Torresmo em formato de rocambole é tradição em Juiz de Fora há mais de três décadas
25/08/2026
(Foto: Reprodução) Torresmo em formato de rocambole é tradição em Juiz de Fora
Há 35 anos, Luiz Antônio Corrêa, conhecido como Totonho, conheceu, durante uma viagem, uma forma diferente de preparar a carne de porco. A ideia chamou a atenção do comerciante, que voltou para Juiz de Fora disposto a reproduzir o prato.
Após cerca de um ano de testes, ele chegou à receita que se tornou uma das marcas do Bar do Totonho: o torresmo em formato de rocambole.
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A barriga de porco é enrolada, temperada com sal e cachaça e levada ao forno para desidratar. Depois, é cortada e finalizada na panela.
O prato fez sucesso entre os clientes e, 35 anos depois, continua como o tira-gosto mais vendido nas três unidades do bar.
No Dia Municipal do Torresmo, celebrado nesta terça-feira (25), o g1 conta como a receita surgiu e se tornou tradição em Juiz de Fora.
Como tudo começou
Torresmo do Bar do Totonho completou 40 anos em 2026
Arquivo Pessoal
Quando começou a testar a receita, Totonho ainda trabalhava em uma pequena garagem no bairro Retiro. O espaço ficava em uma rua sem saída e, aos poucos, passou a atrair moradores da região.
O cardápio daquela época era diferente do atual. Entre os pedidos estavam espetinhos de carne e fígado de porco, além de pratos como 'cemitério', pezinho de frango e moela.
Foi durante uma viagem que Totonho viu a carne de porco preparada de uma maneira diferente, assada.
"Eu vi aquilo e fiquei interessado, pensei: 'Como vamos fazer?'"
De volta a Juiz de Fora, começou a testar a ideia. Comprava a barriga de porco, retirava o excesso de gordura e experimentava diferentes formas de preparo.
"Fui estudando um ano. Comprava a barriga, testava, ia fazendo, tirava o excesso. Foi dando certo", completou.
A receita finalmente foi colocada à prova com os clientes em um sábado.
"Um dia eu tirei a barriga, enrolei, passei cachaça e sal e coloquei no forno para desidratar. Um sábado, uma turma tomando cerveja quis tentar fazer. Cortei, coloquei na panela e fez um sucesso danado. Não parou mais", contou Totonho.
Da garagem para três unidades em Juiz de Fora
Torresmo do Bar do Totonho
Arquivo Pessoal
O sucesso do torresmo acompanhou o crescimento do bar. O pequeno estabelecimento do bairro Retiro ganhou novos clientes e chegou a provocar congestionamento de carros na rua onde funcionava.
Anos depois, o Bar do Totonho tem três unidades: no Retiro, no Shopping Jardim Norte e no bairro São Mateus.
Mesmo com a expansão, a receita criada há 35 anos continua como o produto mais vendido nas três casas.
Empresa familiar
Bar do Totonho, em Juiz de Fora
Arquivo Pessoal
Com o crescimento do bar, a família passou a dividir as funções. A esposa de Totonho é responsável pela cozinha. O filho trabalha na produção do torresmo, e a filha ajuda na distribuição para as outras unidades.
Aos 67 anos, Totonho ainda acompanha de perto a produção:
"Eu fico mais no tira-gosto, olhando o controle de qualidade. Ajudo na cozinha, estou com a mão na massa ainda", afirmou.
Mais do que torresmo
Para Totonho, a história do bar não se resume ao sucesso da receita.
Alguns clientes frequentam o estabelecimento desde a década de 1980. Com o passar dos anos, a relação se transformou em amizade.
Ele conta que já foi convidado para casamentos de clientes e até recebeu uma homenagem de um bloco de carnaval.
"Falta no mundo não é dinheiro, é amizade com os clientes, carinho. Ver a pessoa sair de casa e vir aqui, eu fico muito feliz. Só tenho que agradecer a Deus", diz.
Aos 67 anos e depois de 35 anos de história com o torresmo, Totonho ainda não pensa em parar.
"Não quero parar. Só se me arrancarem daqui", brincou.
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