'Não é possível vencer a criminalidade focando exclusivamente no criminoso', diz promotor ao analisar dados da Segurança de Sergipe

  • 22/01/2026
Promotor analisa dados da Segurança Pública em Sergipe O promotor da controladoria da atividade policial, do Ministério Público de Sergipe, Rogério Ferreira, apresentou, nesta quinta-feira (22), uma análise sobre os dados divulgados das ações desenvolvidas em 2025 pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Durante entrevista aos jornalistas Priscilla Bitencourt e Leandro da Graça, no telejornal Bom Dia Sergipe, ele destacou que o combate ao crime deve focar em políticas públicas de educação e saúde, e não apenas na repressão. Apesar de Sergipe ter encerrado o ano de 2025 como o estado mais seguro do Nordeste e o nono do Brasil, de acordo com dados divulgados pela SSP, o promotor Rogério afirmou que os números isolados não refletem a complexidade da criminalidade e alertou para oscilações em indicadores sensíveis, como o feminicídio. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 SE no WhatsApp De acordo com o promotor, Sergipe registrou uma redução de 40% na taxa de feminicídios em 2024 (comparado a 2023), período em que as polícias solicitaram mais de 5.800 medidas protetivas ao Judiciário em favor das mulheres. No entanto, Ferreira apontou que os dados preliminares de 2025 indicam um novo crescimento nesta modalidade de crime. "O fenômeno do crime é multidisciplinar, sociológico e cultural. Precisamos de uma análise mais ampla do que simplesmente olhar para o número", afirmou o promotor. Ferreira estabelece uma distinção entre a atuação direta das polícias e a necessidade de intervenções estruturais do estado. Para ele, a política pública de segurança deve envolver áreas como educação, saúde, urbanismo, esporte lazer para evitar que jovens entrem na criminalidade. "Nós precisamos mudar o foco do combate à criminalidade da figura do criminoso para o crime. Não é possível vencer a criminalidade focando exclusivamente no criminoso", afirmou o promotor Rogério Ferreira. O promotor citou que o Brasil possui cerca de 710 mil presos para um déficit de 354 mil vagas, além de 340 mil mandados de prisão para serem cumpridos. O sistema não suporta. O sistema não cumpre sua função de ressocializar o preso", ressaltou. Saúde mental dos policiais Outro ponto destacado na análise do promotor da Controladoria da Atividade Policial, Rogério Ferreira é o esgotamento dos agentes de segurança de forma geral, em todo o país. Ele afirmou que o aumento no volume de apreensões de drogas, embora positivo sob o aspecto do trabalho policial, indica um crescimento da demanda criminal que sobrecarrega o efetivo. "O número de demandas recebidas pela segurança pública é superior à capacidade operacional e estrutural de dar respostas. Isso gera um adoecimento crônico", explicou o promotor Ele defende que o foco do estado não deve ser apenas o recorde de prisões ou apreensões, mas a entrega de ''paz pública, redução do medo e tranquilidade social’ e a preservação da saúde mental de quem atua na linha de frente. " Nós precisamos cuidar da saúde mental dos nossos policiais. O policial precisa deixar de acreditar que ele é o super-herói da sociedade, que ele vai resolver todos os problemas que encontra na rua. Essa máxima não é verdadeira. Segurança pública não é um assunto que esteja contido exclusivamente na pasta da segurança pública. Segurança pública é um assunto de saúde, de educação, de lazer e de segurança pública", finalizou.

FONTE: https://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2026/01/22/promotor-analisa-dados-da-seguranca-publica-em-sergipe.ghtml


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