Justiça torna coronel réu por feminicídio e fraude processual; MP pede R$ 100 mil de indenização para família da esposa morta
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Veja o momento que tenente-coronel deixa condomínio com policiais no interior de SP
A Justiça aceitou denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e tornou nesta quarta-feira (18) o tenente‑coronel Geraldo Neto réu por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves, ocorrida em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, em São Paulo.
O Poder Judiciário ainda concordou com o pedido de prisão preventiva do oficial, que foi decretado.
A Promotoria pediu ainda que, em caso de condenação, a Justiça fixe indenização mínima de R$ 100 mil de Geraldo aos familiares da vítima. A acusação será julgada pelo Tribunal do Júri.
Na denúncia, o MP afirma que o oficial matou Gisele “por razões da condição do sexo feminino”, no contexto de violência doméstica, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa.
Segundo a peça, laudos, reprodução simulada e mensagens extraídas do celular do denunciado indicam que ele segurou a cabeça da vítima e efetuou um disparo de arma de uso restrito; na sequência, teria manipulado a cena para simular suicídio — colocando a arma na mão de Gisele, escondendo o estojo deflagrado e tomando banho para eliminar vestígios, conduta que embasa também a fraude processual.
Mais cedo, o Tribunal de Justiça Militar decretou a prisão preventiva do tenente‑coronel, para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a preservação da hierarquia e disciplina. A decisão autorizou a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil, além de determinar audiência de custódia.
A defesa nega o crime e questiona a competência da Justiça Militar; o MP, por sua vez, ofereceu a denúncia à Justiça comum, competente para crimes dolosos contra a vida.
O caso ocorre em meio a mudanças legais: em 2015, a Lei 13.104 incluiu o feminicídio como qualificadora do homicídio e o classificou como crime hediondo, aplicando pena de 12 a 30 anos (mesma faixa do homicídio qualificado). Em 2024, a Lei 14.994 transformou o feminicídio em crime autônomo no Código Penal, elevando a pena para 20 a 40 anos e estabelecendo tramitação prioritária nos processos.
Em declaração à imprensa, o secretário‑executivo da SSP, coronel Henguel Pereira, disse que este é o primeiro caso envolvendo um oficial da PM de SP preso por feminicídio desde 2015, quando o crime passou a existir juridicamente.
A equipe de reportagem tenta contato com a defesa.
Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves
Reprodução/TV Globo
Tenente-coronel Geraldo Neto é preso nesta manhã em São José dos Campos
Carros da Polícia Civil e da Corregedoria da PM foram até apartamento no interior de SP prender coronel Geraldo Neto pelo assassinato da esposa, a soldado Gisele Alves
Reprodução
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Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço
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Viaturas da Corregedoria da PM chegam ao condomínio de São José dos Campos onde o tenente-coronel mora.
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Caso da PM morta em São Paulo.
Fantástico
O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana.
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Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada
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