Sem Oscar para ‘O Agente Secreto’, público no Recife reage com gritos de ‘marmelada’ após anúncio dos vencedores; VÍDEO
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Sem Oscar para ‘O Agente Secreto’, público no Recife reage com gritos de ‘marmelada’
“O Agente Secreto” saiu do Oscar sem estatuetas. No Recife, o resultado provocou reação imediata do público que acompanhava a cerimônia no Cinema São Luiz, no Centro da cidade, e que gritou “marmelada” em protesto contra os vencedores anunciados (veja vídeo acima).
Com clima de carnaval, tapete vermelho e bonecos gigantes, o cinema, que também foi cenário de cenas do filme, se “vestiu de gala” para a transmissão da premiação. O público se reuniu no local para torcer pelo longa do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho.
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A assistente social Rosana França, de Olinda, não escondeu a tristeza após o fim da cerimônia e contou que não iria aceitar o resultado.
“Sem condições, poxa vida. Eu não estou entendendo até agora o que aconteceu. A gente se organizou para estar aqui. ‘O Agente Secreto’ foi o melhor. A gente se mobilizou e agora eu estou 'na mágoa'. É marmelada. A gente não vai aceitar isso porque a gente quer o nosso Oscar”, afirmou.
Mesmo sem estatuetas, houve quem preferiu celebrar as quatro indicações do longa. O filme concorreu nas categorias de melhor seleção de elenco, melhor filme internacional, melhor ator, com Wagner Moura, e melhor filme.
A bibliotecária Roseane Souza de Mendonça, do Recife, disse que as indicações já são motivo de orgulho para os pernambucanos.
"Não preciso de prêmio, a gente já ganhou. O filme está no Oscar, foi indicado, então o pernambucano faz festa por qualquer coisa. Wagner está lá, tem o molho, é nordestino, então a gente já ganhou", disse.
Roseane foi ao evento vestida “a caráter” com a camisa do bloco carnavalesco Pitombeira dos Quatro Cantos, a mesma usada por Wagner Moura no filme. A peça virou sucesso após o lançamento do longa e chegou a gerar fila de espera com pedidos de várias partes do país.
“A gente não basta só torcer. A gente tem que estar enfileirado, com a mesma roupa, porque é tudo Nordeste, é Brasil”, disse.
Exibição da cerimônia do Oscar aconteceu no Cinema São Luiz, no Recife, que também foi cenário de cenas de 'O Agente Secreto'.
Silla Cadengue/Divulgação
Cerimônia
A programação no Recife começou por volta das 18h30. Do lado de fora do cinema, um telão transmitiu a cerimônia, enquanto a exibição também ocorreu dentro da sala principal do São Luiz.
Também houve cortejo do bloco Pitombeira dos Quatro Cantos, banda de pífano e os bonecos gigantes de Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e Tânia Maria.
O evento também reuniu integrantes do elenco do filme, como Hermila Guedes, que interpreta Cláudia; Kaiony Venâncio, que vive o pistoleiro Vilmar; e Nivaldo Nascimento, intérprete de Lúcio, durante a exibição do prêmio.
Hermila Guedes disse que acompanhar a transmissão no Recife teve um significado especial para a trajetória dela no cinema.
“Eu como cria do cinema pernambucano, meus primeiros passos foi nesse cinema daqui de Pernambuco. É um misto de muita emoção, alegria, medo, nervosismo… mas que seja o primeiro de muitos”, afirmou a atriz.
Para Kaiony Venâncio, participar do elenco foi um marco na carreira.
“Fazer parte desse elenco foi um presente, eu agradeço a Kleber eternamente, porque esse elenco é diverso, tem todos os sotaques do Brasil, e eu estou feliz porque mudou a minha vida. Minha vida é antes e depois do Vilmar”, disse.
Já Nivaldo Nascimento destacou o momento como uma celebração da produção artística do Nordeste.
“É o momento que a gente pode celebrar a arte acima de tudo, o talento nordestino. Essa afirmação de que o talento pernambucano existe, pro mundo ver que nós somos celeiro de talentos e a felicidade é muito grande por causa disso porque não é só o Brasil que vai conhecer o Nordeste, agora é o mundo”, contou.
A governadora Raquel Lyra (PSD) também participou do evento, ao lado da vice Priscila Krause. Ela ressaltou o orgulho do estado pela produção do filme.
“É muito bom a gente poder celebrar os nossos atores, os nossos cineastas, mas também todos aqueles que trabalharam para garantir que essa produção pudesse ser feita. Inclusive, aqui durante as obras, paramos as obras para permitir que o cinema também pudesse ser palco do filme que hoje representa não só Pernambuco, mas o nordeste e o Brasil”, disse a governadora.
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