Trump quer tomar Cuba: entenda a pressão americana, os apagões e os sinais de que o regime pode ceder

  • 17/03/2026
(Foto: Reprodução)
Trump diz que pode "ter a honra de tomar Cuba. "Posso fazer o que quiser com ela." O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (16) que seria uma “honra” para ele “tomar Cuba”. A declaração é mais um capítulo da escalada de pressão dos norte-americanos sobre a ilha comunista, que enfrenta uma forte crise energética. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: Cuba está entre os alvos de Trump desde o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, ele reverteu a política de abertura adotada por Barack Obama e endureceu sanções contra a ilha. Ao voltar à Casa Branca no ano passado, Trump revogou uma decisão do governo anterior e recolocou Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo. Ao longo de 2025, a ilha ficou relativamente fora do radar da Casa Branca, mas voltou a ser alvo da política externa americana após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela. Em janeiro, a imprensa americana reportou que o governo Trump buscaria uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026. Desde então, os Estados Unidos vêm intensificando a pressão sobre a ilha. A mudança no governo da Venezuela foi fundamental para que Trump colocasse Cuba contra a parede. Após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, os Estados Unidos passaram a impedir que Caracas enviasse petróleo ou dinheiro à ilha. No fim daquele mês, Trump fez uma nova investida para aumentar a pressão. Por meio de decreto, autorizou tarifas contra qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba. A Casa Branca disse que a medida era necessária manter a estabilidade no Caribe. “Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais”, afirma a ordem assinada por Trump. A medida foi vista como uma tentativa de sufocar a economia cubana. Ao mesmo tempo, o governo Trump acusou a ilha de se alinhar à Rússia, à China, ao Irã e a grupos terroristas e, por isso, representava uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. “Cuba é uma nação em crise, e é preciso ter pena do país”, disse Trump no dia seguinte à assinatura da ordem. “Parece algo que simplesmente não vai sobreviver. Acho que Cuba não vai sobreviver.” Nesta reportagem você vai entender: Os apagões de Cuba O início das negociações com os EUA Quem está por trás das conversas Apagões Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington CTK Photo/IMAGO via DW Sem petróleo, a situação em Cuba se deteriorou rapidamente. A ilha passou a enfrentar apagões frequentes, mergulhando o país em uma grave crise energética. Isso ocorre porque a rede elétrica cubana depende de combustível para gerar eletricidade. De acordo com a BBC, especialistas afirmam que Cuba precisa de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia, mas produz apenas 40 mil. Com isso, o país depende de importações. Até então, a Venezuela conseguia suprir parte dessa demanda. Sem o apoio venezuelano, Cuba passou a enfrentar falta de combustível para atender às necessidades internas. A rede elétrica foi uma das primeiras a ser afetada, com cortes de energia generalizados. Depois, filas começaram a se formar em postos de gasolina. No início de fevereiro, o governo cubano anunciou medidas de racionamento de combustíveis e disse que passaria a priorizar setores agrícolas e o turismo. Havana também afirmou que pretende descentralizar a importação de combustíveis, manter a geração de eletricidade e reforçar os investimentos em energia solar. As medidas, porém, não foram suficientes para conter a crise. Os apagões continuaram frequentes, há escassez de combustíveis nos postos e o fornecimento de alimentos também passou a ser afetado. No sábado (14), manifestantes foram às ruas para protestar contra a situação no país. Os atos, que começaram de forma pacífica, terminaram com o ataque a uma sede do Partido Comunista na região central da ilha. Prédios do governo também foram apedrejados. Pressões surtem efeito O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em 16 de janeiro de 2026 REUTERS/Norlys Perez Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV na sexta-feira (13). “Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as duas nações”, disse. Até então, o governo cubano negava que quaisquer encontros oficiais estivessem em andamento. Por outro lado, Trump afirmava desde janeiro que conversas estavam acontecendo e que Cuba queria chegar a um acordo. Apesar do contato, fontes afirmam que ainda há diferenças significativas entre os dois países. Autoridades americanas indicam que qualquer alívio da pressão depende de concessões políticas e econômicas de Havana. Na segunda-feira, o jornal The New York Times revelou que o governo dos Estados Unidos está pressionando para que Díaz-Canel deixe o cargo para que as negociações avancem. Segundo o jornal, os EUA não estão exigindo mudanças amplas no regime comunista nem ações contra membros da família Castro, que ainda têm influência política em Cuba. Os cubanos reconheceram que a presidência de Díaz-Canel tem sido problemática, mas tentam encontrar uma forma de substituí-lo sem parecer que a decisão foi ditada pelos EUA. O jornal afirma que a proposta foi apresentada como um passo para facilitar acordos entre os dois governos, e não como um ultimato — diferentemente do que ocorreu na Venezuela. Na avaliação de integrantes do governo Trump, a saída de Díaz-Canel do poder poderia abrir caminho para reformas econômicas no país. Por outro lado, exilados cubanos e políticos americanos poderiam pressionar por mudanças mais amplas na ilha do que apenas a troca do presidente. Quem está negociando? O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com repórteres no dia das reuniões informativas confidenciais para o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a situação no Irã REUTERS/Elizabeth Frantz As conversas estariam sendo conduzidas sob a coordenação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu politicamente com apoio de exilados cubanos nos EUA e defende a queda do regime comunista na ilha. Segundo a imprensa americana, assessores de Rubio estão em contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos de negociação. Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário estaria mantendo conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do governo cubano. Conhecido como “Raulito” ou “El Cangrejo”, ele tem 41 anos, é neto do ex-presidente cubano Raúl Castro e sobrinho-neto de Fidel Castro. Apesar de não ocupar cargo no governo, a participação dele como interlocutor nas conversas indicaria que a família Castro continua influente nas decisões políticas do país. Ao jornal Miami Herald, o congressista republicano Mario Díaz-Balart disse que os Estados Unidos mantiveram contato com “diversas pessoas do entorno de Raúl Castro”, mas afirmou que não se tratava de negociações oficiais. Ele também não confirmou nomes. Cuba, por sua vez, não informou oficialmente quem faz parte da delegação que negocia com os Estados Unidos. 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FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/17/trump-quer-tomar-cuba-entenda-a-pressao-americana-os-apagoes-e-os-sinais-de-que-o-regime-pode-ceder.ghtml


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