Trump diz que não quer afastar Rússia de negociações e acusa Zelensky de prolongar guerra
18/10/2026
(Foto: Reprodução) Vladimir Putin, Donald Trump e Volodymyr Zelensky.
Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS, Reuters e Genya Savilov/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que não quer adotar medidas que afastem a Rússia das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
Em publicação na rede social Truth Social, ele voltou a justificar a suspensão de sanções e tarifas contra Moscou e criticou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a quem acusou de não querer acabar com o conflito.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Trump afirmou que sua decisão sobre as medidas contra a Rússia é simples porque seu governo está tentando negociar a paz. Segundo ele, assinar a legislação que prevê as sanções neste momento poderia prejudicar as conversas.
"Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia e não quero fazer nada que, de maneira insensata, afaste a Rússia da mesa de negociações. Grandes avanços estão sendo feitos, e isso inclui as atuais negociações sobre reféns!"
Agora no g1
O presidente também disse que poderá assinar o documento mais adiante, sem estabelecer uma data para uma eventual mudança de posição.
A declaração ocorre depois de Trump suspender, na sexta-feira (16), a aplicação de sanções e tarifas previstas na chamada Lei Graham. As medidas deveriam entrar em vigor na semana seguinte e incluíam tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia.
No sábado (17), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Trump pretende usar um período de até 60 dias para avaliar os efeitos econômicos das medidas. Segundo Rubio, a análise considera possíveis impactos tanto sobre a economia global quanto sobre a dos EUA.
Trump publicou nas redes sociais uma justificativa para sua decisão sobre as sanções à Rússia.
Reprodução/Truth Social
Trump critica Zelensky e ataques a refinarias russas
Na publicação deste domingo, Trump também criticou os ataques ucranianos a refinarias de diesel na Rússia.
Segundo o presidente americano, essas ações prejudicam o mercado internacional do combustível e afetam empresas e produtores dos EUA, embora ele não tenha apresentado dados que permitam dimensionar esse impacto.
"Zelensky está usando refinarias de diesel na Rússia como alvo, sabendo que esses ataques estão prejudicando seriamente os mercados mundiais de diesel, inclusive nos EUA. Agricultores, pecuaristas e empresas de todos os tipos estão sofrendo muito com isso, mas a Rússia, apesar disso, está enviando milhões de barris de diesel ao mundo a preços baixos."
Trump afirmou que Zelensky não estaria interessado em encerrar a guerra e disse que o presidente ucraniano poderia ter obtido um acordo melhor dois anos atrás.
Ele também mencionou o apoio financeiro recebido pela Ucrânia de países europeus e do governo do ex-presidente americano Joe Biden.
Suspensão de sanções e acordo sobre diesel
A decisão de suspender as medidas contra a Rússia também foi relacionada pelo governo americano à necessidade de lidar com os efeitos econômicos de conflitos internacionais.
Rubio afirmou que a guerra na Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio estão afetando o fornecimento global de energia. No sábado, o secretário de Estado também defendeu um acordo separado para aumentar a oferta de diesel russo nos mercados internacionais.
Segundo Trump, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas do combustível aos EUA, com novas remessas previstas para novembro e os meses seguintes.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, afirmou neste domingo que o acordo é um incentivo para tentar encerrar a guerra, e não uma forma de oferecer apoio econômico à Rússia.
Segundo ele, o aumento das exportações de diesel russo dependeria de uma redução do conflito com a Ucrânia.
A suspensão das sanções foi criticada por Zelensky, que alertou que a decisão poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar a guerra.
Enquanto Trump defende que evitar novas medidas contra Moscou pode ajudar a manter as negociações abertas, o governo ucraniano vê a suspensão das sanções como um risco para os esforços de pressionar a Rússia a encerrar o conflito.