Alepe recebe pedido de impeachment contra vice-governadora Priscila Krause após denúncia sobre hospital do marido
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD)
Mariana Carvalho/Divulgação
Um pedido de impeachment da vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), foi protocolado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta quinta-feira (20). A solicitação foi assinada por três deputados estaduais do PSB: Rodrigo Farias, vice-presidente da Casa; Sileno Guedes, presidente da Comissão de Saúde da instituição; e Romero Albuquerque.
Esses parlamentares pediram o impeachment da vice-governadora por causa da denúncia de que ela destinou verbas para um hospital administrado pelo marido (entenda mais abaixo). A denúncia se baseia também em um relatório feito pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), órgão ligado ao Ministério da Saúde que é responsável por avaliar políticas públicas de saúde e da aplicação dos recursos federais no Sistema Único de Saúde (SUS).
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE
No pedido, os deputados sinalizam que Priscila Krause e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, estão ligadas a "atos lesivos ao patrimônio público estadual e federal, concretização de crimes e atos de improbidade".
Segundo a Alepe, o pedido de impeachment está sendo analisado pela presidência, e "não há prazo estabelecido para esta análise acontecer".
O g1 solicitou ao governo de Pernambuco um posicionamento sobre as acusações direcionadas à vice-governadora e à secretária de Saúde, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Agora no g1
Auditoria do DenaSUS
A auditoria foi feita na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste do estado. A unidade de saúde tem como administrador e sócio Jorge Branco, marido de Priscila Krause.
O g1 teve acesso ao relatório produzido pelo DenaSUS, que avaliou o hospital no período entre janeiro de 2023 e julho de 2025. De acordo com o documento, foram encontradas algumas irregularidades na estrutura hospitalar, como:
"inconformidades nas áreas de farmácia e armazenamento, com utilização inadequada da sala de preparo e armazenamento impróprio de materiais na farmácia de quimioterapia";
"limitações relacionadas ao espaço físico e à organização da farmácia central";
"fragilidades relacionadas à responsabilidade técnica de enfermagem";
"inadequações na estrutura física do serviço de hemodiálise ainda em processo de adequação, produção de quimioterapia inferior ao parâmetro normativo".
Em relação à administração e recursos, a auditoria também destacou alguns problemas encontrados que geraram prejuízo de R$ 905.233,95 aos cofres públicos:
"R$ 7.980 referem-se ao recebimento indevido de recursos da Assistência Financeira Complementar da União destinada ao Piso Nacional da Enfermagem";
"R$ 897.253,95 decorrem do faturamento de procedimentos assistenciais sem a devida comprovação de sua execução nos prontuários analisados".
Os valores gastos sem comprovação abrangem procedimentos cirúrgicos oncológicos, sessões de hemodiálise, quimioterapia e hormonioterapia. Assim, o DenaSUS recomendou a devolução dos valores ao Fundo Nacional de Saúde.
O g1 tentou contato com o DenaSUS para obter outras informações sobre a auditoria, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
⬆️ Voltar ao início desta reportagem.
Pedido de impeachment
Em nota conjunta sobre o pedido de impeachment, os três deputados estaduais, que fazem oposição ao governo do estado, afirmaram que:
Priscila Krause, quando governou interinamente o estado, assinou "R$ 200 milhões de orçamento que também chegava ao hospital que tem, como principal sócio e administrador, seu marido, Jorge Branco";
relatório de auditoria federal identificou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro "com graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise";
essa auditoria na referida unidade de saúde, que já havia recebido R$ 75 milhões do governo de Pernambuco, "se tornou um escândalo nacional, revelado pelos veículos de imprensa";
segundo o Diário Oficial do Estado, Priscila Krause "ainda nomeou os responsáveis das áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam de toda a cadeia de pagamento para o hospital".
"Esse conjunto de irregularidades, que fez o Ministério da Saúde exigir que o marido da vice governadora faça a devolução de recursos para o SUS, nos levaram a exigir que a Assembleia Legislativa se mobilize formalmente para apreciar o caso. O nosso objetivo é que tudo seja devidamente apurado como prevê a lei, diante de indícios evidentes de graves irregularidades. O impeachment é necessário para proteger o dinheiro do SUS, que está sendo desviado para o marido da vice-governadora", afirmaram os deputados na nota.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias