STF anuncia afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master; ministro foi citado em mensagens de Daniel Vorcaro
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Caso Master: Dias Toffoli deixa a relatoria do caso no STF
O STF - Supremo Tribunal Federal, na noite desta quinta-feira (12), divulgou uma nota informando que o ministro Dias Toffoli não é mais relator do caso Master.
Esta quinta-feira (12) foi um dia bastante intenso foi um dia bastante intenso no STF - Supremo Tribunal Federal, principalmente depois que o ministro Luiz Edson Fachin convocou uma reunião com os colegas dele para discutir o caso Master e a relatoria do ministro Dias Toffoli. Na noite desta quinta-feira (12), saiu uma nota:
“Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos hoje no Supremo, (...) reconhecem a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli na relatoria da reclamação número 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência e expressam neste ato, apoio pessoal ao excelentíssimo ministro Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Registram ainda que a pedido do ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua relatoria, para que a presidência promova a livre redistribuição. A presidência adotará as providências processuais necessárias para a extinção da A.S. para a remessa dos autos ao novo relator”.
Esse novo capítulo da crise do Master mobiliza ministros do Supremo desde quarta-feira (11) à noite, quando veio a público a informação de que a Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, o relatório sobre os celulares de Daniel Vorcaro. Nesta quinta-feira (12), o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio da empresa que vendeu participação no resort Tayayá, mas negou irregularidades.
Os peritos da Polícia Federal encontraram mensagens citando o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo, em um dos celulares de Daniel Vorcaro, dono do Master. Os aparelhos foram apreendidos em uma operação da PF.
O relatório, encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, segunda-feira (9), cita conversas entre Vorcaro e Toffoli, e mensagens entre Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, sobre o pagamento de um resort da família de Dias Toffoli, no Paraná - o Tayayá. No documento, a PF não pede afastamento de Toffoli da relatoria, mas cita um possível descumprimento da Lei da Magistratura, que rege a atuação dos juízes brasileiros.
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o material enviado pela PF fosse autuado como arguição de suspeição - um instrumento jurídico que questiona a imparcialidade de um ministro quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a atuação do magistrado em um determinado caso.
Em 2021, dois irmãos de Toffoli venderam, por intermédio da empresa Maridt, parte das cotas que tinham no resort Tayayá por mais de R$ 3 milhões. A venda foi feita para o Arleen, um fundo controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.
Segundo o Banco Central, a Reag e o Banco Master montaram um esquema de operações combinadas para que o dinheiro circulasse entre fundos previamente organizados para inflar o patrimônio do conglomerado. As duas instituições foram liquidadas pelo Banco Central e estão sob investigação da Polícia Federal.
PF revela mensagens de Vorcaro sobre Toffoli
Jornal Nacional/ Reprodução
Nesta quinta-feira (12), diante da repercussão, o gabinete de Dias Toffoli divulgou mais uma nota dizendo que:
a Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal;
suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas;
o ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes dele;
de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador;
a referida empresa, a Maridt, foi integrante do grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025;
a participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas. Sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025;
tudo foi devidamente declarado à Receita Federal e que todas as vendas realizadas dentro de valor de mercado;
todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal sem nenhuma restrição;
a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Segundo a nota, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro;
o ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro;
o ministro jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
Durante uma sessão do Supremo na semana passada, sem citar que era sócio da empresa Maridt, o ministro Dias Toffoli defendeu a possibilidade de magistrados serem acionistas de empresas:
“Vários magistrados são fazendeiros. Vários magistrados são donos de empresas. E eles, não exercendo a administração, eles têm todo o direito de receber os seus dividendos”.
Desde dezembro de 2025, o caso Master tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal por determinação de Toffoli. Em janeiro, quando a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação que investiga os negócios de Vorcaro, Toffoli determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e enviado ao STF - o que é incomum. Em seguida, mudou a decisão para que a Procuradoria-Geral da República fizesse a análise do material junto com a PF e indicou ele mesmo os peritos.
A análise desse material compôs o relatório da PF apresentado ao ministro Fachin com as citações ao nome de Toffoli. Nesta quinta-feira (12), o ministro Toffoli determinou que todos os dados de todos os celulares apreendidos e periciados na investigação sejam enviados ao gabinete dele.
A defesa de Daniel Vorcaro declarou que se preocupa com o que chamou de “vazamento seletivo de informações”. O que, segundo a defesa, favorece ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa; e afirmou que o esclarecimento dos fatos depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais.
A assessoria de Fabiano Zettel não quis se manifestar.
Reunião no STF
Supremo Tribunal Federal
Jornal Nacional/ Reprodução
A reunião convocada pelo presidente do STF, Luiz Edson Fachin, começou na tarde desta quinta-feira (12).
O ministro Edson Fachin convocou os colegas logo na abertura da sessão desta quinta-feira (12):
“Nós iremos apenas fazer a oitiva das primeiras sustentações orais, eis que em seguida irei encerrar a sessão, pois haverá um diálogo entre os ministros deste tribunal”.
Por conta disso, nenhum processo foi julgado e a sessão encerrada mais cedo. A reunião foi a portas fechadas. No gabinete da presidência, apenas os ministros do Supremo - oito presencialmente, entre eles o ministro Dias Toffoli, e os ministros Luiz Fux e André Mendonça por videoconferência.
A Secretaria de Comunicação do STF informou a pauta do encontro: Fachin queria dar ciência aos demais ministros do conteúdo do relatório da Polícia Federal sobre a investigação nos telefones dos envolvidos no caso Master, que cita o nome do ministro Dias Toffoli. Fachin já enviou o relatório para que a Procuradoria-Geral da República analise a suspeição do ministro. No encontro, o presidente do STF também queria repassar aos colegas a resposta que Toffoli enviou à presidência da Corte.
Mais cedo, em uma rede social, a ONG Transparência Internacional recomendou que Toffoli seja afastado e investigado e disse:
“O Brasil e a comunidade internacional precisam acompanhar com máxima atenção este caso. A corrupção do Judiciário impede o desenvolvimento socialmente justo e é devastadora para os direitos humanos, a segurança pública e a democracia”.
Já o senador Alessandro Vieira, do MDB, acionou a Procuradoria-Geral da República para que apresente ao STF um pedido de suspeição para afastar Toffoli da condução do inquérito sobre o Banco Master.
O Supremo informou que o sorteio para escolher o novo relator do caso Master será realizado ainda nesta quinta-feira (12).
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