Trama golpista: STF encerra fase de recursos e já executou as penas de todos os condenados

  • 24/04/2026
(Foto: Reprodução)
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta quinta-feira (23) a fase de recursos e já determinou o início do cumprimento da pena dos 29 condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Dos condenados: 20 estão em regime fechado; 3 em prisão domiciliar; 3 foragidos; 2 fecharam acordo; 1 em regime aberto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao longo de 2025, a Primeira Turma do STF julgou quatro núcleos de réus e entendeu que ficou comprovado – a partir da atuação de uma organização criminosa – que Bolsonaro e aliados : agiram para minar a confiança da sociedade nas urnas eletrônicas; pressionaram militares para aderirem à ruptura institucional; usaram a máquina pública contra adversários, num esquema que envolveu espionagem ilegal e disseminação de dados falsos, além de ataques ao judiciário; traçaram planos golpistas que previam até a prisão e morte de autoridades. Esses atos, no entendimento do STF, culminaram nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes em Brasília. 8 de janeiro Reprodução/TV Globo Núcleo crucial Foi a primeira vez que um ex-presidente foi condenado e preso por atentar contra a democracia. Assim como, também pela primeira vez na história, militares de alta patente foram condenados e presos por golpe de Estado. As penas vão de 1 ano e 11 meses a 27 anos e três meses de prisão. As primeiras prisões para cumprimento da pena foram determinadas em 25 de novembro do ano passado pelo relator, Alexandre de Moraes, e envolvem o chamado núcleo crucial da trama golpista, que foi considerado o responsável pelo planejamento e articulação dos atos golpistas. Ministro Alexandre de Moraes é o relator das ações relativas ao golpe de 2022 Jorge Silva/Reuters Além de Bolsonaro, foram condenados: Alexandre Ramagem: ex-deputado e ex-diretor da Abin, está foragido nos Estados Unidos, onde busca asilo. Moraes determinou o início do processo de extradição do ex-parlamentar; Almir Garnier: ex-comandante da Marinha; Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública; Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, atualmente cumpre prisão domciliar humanitária por questões de saúde; Mauro Cid: ex-ajudante de ordens do presidente; Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto: ex-ministro da Casa Civil. Núcleo 3 Em 13 de março, o STF executou as penas do núcleo 3, quando foram presos os últimos 3 condenados em liberdade. Segundo a Corte, esse grupo atuou para a ruptura institucional, com planos e ações para monitorar e até assassinar autoridades como o presidente Lula e o vice, Geraldo Alckmin. Entre eles, militares das forças especiais, chamados de kids pretos: Bernardo Romão Correa Netto: coronel do Exército; Fabrício Moreira de Bastos: coronel do Exército; Hélio Ferreira Lima: tenente-coronel do Exército; Rafael Martins de Oliveira: tenente-coronel do Exército; Rodrigo Bezerra de Azevedo: tenente-coronel do Exército; Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: tenente-coronel do Exército; Wladimir Matos Soares: agente da Polícia Federal. Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, com estátua da Justiça em destaque. Divulgação/STF Em fevereiro deste ano, o STF validou os acordos firmados entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os militares Márcio Nunes de Resende Jr. e Ronald Ferreira de Araújo Jr, que foram condenados nesse núcleo por associação criminosa e incitação das Forças Armadas contra os Poderes constitucionais, delitos considerados de menor gravidade. Eles confessaram os crimes e tiveram que cumprir determinações acertadas com o MP. Núcleo 4 Em 10 de abril, foram presos os últimos 4 condenados do núcleo 4 da trama golpista. O núcleo da desinformação desempenhou ações essenciais para articular a tentativa de golpe, elaborando e disseminando informações falsas, além de atacarem autoridades para tentar provocar uma ruptura institucional. Foram condenados: Ailton Moraes Barros: ex-major do Exército; Ângelo Denicoli: major da reserva do Exército; Giancarlo Rodrigues: subtenente do Exército; Guilherme Almeida: tenente-coronel do Exército; Marcelo Bormevet: agente da Polícia Federal. São considerados foragidos: O coronel do Exército Reginaldo Abreu, que está nos Estados Unidos e disse que não tem previsão de retornar ao país; Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, que estaria na Europa. Grupo em atos golpistas em Brasília (DF) em 8 de janeiro de 2023 Marcelo Camargo/Agência Brasil Núcleo 2 O núcleo 2 foi o último a encerrar as chances de recursos nesta quinta-feira. Segundo o STF, seus integrantes atuaram no gerenciamento das principais ações golpistas da organização. Foram condenados: Filipe Garcia Martins Pereira: ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência; Marcelo Costa Câmara: coronel da reserva e ex-assessor de Jair Bolsonaro; Marília Ferreira de Alencar: ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça – foi condenada em 2 dos cinco crimes imputados. Ela está em prisão domiciliar temporária; Mário Fernandes: general da reserva do Exército; Silvinei Vasques: ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. Revisão criminal Ao longo do processo, as defesas alegaram a inocência dos condenados, pediram a absolvição e negaram envolvimento com ações golpistas. Agora, os advogados podem entrar com a chamada revisão criminal, que é um instrumento que permite a um condenado que já teve uma sentença considerada definitiva, portanto não tem mais chance de recursos, pedir a reavaliação do seu caso. A medida não representa um novo julgamento e é considerada excepcional. O objetivo do instrumento é corrigir erros judiciários e precisa apresentar novos elementos de provas que possam comprovar a inocência como: comprovar que a sentença foi contrária à lei penal ou às provas do processo; comprovar que a sentença que se baseou em depoimentos, exames ou documentos falsos.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/24/trama-golpista-stf-encerra-fase-de-recursos-e-ja-executou-as-penas-de-todos-os-condenados.ghtml


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