PF contabiliza R$ 5 milhões em dinheiro e 11 relógios de luxo em operação no Porto do Rio
29/04/2026
(Foto: Reprodução) PF, Receita e MPF miram pagamento de propina para liberar cargas no Porto do Rio
A Polícia Federal contabilizou o dinheiro apreendido na terça-feira (28) na casa de auditores fiscais da Receita Federal alvos da Operação Mare Liberum, deflagrada nesta terça-feira (28). Os valores em espécie, divididos entre reais, dólares, euros e libras, totalizaram R$ 5.093,859 milhões.
Além do dinheiro, ainda foram apreendidos 54 telefones celulares, 17 veículos e 11 relógios de luxo.
Na casa de um despachante, foram achadas 54 garrafas de vinho avaliadas em R$ 700 cada.
Um analista da Receita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma.
Propinas
A Operação Mare Liberum investiga um esquema de propinas no Porto do Rio de Janeiro. Estima-se um prejuízo de meio bilhão de reais aos cofres públicos com a liberação irregular de contêineres.
A investigação da Polícia Federal identificou 17 mil declarações de importação “potencialmente contaminadas” por irregularidades, correspondendo a cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias no período de julho de 2021 a março de 2026.
O que foi apreendido
Dinheiro (Reais): R$ 1.517.750,00
Dinheiro (Dólar): US$ 467.753,00
Dinheiro (Euro): 50.265,00 EUR
Dinheiro (Libras): 140,00 GBP
Celulares: 54
Veículos: 17
Relógios de luxo: 11
Passaportes: 17
Armas: 1 revólver
Munições: 10 (calibre .38)
O dinheiro estava na casa de auditores em Copacabana, Lagoa, Barra da Tijuca e em Niterói, na Região Metropolitana.
Dinheiro apreendido na casa de uma auditora na Barra da Tijuca que totalizou R$ 2.078.800,00
Divulgação/ Polícia Federal
A operação
A operação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal teve início na manhã desta terça-feira (28) quando equipes saíram da Superintendência da PF, na Praça Mauá, e do prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio para cumprir 45 mandados de busca e apreensão contra importadores, despachantes e servidores públicos.
Policiais federais, equipes da Corregedoria da Receita e procuradores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foram para endereços na capital e nas cidades de Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES). Entre os locais está a alfândega do Porto do Rio.
A Justiça ainda determinou o afastamento dos cargos de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, além do sequestro de até R$ 102 milhões em bens dos envolvidos. Nove despachantes foram proibidos de exercer atividades no Porto do Rio.
Garrafas de vinho e dinheiro em espécie apreendidos na Operação Mare Liberum
Divulgação/PF
Contrabando e descaminho
A investigação começou, em fevereiro de 2022, com uma denúncia feita à Corregedoria da Receita sobre um esquema entre servidores da Alfândega do Porto, importadores e despachantes para a facilitação de contrabando e descaminho, em troca de propina.
As apurações indicaram o desembaraço de contêineres sem a devida fiscalização. Muitas vezes, as mercadorias liberadas não correspondiam às declarações de importação emitidas pelas empresas, ocasionando a supressão de tributos e prejuízo ao Erário.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato majorado, associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, descaminho, contrabando, facilitação de contrabando ou descaminho, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária, crimes funcionais contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.
Dólares apreendidos na Operação Mare Liberum na residência de um auditor da Receita em Niterói
Divulgação/PF
O que diz a PortosRio
“A Autoridade Portuária do Rio de Janeiro (PortosRio) informa que a operação realizada nesta data pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal, ocorre em áreas sob responsabilidade de órgãos federais instalados no Porto do Rio de Janeiro.
A Companhia esclarece que não é alvo da investigação e não possui qualquer relação com os fatos apurados, os quais dizem respeito exclusivamente a procedimentos conduzidos no âmbito da fiscalização aduaneira.
A Guarda Portuária da PortosRio acompanha a ação, prestando apoio no ordenamento e na segurança da área portuária, conforme suas atribuições institucionais.
A PortosRio reforça que colabora com as autoridades competentes e permanece à disposição para contribuir com o que for necessário.
A operação portuária segue normalmente, sem impactos nas atividades do Porto do Rio de Janeiro.”
Porto do Rio é alvo de operação da Polícia Federal
Reprodução/TV Globo