Notas sobre o álbum de Maria Bethânia

  • 07/11/2026
(Foto: Reprodução)
Maria Bethânia no palco da casa Vivo Rio em 17 de janeiro, primeiro dos dois dias de gravação ao vivo do show comemorativo dos 60 anos de carreira da cantora Rodrigo Goffredo ♫ CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÁLBUM DE MARIA BETHÂNIA ♬ Registro ao vivo do show comemorativo das seis décadas da trajetória de Maria Bethânia na música do Brasil, o álbum “60 anos de carreira” foi lançado ontem, sexta-feira, 6 de novembro com 46 músicas e textos encadeados em 38 faixas. A gravação ao vivo foi feita em duas apresentações da turnê na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 17 e 18 de janeiro, na casa Vivo Rio. A apresentação do dia 18 foi feita com o público na pista, potencializando o calor da plateia. ♫ “60 anos de carreira” é o primeiro álbum de Maria Bethânia em cinco anos, sucedendo “Noturno” (2021) na discografia de álbuns da cantora. Nunca Bethânia ficou tanto tempo sem lançar um álbum desde que iniciou a carreira fonográfica em 1965. Com o já assumido desinteresse imediato da artista por gravar álbum de estúdio, em razão das mutações do mercado fonográfico, a tendência é que os próximos lançamentos da cantora sejam singles avulsos. ♬ Se o álbum “Noturno” teve capa aquém da importância do disco, o álbum “60 anos de carreira” traz capa à altura do histórico de Maria Bethânia. A capa expõe a pintura “A descida do Corcovado ou Ogum”, apresentada em 1972 pelo artista plástico paulistano Flávio Império (1935 – 1985), cenógrafo de emblemáticos shows da artista nos anos 1970 e 1980. Ainda que paire sensação de déjà vu, já que a obra foi utilizada na capa do single “Vera Cruz” (2016), editado em janeiro, a capa do álbum “60 anos de carreira” é bonita, expressiva, dialoga com o show e tende a crescer em futura e provável (mas ainda não confirmada) edição em LP do álbum. Um LP que precisará ser duplo ou talvez até triplo para incluir todo o conteúdo do álbum, cuja duração é de 83 minutos. ♫ Se a edição em LP é por ora somente uma possibilidade, em data ou ano incerto, a edição do álbum no formato físico de CD duplo é fato já confirmado pela gravadora Biscoito Fino. A previsão é a de que a edição de CD esteja disponível para compra no site da gravadora e nas lojas ainda neste ano de 2026. ♬ A captação do show resulta calorosa, evidenciando o mix de sopros e percussões que caracterizam a sonoridade quente do espetáculo. Pedro Guedes e Thiago Gomes assinam a produção musical. Já a voz de Bethânia soa extremamente fiel ao canto ouvido no palco. Se houve retoques da voz de estúdio, prática recorrente na pós-produção de registros audiovisuais de shows, foram poucos e bem sutis. ♫ Na estreia nacional da turnê no Rio de Janeiro (RJ), em 6 de setembro, o show “60 anos de carreira” apresentou no roteiro cinco músicas inéditas. Quatro – o samba à moda baiana “Balangandã” (Paulo Dáfilin e Roque Ferreira, 2025), a canção “Palavras de Rita” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), o fado “Se não te vejo” (Pedro Abrunhosa) e o samba “Vera Cruz” (Xande de Pilares e Paulo César Pinheiro) – estão perpetuadas no álbum, com a ressalva de que o samba “Vera Cruz” já foi gravado por Bethânia em estúdio para single editado em 16 de janeiro. Infelizmente, a quinta música inédita, “Eu mais ela”, composição de Chico César, saiu do roteiro ao longo da turnê e sequer foi cantada nos dois dias da gravação do show. ♬ Até então inédita na voz de Maria Bethânia, a canção “Mares da Espanha” (1979) representou gesto de amor da cantora para Angela Ro Ro (1949 – 2025), compositora da música lançada no primeiro álbum da autora. Angela Ro Ro estava internada em estado grave quando Bethânia estreou o show e viria a falecer em 8 de setembro, dois dias após a estreia da turnê. O canto de “Mares da Espanha” e de “Gota de sangue” (1979) – outra música do antológico álbum de estreia de Ro Ro, mas esta já gravada por Bethânia no mesmo ano no álbum “Mel” (1979) – passou então a simbolizar homenagem póstuma da cantora à compositora que lhe deu a canção “Fogueira” (1983). Tributos à parte, “Mares da Espanha” sempre foi um dos momentos mais intensos do show “60 anos de carreira”. ♫ De tudo o que foi apresentado por Bethânia na gravação do show em 17 e 18 de janeiro, somente o texto “Eu não quero apenas ter visitado este mundo”, creditado a Dora Fischer Smith, ficou fora da edição do álbum “60 anos de carreira”. O texto era dito pela intérprete entre as músicas “A força que nunca seca” (Chico César e Vanessa da Mata, 1999) e “Rosa dos ventos” (Chico Buarque, 1970). ♬ “Este álbum se passa numa só noite. Levou 60 anos para ser feito. É festa”, poetiza Eucanaã Ferraz na abertura de “Ter o coração daquilo”, texto em um ato escrito por Eucanaã para apresentar à mídia e aos formadores de opinião o álbum “60 anos de carreira”. Capa do álbum '60 anos de carreira', de Maria Bethânia Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/11/07/notas-sobre-o-album-de-maria-bethania.ghtml


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