Pinça gigante, compressa cirúrgica, gaze: veja casos de objetos esquecidos dentro do corpo de pacientes no Brasil
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Veja casos de itens esquecidos dentro do corpo de pacientes no Brasil
Uma pinça de 14 centímetros esquecida dentro de um idoso. Uma compressa que viveu cinco anos dentro do abdômen de uma mulher. Uma gaze que “passeou” silenciosamente pelo corpo de um homem durante um ano.
O Fantástico mostrou casos reais de materiais cirúrgicos esquecidos dentro do corpo de pacientes no Brasil (veja no vídeo acima). Segundo dados oficiais, mais de 500 cirurgias foram realizadas em hospitais brasileiros entre 2022 e 2025 só para retirar objetos deixados para trás durante outros procedimentos. Saiba mais abaixo.
Pinça cirúrgica de 14 cm
No interior de Minas Gerais, Manuel Cardoso passou por uma cirurgia de emergência para tratar uma úlcera gástrica. Dias depois, debilitado, foi submetido a uma tomografia para investigar suspeita de AVC.
A imagem revelou algo que ninguém imaginava: dentro do abdômen dele havia uma pinça inteira, do tamanho de um controle remoto pequeno.
Era um instrumento que simplesmente desapareceu na contagem do centro cirúrgico. Manuel foi operado novamente, mas não resistiu. Três dias após completar 68 anos, morreu.
Compressa cirúrgica “escondida” por 5 anos
A cabelereira Tatiane Freiras viveu um enredo médico de dor, frustração e descrédito. Após uma cesárea em 2020, ela relatava dores intensas que só pioravam. A cada consulta, um diagnóstico novo: inflamação, aderência, desconforto pós-parto…
Nada fazia sentido — até que, em 2024, uma ressonância revelou o inimaginável: uma compressa cirúrgica havia sido esquecida dentro de seu abdômen por cinco anos.
O objeto, que deveria ser detectado com facilidade (tem até um fio azul para aparecer em raio-X), permaneceu ali por meia década, enquanto Tatiane tentava “conviver com a dor”.
Gaze comum, que viveu um ano dentro do corpo
Após uma cirurgia simples para corrigir uma hérnia umbilical, Diogo voltou para casa achando que tudo estava bem. Mas a dor não passava. O inchaço não diminuía. E os médicos insistiam que era “normal”.
Um ano depois, em 2024, um ultrassom revelou o intruso: uma gaze cirúrgica estava alojada ali dentro, causando inflamação constante e sangramentos. Ele precisou de uma nova operação — só para retirar aquilo que nunca deveria ter ficado.
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Veja casos de itens esquecidos dentro do corpo de pacientes no Brasil
Reprodução/TV Globo
Levantamento e protocolos
Se um instrumento como uma pinça pôde ser esquecido dentro de um paciente, o que pode acontecer com objetos menores? Um levantamento da Universidade de São Paulo apontou que gazes e compressas são os objetos mais esquecidos durante cirurgias. Por isso, as usadas nos centros cirúrgicos são produzidas com um detalhe: um fio que aparece no raio-x.
"Você consegue chamar um raio-x na sala e isso aqui você consegue identificar no paciente”, afirma Fabiana Makdissi, cirurgiã oncológica do A.C. Camargo.
Existe um protocolo que as equipes médicas devem seguir nas cirurgias. Todo o material deve vir em uma caixa que deve chegar lacrada ao centro cirúrgico. Os itens devem ser contados antes do início da cirurgia, novamente antes do cirurgião suturar o paciente e uma outra vez ao final do procedimento. O número de itens que entra na sala precisa ser igual ao que sai.
O protocolo de cirurgia segura foi criado pela Organização Mundial da Saúde em 2009 e serviu de modelo para o protocolo adotado no Brasil a partir de 2013. Muitas das práticas sugeridas nesses documentos foram baseadas em conhecimentos de uma outra área, onde é preciso checar, rechecar e checar novamente todas as informações em nome da segurança: a aviação.
"Começou a se estudar o que foi feito na aviação para chegar no grau de segurança que eles têm hoje. Uma das coisas que mais se fazia era aplicação de checklists, com itens para você checar para não ter que depender da memória e da atenção”, explica Lucas Zambon, diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.
"O mais importante de tudo isso são todas as etapas que antecedem esse processo. Todo esse treinamento para que as coisas aconteçam da melhor forma possível”, afirma Fabiana Makdissi.
O levantamento da USP sobre objetos esquecidos em cirurgias, feito com 2.872 cirurgiões do país, trouxe um alerta:
43% deles afirmaram que já esqueceram algo em alguma cirurgia;
73% disseram que já operaram algum paciente uma ou mais vezes para retirada de um corpo estranho.
"É uma falha que não pode acontecer sob hipótese alguma”, afirma Mauro de Britto Ribeiro, diretor do Conselho Federal de Medicina.
73% dos cirurgiões dizem que já operaram algum paciente para retirada de um corpo estranho, aponta levantamento da USP
Fantástico/ Reprodução
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Uma situação preocupante em hospitais pelo Brasil: pacientes que ficaram com algum tipo de material cirúrgico dentro do corpo
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