MP apreende helicóptero de R$ 10 milhões em operação que investiga pirâmide financeira que teria movimentado mais de R$ 500 milhões
29/09/2026
(Foto: Reprodução) Helicóptero Robinson R66, avaliado em mais de R$ 10 milhões, foi localizado e apreendido pela Operação de Recuperação Patrimonial Sanakay.
Larissa Calderari/TV Globo
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) realiza, na manhã desta terça-feira (29), a Operação de Recuperação Patrimonial Sanakay, que tem o objetivo recuperar valores decorrentes de crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro atribuídos a um grupo que teria aplicado golpes de pirâmide financeira contra integrantes da própria comunidade.
Durante a ação, um helicóptero Robinson R66, avaliado em mais de R$ 10 milhões, foi localizado e apreendido. Segundo o Ministério Público, a aeronave pertencia a um integrante da organização investigada.
A operação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Recuperação Patrimonial (GAEPP), em conjunto com as Polícias Civil, por meio do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), e Militar, pelo 1º Batalhão de Choque.
Segundo o MPSP, os alvos da operação se associaram para simular investimentos em ouro, prometendo altos rendimentos por meio da compra do minério e de sua revenda internacional.
Como eram membros de uma comunidade étnica, os investigados teriam obtido permissão interna para anunciar e vender cotas do investimento aos próprios integrantes do grupo, que é relativamente fechado e numeroso no país.
Muitas vítimas, segundo o Ministério Público, se desfizeram de bens pessoais de valor para investir na promessa de retorno anunciada. A estimativa é de que mais de duas mil pessoas tenham sido vítimas do golpe ao longo dos anos.
Em vez de investir o dinheiro arrecadado na compra e venda de ouro, os investigados teriam usado os valores para adquirir bens de luxo e mantido parte do dinheiro aplicado para atrair novas vítimas.
Ao perceber que se tratava de uma fraude, integrantes da comunidade lesada passaram a cobrar a devolução dos valores investidos. Segundo o MPSP, os integrantes da organização não ressarciram as vítimas.
A estimativa é de que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões.
Bloqueio de R$ 162 milhões
A pedido do GAEPP, o Juízo de Direito da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores da Capital determinou, em 14 de agosto de 2026, pela segunda vez, o sequestro de mais R$ 162 milhões em bens e valores. Desta vez, a medida atingiu outros beneficiários finais dos crimes.
Nesta terça-feira, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão contra lideranças do grupo em São Paulo, em cidades da Grande São Paulo e no Rio de Janeiro.
Além do helicóptero Robinson R66, os bens apreendidos nesta etapa se juntam aos valores e patrimônios já atingidos por decisões anteriores.
Em abril de 2026, a pedido do MPSP, a Justiça também havia determinado medidas contra 137 pessoas físicas e 32 pessoas jurídicas investigadas. Na ocasião, foram alcançados, entre outros bens, 52 imóveis, além de outros veículos, saldos em contas bancárias e aplicações financeiras.