MPF pede que voos panorâmicos de helicóptero no Rio se limitem a corredor aéreo sobre o mar
12/08/2026
(Foto: Reprodução) O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal uma série de medidas para reorganizar a operação de helicópteros comerciais no Rio de Janeiro após uma sequência de acidentes registrados neste ano – tendo como estopim a queda de uma aeronave de turismo na região da Vista Chinesa, que matou quatro pessoas, no último sábado (8).
A principal medida proposta é que helicópteros destinados ao transporte remunerado de passageiros, incluindo voos panorâmicos, utilizem prioritariamente a Rota Especial de Helicópteros Praia (REH Praia), corredor aéreo já existente sobre o mar entre a Barra da Tijuca e o Arpoador.
Segundo o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, autor da ação, a intenção não é proibir passeios turísticos ou outras operações comerciais, mas afastar o tráfego rotineiro de áreas densamente povoadas.
"O objetivo não é proibir os voos panorâmicos, mas fazer com que sejam realizados da forma mais segura possível e longe dos centros urbanos e das áreas mais ocupadas", afirmou.
Em abril, helicóptero fez pouso forçado na Praia da Barra
Reprodução/TV Globo
De acordo com o procurador, a rota marítima mantém as aeronaves a cerca de 600 metros da faixa de areia e reduz a exposição de moradores aos riscos de acidentes. Ele destacou que, entre os acidentes recentes analisados pelo MPF, o único sem mortos foi um pouso forçado ocorrido sobre o mar.
A proposta prevê exceções para operações de:
segurança pública;
defesa civil;
salvamento;
transporte aeromédico;
serviços públicos;
cobertura jornalística.
Também não se aplica aos trechos necessários para pousos e decolagens em heliportos localizados na cidade.
Questionado sobre voos de táxi aéreo entre bairros da Zona Oeste e o Aeroporto Santos Dumont, Suiama afirmou que a intenção é que a rota marítima seja a via preferencial para os deslocamentos comerciais, respeitadas as exceções previstas.
'Jogo de empurra'
O procurador afirmou que houve diálogo com órgãos responsáveis pelo setor, mas criticou o que classificou como um "jogo de empurra" entre instituições encarregadas da fiscalização.
Segundo ele, o MPF realizou audiências e reuniões com representantes da Aeronáutica, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Prefeitura do Rio.
Suiama afirmou que a investigação identificou falhas no acompanhamento da atividade e apontou crescimento expressivo do número de empresas que oferecem voos panorâmicos.
De acordo com ele, o setor passou de uma operadora há cerca de dez anos para mais de 15 atualmente, com alguns dias registrando mais de 100 voos.
Além da mudança de rota, a ação pede que o Decea intensifique a fiscalização das regras de operação dos helicópteros, que a Anac reforce a supervisão das empresas do setor, que o Inea reavalie condicionantes ambientais ligadas ao Aeroporto de Jacarepaguá e que o município amplie o monitoramento de impactos ambientais e de ruído.
O MPF também solicita que os órgãos apresentem, em até 90 dias, um plano conjunto para regulamentar e fiscalizar a atividade.
Queda na Vista Chinesa
Polícia investiga queda de helicóptero que matou 4 pessoas no Rio
Em outra frente, o MPF abriu um inquérito civil para apurar os danos ambientais provocados pela queda do helicóptero da empresa Voo Rio Panorâmico (VRP) na região da Vista Chinesa, dentro do Parque Nacional da Tijuca.
O acidente ocorreu no sábado (8), durante um voo panorâmico que havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá. Morreram o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas: Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17 anos.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Tragédia com família de colombianos: três morreram em queda de helicóptero: Rocio Cubillos (ao centro, de vestido),Wendy (à direita) e Sofia (à frente)
Reprodução redes sociais
Segundo o procurador, a investigação busca responsabilizar a empresa pelos danos causados ao parque. Ele afirmou que, nesse caso, a discussão não envolve culpa, mas a obrigação de reparar os prejuízos decorrentes do acidente.
"A empresa é automaticamente obrigada a reparar esse dano. E o dano foi muito grave, atingindo o Parque Nacional da Tijuca e uma área de conservação muito frequentada por moradores e visitantes", disse.
As causas da queda continuam sob investigação da Polícia Civil e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O MPF informou que espera uma manifestação rápida da 35ª Vara Federal sobre os pedidos apresentados na ação. Segundo Suiama, foi solicitada uma audiência para detalhar os fundamentos da proposta à Justiça.
🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.