TRT e MP sugerem trégua na greve dos rodoviários; sindicato se reúne para avaliar proposta
30/06/2026
(Foto: Reprodução) Greve dos rodoviários entra no segundo dia no Rio
Após audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho nesta terça-feira (30), o TRT e o Ministério Público sugeriram uma trégua greve dos rodoviários no Rio de Janeiro até a próxima segunda-feira (6), com uma nova reunião para uma proposta do sindicato patronal, o Rio Ônibus.
Depois da audiência, os rodoviários se reuniram para uma nova assembleia no início da tarde.
Os representantes da categoria pedem:
Reajuste de 17%
Piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT
R$ 4 mil para os demais motoristas
Vale alimentação de R$ 1 mil
Plano de saúde
Mudanças na escala de trabalho e jornada de 7h30
Durante a audiência, o presidente do Rio Ônibus ofereceu 4,39% de reajuste, e que não haverá contraproposta, citando dificuldades financeiras e a perda de subsídios que impedem um reajuste maior.
O Sindicato dos Trabalhadores chegou a propor uma divisão do reajuste, com 8% imediatamente e 8,3% em novembro deste ano.
A proposta não foi pelo sindicato patronal, que pediu uma trégua até a próxima segunda-feira (6) sem nada em troca aos trabalhadores.
1,4 mil ônibus nas ruas
O Rio Ônibus, sindicato que representa as viações que operam no Município, afirmou no início da manhã desta terça que 1.400 coletivos saíram para circular.
O número é maior que o registrado no dia anterior, quando 900 veículos deixaram as garagens, mas ainda aquém dos 1.800 que deveriam rodar — o equivalente a 50% da frota, conforme determinação da Justiça do Trabalho.
A segunda-feira (29) foi marcada por garagens lotadas de ônibus parados nas viações e transtornos para passageiros. A greve foi deflagrada à 0h da segunda-feira.
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Danos a ônibus e demora nos pontos
Ponto de ônibus lotado em Sulacap
Reprodução/TV Globo
Não houve, nesta terça, registro de ônibus vandalizados. Na segunda, de acordo com o Rio Ônibus, 50 foram danificados em piquetes.
Passageiros relataram ao Bom Dia Rio demora nos pontos e terminais, como o Gentileza. Durante a madrugada, segundo os usuários, linhas operavam com apenas 1 ônibus, que já saía lotado.
No BRT, a MOBI-Rio registrou 361 articulados nas ruas, um aumento de 26% na frota nos 4 corredores em relação ao dia anterior, mas pouco mais . No Jardim Oceânico, as plataformas estavam vazias por volta das 6h30.
Trens, barcas e metrô operam normalmente.
Ônibus parados no Terminal Alvorada
Reprodução/TV Globo
Prefeitura queria 80% da frota
Em entrevista ao Bom Dia Rio, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) afirmou que o município havia defendido na Justiça que os rodoviários mantivessem 80% da frota nas ruas.
“A gente tem visto que 50% já era um efetivo muito baixo e sequer foi cumprido. Não chegamos a 30% de operação por parte dos ônibus comuns, e o nosso pleito é que a gente tenha pelo menos 80% do serviço garantido.”
“O funcionamento do BRT em cerca de 70% permite que a gente tenha uma vazão maior dessas pessoas, mas o sistema de alimentação, feito pelos ônibus comuns da cidade, infelizmente, mais uma vez, não chegou sequer a um terço do que estava previsto”, emendou.
“Eu quero lembrar que essa negociação é entre os sindicatos: o patronal e o dos trabalhadores. O papel da prefeitura tem sido exclusivamente pedir à Justiça que o mínimo de funcionamento do serviço seja garantido para a população, para que a gente possa minimizar os impactos”, disse.
Filas no Terminal Gentileza; segundo passageiros, há mais ônibus circulando
Reprodução/TV Globo
Transtornos na segunda
Na segunda, passageiros relataram espera de até 2 horas para embarcar, e muitos desistiram no caminho. Pela manhã, pontos e terminais acumularam filas, e pátios das viações ficaram lotados de ônibus parados.
À tarde, no Terminal Alvorada, na Barra, houve confusão com depredação de grades e passageiros revoltados invadindo a calha dos BRTs.
Revoltados com a greve de ônibus no RJ, passageiros invadem a calha do BRT
Reivindicações da classe
Segundo o sindicato, a categoria não abre mão da proposta do dissídio aprovada e encaminhada para o Rio Ônibus:
mudança da data-base para 1º de março;
salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem articulados e R$ 4 mil para os demais;
fim do contrato temporário e contratação pela CLT para os profissionais do BRT;
tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
jornada de trabalho 5x2;
manutenção do passe livre para a categoria;
indenização dos 30 minutos do intervalo de almoço;
plano de saúde e odontológico.
O sindicato afirma que a proposta apresentada aplicada sobre os valores atuais dos salários e auxílio alimentação da categoria, o motorista de ônibus convencional teria um reajuste de R$ 150,15, saindo de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31; o do articulado na categoria E teria um aumento de R$ 180,17, passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. Já o auxílio alimentação seria reajustado em R$ 29, passando de R$ 660 para R$ 689.
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Segundo dia de greve de rodoviários tem mais ônibus nas ruas
Reprodução/TV Globo