Gasolina mais barata? Redução nas distribuidoras pode não chegar aos postos do DF, diz sindicato
27/01/2026
(Foto: Reprodução) Petrobras vai reduzir preço da gasolina em 5,2% para distribuidoras
A Petrobras vai começar a vender gasolina mais barata para as distribuidoras de todo o país a partir desta terça-feira (27). A redução será de R$ 0,14 por litro de gasolina pura, segundo anunciou a estatal.
O impacto no preço das bombas dos postos do Distrito Federal, no entanto, pode ser menor que isso e demorar a chegar.
O Sindicato dos Postos de Combustível do DF (Sindicombustíveis-DF) aponta uma possibilidade ainda pior: a redução na Petrobras pode nem fazer diferença no bolso do motorista.
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O presidente da entidade, Paulo Tavares, explica que a redução de preços ao consumidor final tende a ser menor, de cerca de R$ 0,10 por litro. Isso, porque a gasolina C, vendida nos postos, recebe a adição de álcool anidro – e esse componente segue com o preço inalterado.
⛽ Na semana entre 18 e 24 de janeiro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, o litro da gasolina comum custava, em média, R$ 6,51 nos postos do DF.
Segundo Tavares, no entanto, essa redução nas bombas só acontece se as distribuidoras repassarem o preço menor aos postos.
Mesmo se esse repasse acontecer, o ritmo depende dos estoques. Distribuidoras que estavam com seus tanques cheios, comprados ao valor atual, tendem a manter o preço de revenda no patamar em vigor.
O desconto, neste caso, só viria quando a própria distribuidora também comprar mais barato da refinaria.
"Isso significa que, mesmo havendo redução imediata na refinaria, é preciso que as distribuidoras renovem o estoque antigo, comprado a preço maior, para que a queda chegue ao consumidor", destaca.
Apesar disso, o sindicato reforça que há condições reais para a gasolina ficar mais barata no DF.
Se e quando isso acontecer, o valor praticado nas bombas pode cair até R$ 0,10 por litro – em média, o litro da gasolina passaria a custar R$ 6,41.
Repasse pode nem chegar
Abastecimento em posto de combustíveis
g1Arquivo
Em outubro de 2025, a Petrobras reduziu o preço de venda da gasolina em R$ 0,17 nas refinarias.
A medida deveria ter barateado a gasolina nas bombas em cerca de R$ 0,12. Mas, segundo o sindicato dos postos, as distribuidoras não repassaram o desconto na revenda.
Com isso, os postos dizem que se viram impedidos de repassar o desconto ao consumidor final. À época, segundo o sindicato, as distribuidoras não explicaram o motivo da ausência de repasse.
O que dizem os outros setores?
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) disse em nota que não participa na formação dos preços dos combustíveis, não fiscaliza, nem comenta variações de preços e que questões relacionadas a possíveis preços abusivos são de responsabilidade dos órgãos de defesa do consumidor, como Procons.
O Procon-DF informou que não vai realizar uma operação específica neste momento, mas ressaltou que mantém fiscalização rotineira nos postos de combustíveis do Distrito Federal e segue monitorando o setor de perto.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) informou que não costuma se manifestar sobre o assunto. O foco da entidade é em temas que envolvem o setor junto ao Legislativo, Executivo, Judiciário (STF) e à ANP.
O que diz a ANP
"A ANP não tem participação na formação dos preços dos combustíveis, não fiscaliza, nem comenta variações de preços.
Os preços dos combustíveis são livres no Brasil, por lei, desde 2002. Não há preços máximos, mínimos, tabelamento, nem necessidade de autorização da ANP, nem de nenhum órgão público para que os preços sejam reajustados ao consumidor.
Os preços são feitos pelo mercado, pelos agentes que nele atuam, como as refinarias (parte da Petrobras e parte privadas), usinas, distribuidoras e postos de combustíveis.
Questões relacionadas a possíveis preços abusivos são de responsabilidade dos órgãos de defesa do consumidor, como Procons. Já práticas anticoncorrenciais, como cartéis, são de responsabilidade do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ligado ao Ministério da Justiça, que tem a atribuição legal de investigar e punir esse tipo de irregularidade.
Assim, a ANP atua dentro de suas atribuições legais. A Agência dá apoio - inclusive realizando estudos sobre o mercado de combustíveis, formação dos preços, possível concentração econômica etc. - sempre que demandada pelos órgãos competentes, podendo ainda realizar fiscalizações conjuntas.
A ANP divulga ainda uma pesquisa de preços que mostra os valores cobrados ao consumidor pelos postos de combustíveis. Ela pode ser consultada em: https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/levantamento-de-precos-de-combustiveis-ultimas-semanas-pesquisadas."
O que diz o Procon-DF
"O Procon recomenda que o valor de venda do combustível deva se basear no preço de compra do produto por parte dos postos revendedores, mas lembra que não existe tabelamento ou controle por lei de preços para o segmento.
Não haverá ação específica do órgão no momento. Entretanto, o Procon fiscaliza rotineiramente postos de combustíveis no Distrito Federal, acompanhando o setor com atenção. Quando o órgão verifica suposta situação de abuso nos preços, o estabelecimento é autuado para apresentar as notas fiscais de compra e venda dos produtos para que se possa analisar se houve reajuste ou repasse de custos injustificado.
Quando é confirmado o abuso, o órgão autua o estabelecimento que, se não se adequar às normas em trinta dias, pode ser sancionado.
O Procon também pede que os consumidores realizem denúncias ao se depararem com situação duvidosa, enviando foto e endereço do posto de combustível para o e-mail [email protected]."
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