Mãe Loira do Funk: nova defesa pede revisão criminal e cita medida protetiva negada em 2010
25/09/2026
(Foto: Reprodução) Veronica Costa
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A nova defesa da ex-vereadora Veronica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, disse que vai protocolar nesta sexta-feira (25) um pedido de revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Presa na noite de quinta-feira (24), Veronica cumpre uma condenação de 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.
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Jeniffer Costa, filha de Vernica, também se manifestou nas redes sociais após a prisão da mãe e afirmou que ela poderia ter sido morta durante o período em que, segundo a família, sofria violência do então marido.
“Minha mãe poderia estar morta. Eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando no enterro dela. A minha mãe estava apanhando. Ele tinha apontado uma arma pra minha mãe. Ele tentou tirar a vida dela e ela foi atrás da polícia por ajuda. Se você olhar antes do abusador ter acusado a minha mãe, ela já tinha uma queixa contra ele”, disse.
Jeniffer Costa, filha de Veronica Costa, publica vídeo nas redes sociais em defesa da mãe
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Ela afirmou ainda que Veronica já havia procurado a polícia antes de ser acusada pelo ex-marido.
A defesa, agora comandada pela advogada criminalista Maíra Fernandes, sustenta que documentos anteriores ao episódio que levou à condenação precisam ser considerados na análise do caso. Entre eles, está um boletim de ocorrência registrado em 2010, no qual, segundo a defesa, Veronica relatou episódios de violência praticados pelo então marido.
De acordo com o documento apresentado pela advogada, Veronica afirmou à polícia que sofria agressões físicas e psicológicas e que era ameaçada com uma arma de fogo. Em um dos episódios relatados, o marido teria apontado uma arma para a cabeça dela e feito uma espécie de roleta-russa.
Procurada pelo g1, a defesa de Márcio Costa, representada pelo advogado Leandro Bessa, afirmou que o processo durou mais de uma década, que foram usados todos os recursos previstos em lei e que a condenação se baseou na comprovação de que ele foi submetido a um ritual de tortura com requintes de crueldade (veja a nota completa ao fim da reportagem).
A defesa também negou que Márcio Costa tenha cometido qualquer tipo de violência contra a ex-mulher.
"Ao contrário do que a advogada da suposta revisão criminal disse, esse fato já foi analisado e descredibilizado pela Justiça", disse Bessa.
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Medida protetiva negada
Segundo a defesa de Veronica, o boletim também registra a retirada de dinheiro que seria destinado à campanha eleitoral da ex-vereadora.
Na ocasião, a então vereadora procurou uma delegacia e pediu uma medida protetiva de urgência. Segundo os documentos que serão apresentados pela nova defesa, o pedido foi negado.
Em 11 de outubro de 2010, o Ministério Público opinou contra a concessão da medida protetiva, por entender que não havia comprovação da violência:
"Dessa forma, não vislumbro a possibilidade de concessão de qualquer das medidas protetivas previstas na legislação especial", disse a promotora Beatriz Leal de Oliveira na época.
A Justiça teve o mesmo entendimento no dia seguinte, destacando a ausência de testemunhas que tivessem presenciado os fatos.
"Ocorre que há nos autos apenas a versão da suposta ofendida e do suposto autor do fato, não havendo o depoimento de qualquer testemunha que pudesse ter presenciado os fatos alegados", disse o juiz Luis André Bruzzi Ribeiro, ao analisar o pedido no plantão judiciário.
"Deverá, portanto, a matéria ser analisada pelo juiz natural da causa, após a vinda aos autos de maiores informações a respeito do suposto crime narrado na documentação que acompanha o pedido”, acrescentou.
Defesa diz que contexto de violência foi desconsiderado
Ainda segundo a defesa, meses depois do registro, Veronica teria sido novamente agredida e roubada pelo ex-marido. Familiares a teriam encontrado machucada e em estado de desespero e, posteriormente, reagido contra Márcio.
A advogada Maíra Fernandes afirma que não considera a reação dos familiares uma forma adequada ou legítima de resolver o conflito.
Para ela, no entanto, o episódio precisa ser analisado levando em conta o histórico relatado por Veronica e a proteção que, segundo os documentos, ela buscou junto ao Estado antes dos fatos que resultaram na condenação.
“É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época”, afirmou a advogada.
A filha de Veronica Costa usou as redes sociais para fazer um apelo para que outras mulheres procurem ajuda.
"Mulheres, cuidado! Cuidado por vocês. Essa mensagem eu estou falando pra vocês porque eu sei que minha mãe sempre se preocupou muito com o próximo. A minha mãe não é uma bandida. A vítima está sendo presa", disse Jeniffer.
Verônica Costa e o ex, Márcio Costa
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O caso
O caso veio à tona em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa, então marido de Veronica, denunciou as agressões à Polícia Civil. A primeira condenação aconteceu em 2019.
No depoimento prestado à polícia, Márcio afirmou que foi amordaçado e amarrado na cama do próprio quarto e que a tortura durou 20 horas. O ex-marido contou ainda que parentes da empresária jogaram spray inseticida em seu rosto e derramaram gasolina pelo corpo, ameaçando queimá-lo vivo.
Em 2023, os desembargadores determinaram que a pena fosse cumprida inicialmente em regime fechado. Eles também mantiveram a perda do mandato de vereadora, conforme decisão proferida pela 16ª Vara Criminal em 2019.
Na mesma decisão, a Justiça também aumentou as penas de quatro parentes de Veronica que respondem ao processo.
Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica, foi condenado a 10 anos e 8 meses de prisão. Já Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da empresária; Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado da funkeira; e Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Veronica, receberam penas de 10 anos de reclusão.
Todos deveriam cumprir a pena inicialmente em regime fechado. Os recursos apresentados pelas defesas dos réus foram rejeitados pelos desembargadores.
Nota de defesa de Márcio Costa
"A assistência de acusação do processo em que houve a expedição do mandado de prisão, em razão do trânsito em julgado da sentença, tem a dizer o seguinte:
1) O processo tramitou por mais de uma década, tendo a apenada utilizado todos os recursos previstos em lei e sido assistida por excelentes profissionais sem que os fatos imputados no vídeo fossem comprovados em juízo.
2) Segundo a defesa técnica da apenada, durante toda a instrução processual e nos recursos interpostos nas instâncias superiores, a motivação do crime teria sido a suposta apropriação indébita de valores da campanha eleitoral da apenada, tanto que pretendiam fosse o processo julgado pela Justiça Eleitoral. Importante frisar que o Sr. Márcio nega está suposta apropriação.
3) Do conjunto de provas que sustenta a condenação, tanto nas instâncias ordinárias como nos tribunais superiores, o que restou como verdade objetiva foi a submissão do assistente de acusação a um covarde e degradante ritual de tortura, com requintes de crueldade, o que justificou a aplicação da pena acima do mínimo legal."
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