VÍDEO: Onça-pintada afia as garras em pequizeiro na Amazônia; marcas chegam a 2 metros do chão
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Onça-pintada afia as garras em pequizeiro na Amazônia; marcas chegam a 2 metros do chão
No silêncio da mata, um gigante se espreguiça. O que poderia ser apenas um momento de descanso se transforma em uma demonstração bruta de força e instinto. Uma câmera trap (armadilha fotográfica) instalada na Reserva Ecológica Cunhatai Porã registrou, em detalhes inéditos e à luz do dia, uma onça-pintada (Panthera onca) da Amazônia afiando as garras no tronco de um pequizeiro (veja o vídeo acima).
📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp
O vídeo impressiona pela proximidade. O felino encara a árvore e, em um movimento vertical, crava as garras na madeira, arrancando lascas da casca grossa como se fosse papel. O flagrante é o primeiro desse tipo conseguido pela equipe da reserva, no Matro Grosso, com tamanha nitidez e proximidade.
A equipe técnica retornou ao local após o registro para inspecionar os danos na árvore e se surpreendeu com a dimensão da "assinatura" deixada pelo animal.
Veja mais notícias do Terra da Gente:
VÍDEO: 'O mundo pareceu parar', diz estudante que filmou harpia com arara-canindé nas garras
ALERTA: Escorpião de clima quente é identificado pela primeira vez no Sul do Brasil
FOTOS: Filhotes de uma das aves mais raras do planeta são descobertos em Alagoas
As ranhuras na casca do pequi ultrapassam a altura de um dos integrantes da equipe, chegando a quase 2 metros do solo — uma prova física do porte robusto e do alcance deste felino.
Além das marcas no tronco, pegadas recentes foram encontradas próximo da árvore, reforçando que aquele ponto é um território ativo do predador.
Muito além de afiar as unhas
Câmera flagra onça-pintada afiando as garras em pequi na Amazônia; marcas chegam a 2 metros de altura
Lucas Souza / Estudante de biologia
Para quem assiste, parece apenas um gato gigante cuidando da higiene, "aparando as unhas". Mas a ciência explica que esse comportamento, conhecido tecnicamente como arranhadura ou claw marking, desempenha um papel social crucial na vida desses animais solitários.
Segundo Lucas Souza, estudante de biologia e guia da reserva, o ato serve a dois propósitos simultâneos: manutenção física e comunicação química.
"Esses arranhões não acontecem por acaso: a onça utiliza troncos de casca grossa para afiar e manter as unhas em boas condições para caça e defesa. Além disso, ao raspar a madeira, ela deixa marcas visuais profundas e também sinais químicos liberados por glândulas nas patas", explica Lucas.
O estudante detalha que a árvore funciona como um "mural de avisos" na floresta. "Esse conjunto de marcas funciona como comunicação territorial, indicando presença, dominância e uso da área. É um registro impressionante da força, da estratégia e do comportamento desse grande predador".
O que diz a ciência
Marcas deixadas pela onça-pintada no pequizeiro
Lucas Souza / Estudante de biologia
Estudos científicos corroboram a explicação de campo. Uma pesquisa publicada no Journal of Zoology e disponível na plataforma ResearchGate, intitulada "Marking behaviours of jaguars in a tropical rainforest of southern Mexico", detalha exatamente esse comportamento.
Os pesquisadores monitoraram onças e descobriram que elas selecionam árvores específicas (geralmente as mais altas e com cascas rugosas) para maximizar a visibilidade da marca.
O estudo aponta que as onças utilizam a marcação visual (o arranhão) combinada com a marcação química (o cheiro deixado pelas glândulas interdigitais das patas) para "falar" com outros indivíduos sem precisar do confronto direto.
O fato de as marcas estarem a 2 metros de altura não é coincidência: quanto mais alto o arranhão, maior parece ser o animal que o fez, servindo como um sinal de intimidação para possíveis rivais.
'Surpresa grata' e preservação
Equipe msotra altura das marcas na árvore
Lucas Souza / Estudante de biologia
Para Iraceldo Luiz, mais conhecido pelo apelido de "Gauchinho", proprietário da Reserva Ecológica Cunhatai Porã, cada revisão nos cartões de memória das câmeras é uma expectativa diferente.
A equipe já sabia que aquele pé de pequi era frequentado pelos felinos devido às marcas antigas, mas capturar o momento exato da ação foi uma vitória.
"A gente já tinha visto, né? Inclusive é em dois lugares, dois pés de pequi que elas costumam fazer isso e eu já sabia. Falei: 'Opa, isso aqui é onça'. Daí armamos a câmera e olha aí, a surpresa", celebra Gauchinho.
Ele destaca que registros assim são o maior troféu de quem trabalha protegendo a floresta.
"Isso representa tudo, né? Resume preservação. Aonde tem preservação, você consegue ver essas cenas aí", finaliza.
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e figura no topo da cadeia alimentar. Registros como este, feitos em áreas protegidas, são indicadores vitais de que o ecossistema está saudável e em equilíbrio.
O flagrante da onça-pintada também pode ser conferido no perfil oficial da Reserva Cunhatai Porã no Instagram.
VÍDEOS: Destaques do Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente