Quem eram Carla Vendramin e Silvia Geraldi, pesquisadoras homenageadas em defesa póstuma inédita na Unicamp

  • 30/08/2026
(Foto: Reprodução)
Aluna e orientadora morrem antes de banca e Unicamp tem 1ª defesa póstuma de doutorado A defesa póstuma inédita realizada pela Unicamp na segunda-feira (24) transformou uma tese em homenagem ao encontro de duas pesquisadoras que se cruzaram pela dança e pela universidade. A tese "Compostagem como prática performativa: processos imersivos em dança e permacultura" foi desenvolvida por Carla Vendramin e Silvia Geraldi, que morreram antes da banca. Vendramin morreu em janeiro de 2024, em Porto Alegre (RS), aos 51 anos, em decorrência de um incêndio. Já Geraldi faleceu em julho de 2025, em Campinas (SP), aos 61 anos, por conta de uma doença congênita. As duas pesquisadoras integravam o grupo "Prática como Pesquisa", no qual o corpo e a experiência artística eram considerados centrais para a produção de conhecimento. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Carla Vendramin (à esquerda) e Silvia Geraldi (à direita): responsáveis pela pesquisa Redes sociais Para a professora Marisa Martins Lambert, que assumiu a condução da defesa após a morte de Silvia, as duas compartilhavam uma preocupação comum: pensar respostas para questões sociais, ambientais e políticas por meio da arte. "São pessoas que estão pensando futuros para os nossos contextos políticos, ambientais e sociais", afirmou a professora em entrevista ao g1. "O trabalho traz a ideia da compostagem, dessa reciclagem contínua. E nós voltamos para a terra e a terra gera as novas sementes", refletiu Lambert. Carla Vendramin Artista, pesquisadora e professora Carla Vendramin Redes sociais Natural de Caxias do Sul (RS), Carla Vendramin era artista, pesquisadora e professora vinculada ao curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também possuía mestrado em Coreografia pela Middlesex University, em Londres. Ao longo da carreira, desenvolveu trabalhos voltados à dança, educação, acessibilidade e práticas corporais. Entre 2005 e 2010, participou de projetos educacionais da companhia britânica Candoco Dance Company, reconhecida internacionalmente por integrar artistas com e sem deficiência. Também colaborou com iniciativas em Portugal, Inglaterra e Itália voltadas à inclusão por meio da dança. Na UFRGS, coordenou o projeto de extensão "Diversos Corpos Dançantes" e se dedicou ao estudo de práticas de dança para grupos com diferentes habilidades. Nos últimos anos, concentrou sua pesquisa na relação entre dança, permacultura, agrofloresta e meio ambiente. Sua tese investigou como práticas ecológicas podem dialogar com processos artísticos e educacionais contemporâneos. Para Lambert, Carla "conseguiu abrir novas portas de saber sem uma preocupação do que isso resultaria para ela, mas pela própria pesquisa em si", mobilizando temas considerados fundamentais para os desafios atuais. Segundo a professora, uma das principais contribuições de Carla Vendramin foi propor uma visão em que corpo e natureza não aparecem como elementos separados. "Nós somos o ambiente, nós somos parte, nós somos terra", resumiu. Silvia Geraldi Artista, educadora e pesquisadora Silvia Geraldi Reprodução/Unicamp Professora do Instituto de Artes da Unicamp, Silvia Maria Geraldi foi considerada por colegas uma das figuras mais importantes da dança contemporânea brasileira. Artista, educadora e pesquisadora, morreu aos 61 anos, em julho de 2025. Sua formação acadêmica foi construída integralmente na Unicamp. Graduou-se em Ciência da Computação, fez mestrado em Educação, doutorado em Artes e pós-doutorado em Artes da Cena. Posteriormente tornou-se livre-docente do Departamento de Artes Corporais. Silvia atuava na graduação em Dança e no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena. Entre 2017 e 2021, coordenou o programa e participou do processo que levou o curso ao conceito 6 da Capes, nível considerado de excelência acadêmica. Pesquisava temas ligados à corporeidade, estudos somáticos, dramaturgia, improvisação, processos de criação e feminismos na dança. Também liderava o grupo de pesquisa "Prática como Pesquisa", dedicado à produção de conhecimento a partir da experiência artística e corporal. Além da carreira acadêmica, dançou em grupos importantes da cena contemporânea brasileira, integrou a Companhia de Danças de Diadema e fundou, em 2000, a Silvia Geraldi Cia de Dança, voltada à criação em dança contemporânea. Foi Silvia quem iniciou o processo para que a tese de Carla pudesse chegar à banca mesmo após a morte da aluna. Segundo Marisa Lambert, a orientadora considerava fundamental que o trabalho fosse disponibilizado à comunidade acadêmica e publicado para alcançar outros pesquisadores. "Ela imediatamente desejou que esse trabalho pudesse ser colocado no repositório da Unicamp e eventualmente publicado e disseminado", afirmou Lambert. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/30/quem-eram-carla-vendramin-e-silvia-geraldi-pesquisadoras-homenageadas-em-defesa-postuma-inedita-na-unicamp.ghtml


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