Morre uma das pacientes que contraíram HIV em órgãos contaminados no RJ
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Laboratório PCS Saleme, em Nova Iguaçu
Reprodução/TV Globo
Uma das pacientes que passaram a conviver com HIV após receber um transplante de órgão infectado no Rio de Janeiro morreu aos 64 anos. A causa da morte, ocorrida no último dia 18, ainda está sendo investigada.
A mulher era acompanhada pela Secretaria de Estado de Saúde desde a revelação do caso, em outubro de 2024, que está relacionado a falhas em exames laboratoriais da PCS LAB Saleme e resultou em seis pacientes infectados.
Entre fevereiro e abril de 2025, a Justiça do Rio realizou audiências para apurar o episódio, ouvindo os pacientes e testemunhas do Ministério Público.
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Falsos negativos
O caso veio à tona em 11 de outubro de 2024. Seis pacientes receberam órgãos infectados pelo vírus HIV após resultados falsos negativos emitidos pelo Laboratório PCS Saleme, com sede em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
As investigações apontaram que a empresa deixou de realizar alguns testes obrigatórios para reduzir custos.
O RJ2 teve acesso exclusivo aos laudos que indicavam que os órgãos dos doadores eram não reagentes para HIV, ou seja, que os testes não apontaram a presença do vírus.
Um dos documentos foi assinado por Walter Vieira, e o outro por Jaqueline Íris Bacellar de Assis.
O laboratório, que havia sido contratado sem licitação pela Fundação Saúde, foi interditado logo após a divulgação do caso.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os acusados “tinham plena ciência de que pacientes que recebem órgãos transplantados tomam imunossupressores para evitar a rejeição, e que a aquisição de qualquer doença em um organismo já fragilizado, principalmente HIV, seria devastadora."
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, o Laboratório PCS Saleme foi interditado e a sindicância interna apontou falhas em processos que já foram corrigidas.
Seis réus aguardam julgamento
Seis réus aguardam julgamento após pacientes receberem órgãos infectados
Reprodução/TV Globo
O julgamento do caso começou em fevereiro de 2025 na 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. Os seis réus são acusados de associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento particular.
São réus no processo os sócios do laboratório, Walter Vieira e Matheus Sales Teixeira Vieira — pai e filho —, além dos funcionários Jaqueline Íris Barcellar de Assis, Ivanilson Fernandes dos Santos, Cléber de Oliveira Santos e Adriana Vargas dos Anjos.
Todos chegaram a ser presos, mas cinco deles respondem ao processo em liberdade. Apenas Jacqueline está em prisão domiciliar.
Em julho do ano passado, o Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo do estado para garantir a indenização das vítimas.
Testes de HIV
Reprodução/TV Globo
Nota da Secretaria Estadual de Saúde
"A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) lamenta profundamente o falecimento da paciente, que aconteceu em 18/03, após internação em unidade especializada. Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência, era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria, que se solidariza com a família.
Em julho do ano passado, a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado. A SES-RJ reforça que seguirá oferecendo suporte psicológico aos familiares."