População forma filas para comprar água após ameaças de facção contra comerciantes locais no interior do Ceará
31/10/2026
(Foto: Reprodução) População forma filas para comprar água após ameaças de facção contra comerciantes no CE
A população de Banabuiú, cidade no Sertão Central do Ceará, tem formado filas para a compra de água mineral aproximadamente duas semanas depois que comerciantes receberam ameaças atribuídas a uma facção criminosa. Por medo diante da situação, o comércio local deixou de vender água em garrafões.
Com isso, a distribuição de água na cidade passou a contar com o apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) nesta sexta-feira (30). A população começou a buscar os garrafões com este novo sistema na manhã deste sábado (31).
✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o procedimento possibilita o comércio dos distribuidores de água de forma segura.
“A Cagece realiza a coleta dos garrafões com água nos fornecedores e os transporta até o município de Banabuiú, onde estão sendo comercializados. Essa logística conta com o aporte das Forças de Segurança para que essa comercialização seja feita com tranquilidade”, diz a pasta, em nota.
Três pessoas presas
No dia 22 de outubro, três pessoas foram presas por suspeita de ameaçar e extorquir comerciantes da cidade em nome de uma organização criminosa. A facção chegou a publicar mensagens intituladas de "edital" com ordens para os comerciantes. Uma escola municipal suspendeu as aulas em decorrência da situação.
Conforme a investigação, as mensagens de extorsão, sob nome "Edital Banabuiú", começaram a circular no dia 19 de outubro. A ação criminosa foi ordenada pela facção carioca Comando Vermelho (CV) e estava assinada pela "Diretoria de Banabuiú".
No texto, os criminosos condicionaram a comercialização e a distribuição de água no município à “autorização” da facção. Eles afirmaram que aqueles que descumprissem as ordenas “sofreriam as consequências”. Há relatos de cobranças de R$ 750 semanais para estabelecimentos.
Por causa da situação, uma escola municipal chegou a suspender as aulas no dia 21 de outubro por falta de abastecimento de água.
Os três são suspeitos de cometer o crime de domínio social estruturado. Eles foram identificados como:
Cícero Kevin Gomes Farias, com antecedentes por tráfico de drogas e réu em ação penal por associação para o tráfico; é apontado como agiota e "integrante de destaque" do Comando Vermelho na cidade;
Francisco das Chagas de Lima da Silva, vulgo “Chico Motos”, com antecedentes por tráfico de drogas e receptação; também atuava como agiota e usava a estrutura da facção para cobrar as dívidas;
Carlos Fernando da Silva Andrade, condenado por tentativa de homicídio, crime pelo qual está cumprindo pena em regime semiaberto, e diversos atos infracionais análogos aos crimes de tráfico de drogas, receptação, posse de arma de fogo e homicídio qualificado; apontado como responsável pelo recebimento dos valores arrecadados em benefício da organização criminosa.
Conforme a SSPDS, os agentes apreenderam, com os investigados, seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro. As investigações continuam em trabalho em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Policiamento e fornecimento de água
População forma filas para comprar água após ameaças de facção contra comerciantes locais no interior do Ceará
Reprodução/Rádio MEGA+FM
A pasta também afirmou que a segurança tem sido reforçada com viaturas do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática (FT) e do Motopatrulhamento, além da intensificação do patrulhamento na região.
A polícia também acompanha o trabalho da Cagece para a nova logística de distribuição de água. Ao g1, o prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho, relatou que a polícia segue investigando o caso e tem mais mandados de prisão em aberto. No entanto, os comerciantes preferiram não se expor a riscos e decidiram parar de vender os garrafões de água mineral.
“Já está cheio de polícia na rua, está cheio de investigadores, mas [os comerciantes] não estão se sentindo seguros ao ponto de voltarem a vender”, disse o prefeito.
Ainda de acordo com Marcílio, a distribuição de água com apoio da Cagece e com escolta de policiais será realizada diariamente, a partir da próxima terça-feira (3), enquanto houver problemas de comercialização na cidade e a situação seja considerada normalizada.
A distribuição conta com mil garrafões por dia, com o material retirado de uma fonte de água mineral e transportado em veículos da Cagece.
“Eu torço muito, espero que isso seja resolvido o mais breve possível. As forças de segurança estão na cidade, tem uma condição policial, ostensiva, investigativa muito considerável na cidade”, concluiu o prefeito.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: