Grande Recife tem registros de seis espécies de tubarão, mas só duas são associadas a mortes; conheça características

  • 31/01/2026
(Foto: Reprodução)
Pernambuco registrou 82 ataques de tubarão desde 1992 Um tubarão-cabeça-chata foi provavelmente o responsável pela mordida que matou um adolescente de 13 anos em Olinda, na quinta-feira (29), conforme análise do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). De acordo com o órgão estadual, no Grande Recife, há pelo menos seis espécies predominantes (veja, mais abaixo, as espécies e suas características), mas apenas duas estão relacionadas a incidentes com mortes na região. Além do cabeça-chata, o tubarão-tigre também já foi associado a casos fatais. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp A vítima da quinta-feira foi o adolescente Deivson Rocha Dantas, que brincava no mar da Praia Del Chifre quando foi mordido. Na sexta-feira (30), o Cemit associou a mordida ao tubarão-cabeça-chata por causa da extensão e características da lesão. O animal deve ter mais de três metros, segundo o órgão. Em entrevista ao g1, a oceanógrafa Rosângela Lessa, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) apontou que o litoral pernambucano tem uma ampla variedade de espécies e apenas duas delas estão relacionadas com incidentes. “Existe um número relativamente grande de espécies que compõem a nossa fauna de elasmobrânquios aqui, mas as espécies reputadas por participarem dos incidentes com tubarões são apenas duas: o cabeça-chata e o tigre. São espécies que estão envolvidas em incidentes praticamente no mundo inteiro, onde esses eventos ocorrem”, disse a oceanógrafa Rosângela Lessa, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do Cemit. Segundo Rosângela Lessa, os registros de incidentes no Grande Recife estão relacionados, principalmente, ao deslocamento dos tubarões-tigre e cabeça-chata durante processos migratórios, ainda não totalmente compreendidos. Ela conta que o Recife não é área de berçário, nem de crescimento de jovens tubarões dessas espécies. “A gente nem sabe ainda [o percurso migratório completo]. A gente só sabe que o Recife não é uma área de berçário. [...] Eles desenvolvem um movimento, uma trajetória de deslocamento, que passa muito perto da costa. Já existem pesquisas mostrando, por exemplo, que o tubarão-tigre pode fazer migrações transoceânicas”, disse. LEIA TAMBÉM: Tubarão-cabeça-chata de mais de 3 metros mordeu adolescente, aponta análise Menino já estava morto quando chegou a hospital 'Queria ser jogador de futebol', diz vizinha A frequência maior em determinados pontos, explicou, está relacionada à dinâmica ambiental, oceanográfica e de correntes marítimas, que podem atrair ou afastar os animais. “Em determinadas localidades, eles se verificam com maior frequência, porque as pessoas estão mais perto da área onde eles passam. Existem locais com uma dinâmica oceanográfica, das correntes ou ambiental mais protegidas e outras não. A gente tem, por exemplo, a barreira de recifes, que é uma um fator de proteção, até uma determinada profundidade”, afirmou. As mudanças ambientais ao longo do tempo também influenciam a dinâmica do litoral. De acordo com a pesquisadora, além das construções e intervenções humanas, desvios nos rios e mudanças naturais também impactam no ambiente dos animais. “Também tem correntes de retorno, porque tem toda uma dinâmica que, ao longo do tempo, foi se modificando também pelas construções, desvio de rios... coisas que são dependentes de como o ambiente foi usado ao longo do tempo”, comentou. Infográfico: as espécies de tubarão mais comuns no litoral de Pernambuco Arte/g1 Confira, abaixo, as espécies de tubarão mais frequentes na costa do Grande Recife e suas características: Tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) Tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leuccas) Andreidive/Divulgação Reconhecido pelo corpo robusto e pelo focinho curto e arredondado, o tubarão-cabeça-chata pode viver tanto no mar quanto em rios e estuários, uma característica rara entre tubarões de grande porte. No Brasil, ocorre do Amapá ao Rio Grande do Sul, com registros inclusive no rio Amazonas. Pode chegar a 3,5 metros de comprimento e pesar mais de 90 quilos. A espécie apresenta coloração cinza ou castanha, dentes superiores largos e serrilhados e olhos pequenos. Filhotes e jovens costumam ter manchas escuras nas nadadeiras, principalmente na cauda. Com crescimento lento e baixa fecundidade, é mais vulnerável à pesca e às mudanças em áreas costeiras usadas como berçários. Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) Kris-Mikael Krister/Divulgação De grande porte, pode ultrapassar 5,5 metros de comprimento e tem peso médio entre 385 e 635 quilos. Pode ser encontrado em todo o mundo, em águas costeiras de regiões tropicais, e há ocorrências de sua presença em todos os estados do litoral brasileiro, além ilhas como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. É uma espécie de rápido crescimento e fecundidade relativamente elevada. Se alimenta normalmente de peixes, focas, tubarões menores, lulas e tartarugas. Tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus) Tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus) Simon Pierce/Divulgação Espécie costeira de médio a grande porte, ocorre em águas tropicais e subtropicais de todo o mundo. No Brasil, é registrada ao longo de toda a costa, com limite sul em Santa Catarina, e utiliza áreas costeiras rasas como berçários, onde filhotes e jovens se concentram em determinadas épocas do ano. Normalmente, atinge um comprimento de 1,5 metro e seu peso máximo conhecido é de 123 quilos. O tubarão-galha-preta tem corpo robusto, focinho levemente curto e arredondado e olhos proporcionalmente maiores. Apresenta manchas escuras nas pontas de algumas nadadeiras, mas não na nadadeira anal, o que ajuda a diferenciá-lo de espécies semelhantes. Tubarão-flamengo (Carcharhinus acronotus) Tubarão-flamengo (Carcharhinus acronotus) J-A-Anderson/Divulgação Encontrado no Atlântico ocidental, ocorre do sul dos Estados Unidos até o sudeste do Brasil, com maior concentração no Nordeste, entre a Bahia e o Ceará. Costuma ocupar águas rasas, bancos e áreas próximas a recifes de corais, sobretudo no período reprodutivo, o que aumenta a exposição à pesca costeira. De pequeno porte, mede aproximadamente 1,2 metro, com peso máximo registrado de aproximadamente 19 quilos. Apresenta coloração que varia do cinza-esverdeado ao cinza escuro e se destaca pela mancha preta na ponta do focinho, mais evidente nos jovens, além de marcas escuras na segunda nadadeira dorsal e na cauda. Tubarão-limão (Negaprion brevirostris) Tubarão-limão (Negaprion brevirostris) Mike Krampf/Divulgação Associado a ambientes costeiros de águas rasas, o tubarão-limão ocorre no Atlântico, da costa dos Estados Unidos ao Brasil, e é comum em áreas como recifes de coral, manguezais, baías e desembocaduras de rios. Dentro desses ambientes, costuma viver mais próximo ao fundo, comportamento típico de espécies bentônicas. Pode alcançar cerca de três metros de comprimento, pesando até 100 quilos. Os indivíduos jovens permanecem fiéis às áreas onde nascem, enquanto os adultos podem se deslocar para regiões mais abertas. No Brasil, a espécie apresenta registros de redução de área de ocorrência, sido declarada regionalmente extinta no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de declínios em áreas consideradas estratégicas para sua conservação. Tubarão-bico-fino (Rhizoprionodon porosus) Tubarão-bico-fino (Rhizoprionodon porosus) Cláudio L. S. Sampaio/Divulgação Espécie de pequeno a médio porte, ocorre desde a Venezuela ao longo de todo o litoral brasileiro, com maior presença nas regiões Norte e Nordeste. É comum em pescarias, tanto artesanais quanto industriais, principalmente com redes de emalhe e arrasto, com predominância de indivíduos jovens entre os capturados. Seu comprimento usual é de 80 a 89 centímetros, e pode pesar até 7,5 quilos. O tubarão-bico-fino tem focinho levemente arredondado, coloração cinza a castanha, sem brilho esverdeado, e pode apresentar pequenas pintas claras nos exemplares maiores. A segunda nadadeira dorsal costuma ter uma mancha escura bem marcada, visível sobretudo nos indivíduos menores. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/01/31/grande-recife-tem-registros-de-seis-especies-de-tubarao-mas-so-duas-sao-associadas-a-mortes-conheca-caracteristicas.ghtml


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