Rei Momo por sete vezes usa palco para combater preconceito no Acre: 'Tem que ter respeito'

  • 28/06/2026
(Foto: Reprodução)
Orgulho LGBT+: Rei Momo por sete vezes usa palco para combater preconceito no Acre Sete vezes escolhido Rei Momo do Carnaval de Rio Branco, com um bicampeonato em 2025 e 2026. Assim pode ser resumida a trajetória do servidor público Everaldo Nunes de Lima Junior, conhecido como Junior de Mônaco, de 35 anos, no mundo da folia. Contudo, ele, enquanto abertamente homossexual, diz ir muito além disso, transformando os títulos em uma plataforma de representatividade. Ao g1, Mônaco conta que a relação com o mundo carnavalesco começou por incentivo da amiga Nathy Lima, primeira Rainha Trans do Carnaval da capital acreana, e que faleceu em dezembro do ano passado. Segundo ele, até então, nunca havia frequentado. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp “Em 2013, a Nathy que insistiu para que eu me inscrevesse no concurso. Foi ela quem fez minha roupa e me levou para a inscrição. Eu não queria porque tinha muita vergonha, foi aí que comecei a gostar do Carnaval", relata. A estreia marcou o primeiro título de Rei Momo. Desde então, o carnaval passou a fazer parte de sua rotina. Mônaco também foi coroado em 2014, 2018, 2023, 2024, 2025 e neste ano. Apesar da visibilidade conquistada com as vitórias, a majestade do Carnaval conta ter enfrentado episódios de preconceito ao longo da vida por ser um homem gay e gordo. Segundo ele, algumas situações ocorreram no cotidiano e continuam acontecendo mesmo após se tornar uma figura conhecida. Junior de Mônaco começou na folia em 2013, por incentivo de Nathy Lima, primeira Rainha Trans do carnaval e falecida em 2024 Arquivo pessoal LEIS MAIS: Trabalhadores LGBTQIA+ no Brasil enfrentam mais desemprego e informalidade do que população em geral, diz Banco Mundial Rei Momo e Rainha do Carnaval 2026 são escolhidos na primeira noite de folia em Rio Branco Rio Branco escolhe realeza na primeira noite do Carnaval 2024 Orgulho LGBT+: parada é adiada para maio de 2026 no Acre Uma das lembranças que mais o marcou aconteceu quando utilizava transporte coletivo. "Na época, por causa do peso, eu precisava entrar pela porta da frente do ônibus porque não conseguia passar pela roleta. Essa foi uma situação constrangedora que nunca esqueci", relembra Junior de Mônaco e Luiza Souza durante a coroação da Realeza do Carnaval 2026 Walace Gomes/g1 Além disso, Mônaco explica que ainda hoje é alvo de comentários ofensivos sobre o corpo. "Já me chamaram de baleia, de gordão. Isso acontece até hoje. As pessoas acreditam que é apenas uma brincadeira, mas ignoram o impacto que as palavras podem causar", lamenta. Ainda conforme ele, com o amadurecimento, aprendeu a reagir de outra forma às ofensas. Se antes discutia, chorava e ficava revoltado, hoje prefere não alimentar conflitos, embora admita que o preconceito ainda o machuque. “Antigamente eu ia para o debate, chorava e ficava revoltado, mas as pessoas têm que ter respeito. Muitas vezes elas tiram a vida por causa disso. Eu já vi amigos meus fazerem isso por conta dessas brincadeiras. As pessoas precisam parar porque isso vai nos matando aos poucos”, alerta. Junior de Mônaco foi bicampeão consecutivo no concurso de Rei Momo de Rio Branco 👑 Espaço de acolhimento Para Junior, o Carnaval é um dos poucos espaços onde sempre se sentiu verdadeiramente acolhido. Segundo ele, a festa reúne a celebração de um ambiente de liberdade. "Quando subo no palco eu vivo todas as emoções possíveis. Acredito que o Carnaval é muito livre porque acolhe a todos", avalia. Ele acredita que essa característica explica o carinho que desenvolveu pela festa desde a primeira participação e também o desejo de permanecer contribuindo com a cultura popular do estado. Segundo ele, cada título representa meses de dedicação, noites sem dormir e orgulho. "Todo ano tem gente que diz: ‘de novo esse Rei Momo?’. Eu rebato algumas coisas porque acho válido, mas sei que isso faz parte e também é essa maturidade que hoje eu sou grato. Já não ligo mais para debater com ninguém", declara. Servidor conta que, com o amadurecimento, aprendeu a reagir de outra forma às ofensas Arquivo pessoal Autocuidado e futuro Sem abandonar o Carnaval de Rio Branco, ele pretende investir cada vez mais na saúde. Atualmente, faz acompanhamento médico, pratica atividade física e busca reduzir o peso. Caso alcance a meta estabelecida, pretende disputar outros concursos ligados à folia. "Se eu chegar ao corpo que quero, penso em disputar a Rainha Gay. Mas, esse é um plano para o futuro. Eu digo para as pessoas sonharem e não desistirem. O preconceito vai ser muito grande, mas se elas quiserem mesmo, corram atrás que no final dá tudo certo", pontua. Evangélico, Junior diz que nunca escondeu sua religiosidade e que muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que ele frequenta uma igreja evangélica sendo um homem gay. "As pessoas estranham, mas essa é a minha fé", pondera. Segundo ele, a escolha religiosa nunca o impediu de respeitar outras crenças. "Quem é da umbanda, do candomblé ou de qualquer outra religião merece respeito. Tenho amigos de todas as crenças e não tenho preconceito com ninguém", acrescenta. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/06/28/rei-momo-por-sete-vezes-usa-palco-para-combater-preconceito-no-acre-tem-que-ter-respeito.ghtml


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