produção voltada à participação, ao corpo e à interação com o público", afirmou em nota.
Obras: “Corpo a corpo: in cor-pus meus” e “Ver – Verde – Verdade ou O Altar do Sacrifício”
MAP/ Divulgação
Artista plástica Teresinha Soares
Foto: Leo Fontes
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