Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo'

  • 16/07/2026
(Foto: Reprodução)
Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos indicou que a motivação da medida é política. Nas redes sociais, Marco Rubio diz que as políticas econômicas do governo de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros". Em publicação nas redes sociais, Rubio disse que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio elevou o tom ao afirmar que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Segundo a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. Ameaça de novas medidas em caso de retaliação O representante do USTR também afirmou que Washington continua disposto a negociar, mas indicou que eventuais medidas de retaliação por parte do Brasil poderiam provocar novas respostas dos Estados Unidos. "Continuamos abertos ao diálogo. Creio que, se houver retaliação, seremos solicitados a possivelmente modificar nossa ação para contrapor essa retaliação", disse. Apesar do alerta, ele afirmou que não espera uma resposta comercial do governo brasileiro. "Não prevejo retaliação. Se o Brasil optar por isso, provavelmente haverá novas medidas da nossa parte." Governo dos EUA diz que foco são práticas comerciais Questionado sobre o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral com o Brasil, o representante do USTR disse que esse aspecto não foi central para a investigação. Segundo ele, o foco esteve em temas considerados problemáticos pelos americanos, como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e regras aplicadas a serviços digitais. "Quanto ao superávit relacionado à nossa relação comercial, para ser sincero, se resolvêssemos essas outras questões, provavelmente teríamos um superávit maior com o Brasil", afirmou. Etanol e PIX seguem entre os principais pontos de atrito A autoridade americana também detalhou quais mudanças Washington espera ver do lado brasileiro. Um dos temas destacados foi o acesso de produtores americanos ao mercado de etanol. Segundo o representante, os EUA defendem tratamento equivalente ao concedido pelo Brasil a outros parceiros comerciais. "Eles possuem acordos tarifários preferenciais com a Índia e o México, e gostaríamos de ter esse mesmo tipo de acesso", afirmou. Sobre o PIX, um dos pontos mais sensíveis da disputa, o governo americano negou que esteja pedindo o fim do sistema de pagamentos brasileiro. A posição oficial é que empresas americanas do setor financeiro não sejam prejudicadas ou submetidas a condições consideradas desiguais. "Queremos que o PIX concorra com as empresas americanas em pé de igualdade comercial", disse a autoridade. O USTR confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. Apesar da nova sobretaxa, uma ampla lista de produtos ficou isenta, incluindo itens relevantes da pauta exportadora brasileira, como petróleo, café, carne bovina, celulose e aeronaves. LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/16/rubio-acusa-lula-de-nao-negociar-tarifas.ghtml


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