‘Soberana’, ‘Tabajara’, ‘Furiosa’, ‘Swingueira’… conheça os apelidos das baterias das escolas do Grupo Especial do Rio

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Ritmistas da Tabajara do Samba, bateria da Portela Alex Ferro/Riotur Alma das escolas de samba, as baterias não embalam apenas o desfile: elas também carregam identidade, história e até nome próprio. Conhecidos no mundo do samba como verdadeiras marcas registradas, os apelidos ajudam a diferenciar estilos, levadas e concepções musicais de cada agremiação. No mundo do samba, a bateria é mais do que um segmento: é uma assinatura sonora. Os apelidos, adotados por cada escola, funcionam como marcas registradas e servem para diferenciar estilos, cadências e concepções musicais que atravessam gerações e identificam as comunidades no Sambódromo. “O batuque da comunidade atrai. Tudo começa no batuque”, resume o carnavalesco e comentarista Milton Cunha, ao programa Encontro. “A bateria é o coração pulsante de uma escola de samba”, afirma. Formada por no mínimo 200 ritmistas, a bateria é responsável por dar andamento rítmico ao desfile. Os instrumentos — como surdos, caixas, tamborins, chocalhos, cuícas e repiques — seguem regras rígidas previstas no regulamento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça “Tem que ser uma orquestra de percussão. Não existe instrumento de sopro na bateria, como acontece em bandas marciais ou blocos de rua”, explica Milton Cunha. Segundo ele, desde a década de 1930 são proibidos sons semelhantes aos de sopro, com exceção dos apitos usados pelos mestres e diretores de harmonia. Ao longo do tempo, as baterias passaram a incorporar variações rítmicas e arranjos próprios, respeitando a essência do samba. Foi essa base que ajudou a eternizar composições que caíram na boca do povo e marcaram a história do Carnaval. Mestres de bateria comandam o espetáculo À frente das baterias estão os mestres, responsáveis por conduzir o ritmo como maestros de uma grande orquestra. São eles que definem os arranjos musicais, os desenhos rítmicos e as famosas paradinhas, momentos em que a bateria interrompe ou modifica o andamento para valorizar o samba-enredo. “No recuo da bateria, o público vê um verdadeiro show, com dança e coreografia”, diz Milton. O desafio, no entanto, é equilibrar inovação e precisão: qualquer erro de sincronização pode custar décimos preciosos na apuração. Ao longo dos anos, algumas baterias chegaram a realizar manobras arriscadas para abrilhantar o espetáculo, sempre dentro do limite imposto pelo regulamento e pela necessidade de não “atravessar” o samba. Para o Carnaval 2026, o g1 reuniu as baterias na ordem oficial de desfile, com número atualizado de ritmistas e detalhes do que cada escola promete levar para a Marquês de Sapucaí. Acadêmicos de Niterói — Cadência de Niterói Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói abre os desfiles com a bateria Cadência de Niterói, que terá mestre Branco Ribeiro pela primeira vez à frente do quesito na elite. Com 240 ritmistas, ao g1, Branco explica que o trabalho começou pela base e tudo foi pensado para dialogar com o samba: “A gente iniciou o trabalho com um ensaio específico para as caixas, passando a identidade da bateria. Nosso diferencial está na levada das caixas e nas viradas, que têm uma pausa antes de acontecer. Todas as paradinhas estão em cima da melodia e da letra. É para enaltecer a obra. A bateria faz uma pausa e, ao mesmo tempo, todo mundo abaixa, criando uma coreografia que valoriza a passagem do samba.” Rainha de bateria: Vanessa Rangeli Ritmista da Acadêmicos de Niterói tocando um chocalho Alexandre Loureiro/Riotur Swing da Leopoldina, da Imperatriz Tradicional no Grupo Especial, a Imperatriz mantém o apelido Swing da Leopoldina, que faz referência à Zona da Leopoldina e à batida cadenciada que marcou o ritmo da escola ao longo das décadas. Há 10 anos à frente dos ritmistas, que neste ano serão 250, mestre Lolo celebra uma trajetória de sucesso. No ano passado, a bateria conquistou o Estandarte de Ouro — inédito em sua história. A ousadia nas paradinhas e manutenção da tradição rítmica da bateria da escola são os destaques da Swing da Leopoldina. Rainha de bateria: Iza Integrantes da bateria da Imperatriz Leopoldinense Tata Barreto/Riotur Tabajara do Samba, Portela Mestre Vitinho é o atual comandante da Tabajara do Samba, a bateria da Portela, para o Carnaval 2026. Cria da escola e reconhecido por sua trajetória no samba, ele assumiu o comando após o desligamento de Nilo Sérgio em 2025, trazendo renovação para a agremiação. Vitor Cezar assumiu o comando 320 ritmistas dos como parte da reestruturação da escola sob a presidência de Junior Escafura. Rainha de bateria: Bianca Monteiro Integrante da Tabajara do Samba, a bateria da Portela Marco Terranova/Riotur Tem Que Respeitar Meu Tamborim, da Mangueira A Verde e Rosa entra na Avenida ao som da bateria Tem Que Respeitar Meu Tamborim, sob comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão. Para 2019, a Mangueira não informou o número de ritmistas. Rainha de Bateria: Evelyn Bastos Bateria da Mangueira Alex Ferro/Riotur Não Existe Mais Quente, da Mocidade A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel é composta por 270 ritmistas comandados pelo mestre Dudu — à frente da Não Existe Mais Quente desde 2013. Dudu é reconhecido por manter o legado de Mestre André, criador da famosa "paradinha" da escola. O trabalho da bateria para 2026 foi de manutenção do ritmo tradicional e único da escola, para que não se perdessem as peculiaridades do samba de Padre Miguel. Rainha de bateria: Fabíola Andrade A bateria 'Não Existe Mais Quente', da Mocidade Independente de Padre Miguel Marco Terranova/Riotur Soberana, Beija-Flor de Nilópolis A bateria Soberana da Beija-Flor de Nilópolis vai entrar na Avenida com 250 ritmistas, sob comando de mestre Rodney. Em conversa com o g1, Rodney destacou a qualidade e a técnica do grupo. “A gente intensifica o uso da melodia do samba. O samba pede uma coisa, a bateria executa exatamente aquilo. As convenções são muito concretas.” Ele destaca ainda elementos tradicionais da escola: “A gente tem atabaque, tem levada de cabula no repique e a cereja do bolo são as frigideiras. Tudo com afinação privilegiada e um molho de bom gosto, que é a característica da bateria Soberana.” Rainha de bateria: Lorena Raíssa Integrante da Soberana, da Beija-Flor de Nilópolis Alex Ferro/Riotur Furacão Vermelho e Branco, da Viradouro A Furacão Vermelho e Branco da Viradouro vai entrar na Avenida com 250 ritmistas e será regida por Mestre Ciça, um dos mais famosos em atividade — e enredo da agremiação em 2026. A escola foi campeã do Grupo Especial em 2024 com o “Arroboboi, Dangbé”, o enredo pedia proteção à grande cobra mítica. Com 55 carnavais no currículo e 36 anos ininterruptos de Sapucaí, Ciça construiu uma das trajetórias mais respeitadas do samba. Ele está à frente da escola desde 2019. Rainha de bateria: Juliana Paes A bateria Furacão Vermelho e Branco, da Viradouro Alex Ferro/Riotur Unidos da Tijuca, Pura Cadência A Unidos da Tijuca entra na Marquês de Sapucaí em 2026 com 262 ritmistas e 12 diretores. O mestre de bateria da escola há mais de 17 anos é o Casagrande, que comanda os ritmistas e dá a cadência ao grupo. Conhecida como o “reloginho” das baterias do Rio, a Pura Cadência é sinônimo de precisão técnica. Mestre Casagrande explica que o segredo está na regularidade e no respeito ao samba: “A gente ensaia há mais de oito meses o andamento métrico da bateria. A nossa é uma bateria clássica, que toca para a escola e em função do samba.” Um dos diferenciais está no tamanho do naipe de caixas: “Temos 105 caixeiros. É a única bateria com esse número. A caixa é o instrumento base, o que dá a regularidade.” As paradinhas seguem conceito musical bem definido: “A gente não faz bossa fora da melodia. Faz convenção musical dentro da leitura do samba, para que até o leigo entenda o que está sendo contado.” Rainha de bateria: Mileide Mihaile Mestre Casagrande, da Unidos da Tijuca, e seus ritmistas Eduardo Hollanda/Riotur Paraíso do Tuiuti, SuperSom A bateria da Paraíso do Tuiuti, com 256 integrantes, é carinhosamente apelidada de SuperSom. O mestre Marcão é quem comanda a festa do repique e tamborim há 6 anos na escola. No carnaval do ano passado, quando a azul e amarela de São Cristóvão levou para a Sapucaí o enredo "Quem tem medo de Xica Manicongo?", a bateria da agremiação conquistou três notas máximas e um 9.9, descartado. Rainha de bateria: Mayara Lima Ritmista da Paraiso do Tuiuti tocando uma caixa de guerra Tata Barreto/Riotur Swingueira de Noel, da Vila Isabel Referência ao compositor Noel Rosa, a Swingueira de Noel faz jus ao nome com uma batida leve, dançante e cheia de suingue, marca histórica da escola de Vila Isabel. Com 280 ritmistas, a bateria é comandada dede 2018 pelo mestre Macaco Branco. Rainha de bateria: Sabrina Sato Integrantes da Swingueira de Noel durante o desfile de 2025 Alex Ferro/Riotur Invocada, da Grande Rio A bateria da Grande Rio passou a ser conhecida como Invocada, em 2010, diante da ousadia na apresentação do grupo regido pelo Mestre Ciça. A bateria tem 3 Estandartes de Ouro e dois Tamborins de Ouro — outro prêmio não oficial da folia. Para o Carnaval 2026, a ala de repiques e as caixas vão ter maior destaque: são 270 ritmistas no comando do mestre Fafá. Rainha de bateria: Virginia Fonseca Mestre Fafá está à frente da bateria da Grande Rio Alex Ferro/Riotur Acadêmicos do Salgueiro, Furiosa O ritmo salgueirense é ditado pela Furiosa, a bateria da escola, que tem Xangô como orixá padroeiro. A Furiosa surgiu entre as décadas de 60 e 70, época em que o Mestre Bira de Xuxa, como era conhecido, comandava os ritmistas. Atualmente, os irmãos Guilherme e Gustavo comandam a bateria da escola. Para 2026, serão 200 ritmistas. Rainha de bateria: Viviane Araújo Integrantes da bateria do Salgueiro Tata Barreto/Riotur

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/02/11/soberana-tabajara-furiosa-swingueira-conheca-os-apelidos-das-baterias-das-escolas-do-grupo-especial-do-rio.ghtml


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