'Poder à Prova': alta do custo de vida é uma das principais preocupações do eleitor americano

  • 31/10/2026
(Foto: Reprodução)
Eleição americana: custo de vida é uma das maiores preocupações A alta do custo de vida é uma das principais preocupações do eleitor americano e pode levar Donald Trump a perder a maioria na Câmara dos Deputados. Para tentar evitar uma derrota, o partido dele mudou as regras eleitorais em vários estados. É o que mostram os nossos correspondentes no quarto episódio da série especial do Jornal Nacional. Este é o estilo texano de fazer churrasco: são horas e horas da carne cozinhando. Ela termina quase desmanchando. Por lá, o corte mais tradicional é o brisket. Para nós, no Brasil, o peito do boi. Mas não era o brisket que estava sendo anunciado no cartaz de uma churrascaria. Era a bochecha de boi. Nilson Klava, correspondente: Vocês têm brisket? Vendedor: Não temos. Nilson Klava: Por quê? Vendedor: Porque ficou caro demais. Então, a gente passou a trabalhar com outras carnes. Não foi uma decisão fácil para o Andrew, que comanda o negócio. “O brisket é o item mais popular do churrasco texano. Então, é um pouco estranho, sabe? Só que essa carne nunca esteve tão cara. Já foi metade do que está agora”, diz Andrew. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Tudo impacta. Tarifas, o preço do combustível e tem o rebanho nos Estados Unidos que vem encolhendo e diminuindo a oferta. E os problemas não param por aí. “Esta semana, a gente não recebeu a encomenda das outras carnes porque uma das fábricas sofreu uma batida da polícia de imigração, o ICE. Aí eles nos avisaram que a fábrica foi fechada”, conta Andrew. Cerca de 7,5 milhões de imigrantes ilegais trabalham nos Estados Unidos. Em alguns setores, como construção e agricultura, eles são mais de 10% da força de trabalho. Por isso, a crise migratória também impacta a economia. No balcão do Milton, também é o preço das coisas que domina o debate. "Neste momento, as coisas estão difíceis. Eu votei no Trump na última eleição e não estou feliz com esse governo agora”, diz Milton. “Precisamos acabar com essa guerra no Irã”, afirma Joseph. Alta do custo de vida é uma das principais preocupações do eleitor americano Jornal Nacional/ Reprodução Assim como o Joseph, a maioria dos americanos considera a guerra um erro. É que eles estão sentindo os efeitos dela ao pagar pela gasolina e pelo diesel, que encareceram muito desde o início da guerra no Irã. A gasolina subiu 34% em 12 meses. O diesel, quase 70%. A energia se tornou a grande vilã da inflação. Mas não é só ela. “Não é um problema que começou agora. Agora, o Trump, como sempre, fez muita coisa para piorar. Entre elas, evidentemente, as tarifas, que encareceram muitas coisas. A campanha dele contra imigrantes, que em certas áreas aumentou muito o custo do trabalho. E, em terceiro lugar, um déficit muito grande”, explica José Scheinkman, economista e professor da Universidade de Columbia. Lembra da Daisy, que nós mostramos no episódio anterior? Ela já teve quatro sorveteria. Restou uma aberta. “Os números simplesmente não estão fechando”, afirma Daisy. Uma pesquisa de outubro mostrou que 73% dos americanos estão muito preocupados com o preço da comida e de itens do dia a dia. Quase 30% não conseguem pagar todas as contas. Na pequena cidade de Perry, em Iowa, quando as contas não fecham, os moradores batem em uma porta: é uma despensa comunitária. A Amanda tem dois filhos e começou a contar com a ajuda desses voluntários. “É que tudo está muito caro agora: aluguel, contas de luz e água, gasolina, até atendimento médico”, diz Amanda. O bolso do americano foi decisivo para a eleição de Trump e, agora, pode ser decisivo para tirar a maioria dele no Congresso. É isso que o presidente tenta evitar. “O que a gente está vendo como parte das ações de Trump são tentativas de modificar as regras eleitorais ou modificar uma parte delas, pelo menos, para amenizar o tamanho da derrota ou, às vezes, até evitá-la”, diz Cesar Zucco, professor de Relações Internacionais da Universidade de Columbia. Nos Estados Unidos, o voto para a Câmara dos Deputados é distrital. Os estados são divididos em vários distritos e cada um elege um parlamentar. Trump apostou na mudança desses distritos. Para entender melhor, vamos voltar à Daisy e o bairro onde ela mora. Imagine que ele fosse dividido em dois distritos, com seis quarteirões cada. Agora, imagine que, desses seis, quatro seriam de maioria democrata e dois, de maioria republicana. Se a linha for traçada assim, cada distrito fica com dois democratas e um republicano. Resultado: democratas teriam dois deputados eleitos. Os republicanos, zero. Mas agora olha o que acontece se a linha mudar de lugar. De um lado, temos três quarteirões democratas. Do outro, dois republicanos e só um democrata. Os eleitores são os mesmos. Mas, agora, o placar é um a um. Essa mudança nas linhas para favorecer um partido tem nome: “gerrymandering”. “Só mudando o mapa, você muda o resultado da eleição. Não é o governo federal que desenha os mapas. São governos estaduais. Mas os governos estaduais alinhados com Trump foram muito agressivos no redesenho”, afirma Cesar Zucco. Nos Estados Unidos, o voto para a Câmara dos Deputados é distrital. Os estados são divididos em vários distritos e cada um elege um parlamentar. Jornal Nacional/ Reprodução O partido de Trump conseguiu aprovar o redesenho dos mapas em sete estados, entre eles o Texas. Os democratas responderam e fizeram o mesmo na Califórnia. “Cada ciclo que muda, a gente tem cada vez menos disputas reais. Cada vez mais, a gente já sabe quem são os vencedores dos distritos antes da eleição. Então, essa é a grande mudança”, afirma Mauricio Moura, economista e professor da Universidade George Washington. Das 435 vagas para a Câmara, só haverá competição mesmo para cerca de 20. E são essas que vão determinar o resultado da eleição. “Pela matemática que a gente tem hoje, é altíssima a probabilidade de os democratas ganharem a Câmara”, diz Mauricio Moura. É que não há desenho no mapa que mude um fato: os preços estão mais altos e eles podem colocar o poder do presidente à prova. No fundo, o que todos querem é uma vida melhor. É a promessa do sonho americano. O da Amanda está na despensa comunitária. “O que eu espero é que eu não precise mais dessa ajuda e que eu possa estar aqui como voluntária”, diz Amanda. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM ‘Poder à Prova’: JN vai ao Texas para mostrar como a imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano Democratas querem aproveitar desgaste de Trump para conseguir maioria na Câmara e no Senado Jornal Nacional viaja por estados que serão decisivos na eleição do novo Congresso americano Eleições de meio de mandato nos EUA: quando serão as midterms?

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/10/31/poder-a-prova-alta-do-custo-de-vida-e-uma-das-principais-preocupacoes-do-eleitor-americano.ghtml


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