Tragédia de Mariana: rompimento de barragem completa 11 anos com atos por reparação em MG
05/11/2026
(Foto: Reprodução) 8/11 - Bombeiros trabalham na busca por vítimas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, neste domingo
Ricardo Moraes/Reuters
Onze anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, moradores e comunidades atingidas realizam até esta sexta-feira (6) uma jornada de mobilização em diferentes cidades do estado. O objetivo do movimento é cobrar a reparação integral dos danos socioambientais e exigir a participação popular nos novos acordos de indenização.
Os atos acontecem em Mariana, Governador Valadares e Belo Horizonte. A programação inclui reuniões políticas, atos em memória das vítimas e uma caminhada em Belo Horizonte.
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp
Tragédia deixou 19 mortos e atingiu o Rio Doce
O rompimento da barragem da Samarco destruiu a comunidade de Bento Rodrigues e matou 19 pessoas. Ao todo, 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos vazaram, atingindo mananciais como o Rio Doce até chegar ao oceano.
Onze anos depois, as medidas de reparação e compensação pelos danos causados pela tragédia continuam em andamento.
Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, o novo acordo do Rio Doce prevê R$ 170 bilhões para ações de reparação e compensação. Desse total, R$ 100 bilhões estão sendo destinados a políticas públicas por meio de repasses aos governos federal, estaduais e municipais.
Agora no g1
Segundo a Samarco, desde 2015, foram aplicados R$ 82,6 bilhões em ações de reparação. No mesmo período, mais de 648 mil pessoas foram indenizadas, de acordo com a empresa.
Além das indenizações e das medidas de recuperação ambiental, a preservação da memória das comunidades atingidas também faz parte do processo de reparação.
Mariana e 18 cidades aderem a acordo de reparação no rompimento da barragem de Fundão
Capela símbolo de resistência passa por restauração
Em Bento Rodrigues, uma das comunidades destruídas pelo rompimento da barragem, a Capela de Nossa Senhora das Mercês, que serviu de refúgio para moradores durante a tragédia, está na fase final de restauração.
Construída no fim do século 18, a igreja é considerada um símbolo de fé, resistência e memória para os antigos moradores. Atualmente, os trabalhos estão concentrados na recuperação artística das obras.
A restauração é custeada com recursos dos acordos de reparação e gerenciada pela arquidiocese local. A previsão é que a capela seja entregue em abril de 2027.
Mesmo durante as obras, o entorno da igreja continua sendo utilizado pelos antigos moradores para celebrações religiosas e sepultamentos, mantendo os vínculos da comunidade com o território atingido pela tragédia.
Justiça reverteu absolvição e condenou Samarco e outros três réus
Em novembro de 2024, a Justiça Federal havia absolvido a Samarco pelo rompimento da barragem. A decisão justificou a absolvição com base na "ausência de provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal" direta e individual de cada réu envolvido no caso.
Em setembro deste ano, a Justiça decidiu reverter a decisão, condenando a Samarco e três pessoas físicas por crimes relacionados à tragédia.
O relator, juiz federal Michael Procópio, atendeu em partes os recursos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF) e por familiares de vítimas. Os desembargadores Klaus Kuschel e Luciana Pinheiro acompanharam o voto.
Daviély Rodrigues Silva e Germano Silva Lopes, que eram gerentes da Samarco à época do desastre, foram condenados a oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. A decisão cabe recurso.
Wagner Milagres Alves, que era o gerente geral de operação de minas, foi sentenciado a sete anos, três meses e 15 dias de reclusão, inicialmente em regime semiaberto.
Veja os vídeos mais vistos do g1 Minas: