Gases na atmosfera, poluição da água: veja riscos das mais de 100 toneladas de lixo recolhidas no Carnaval em Rio Branco

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Cerca de 120 toneladas de resíduos foram recolhidos após o Carnaval em Rio Branco Arquivo Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade Com o fim das festividades carnavalescas, uma preocupação surge em torno da destinação e dos efeitos que o lixo produzido neste período pode causar para o meio ambiente. Em Rio Branco, cerca de 120 toneladas de lixo foram recolhidos nas cinco noites de folia. Já em Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, a quantidade passou das 60 toneladas. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Para entender quais os impactos que o lixo produzido neste período pode causar ao meio ambiente, o g1 conversou com o professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) e coordenador do projeto Recicla Ufac, Edson Guilherme, que explicou as consequências para a rede hídrica, além dos riscos à camada atmosférica com os gases poluentes. Confira, nesta reportagem: Efeitos do lixo ao meio ambiente Estimativa de poluentes emitidos na atmosfera Função do aterro sanitário neste aspecto Para onde foi o lixo recolhido Evolução do buraco da camada de ozônio em 2025 Efeitos do lixo no meio ambiente Segundo Edson, o problema do lixo carnavalesco está na sua composição e na quantidade que é gerada. O professor detalhou que, entre as consequências causadas está a contaminação da rede hídrica do estado, caso não seja dado o destino adequado. “Se chover, o que é comum nesta época no Acre, esse material, composto por copos descartáveis, garrafas PET e adereços plásticos (como o glitter), é levado diretamente para as galerias de águas pluviais, desaguando nos nossos rios, como o Rio Acre e o Rio Juruá”, afirmou. Conforme o especialista, com o passar do tempo, o plástico presente nesses materiais se fragmenta em microplásticos que entram na cadeia alimentar dos peixes e comprometem a qualidade da água. Além disso, o lixo acumulado pode obstruir bueiros e canais de água. “Em cidades com solo amazônico e regime de chuvas intensas, isso acelera processos de alagamentos urbanos, afetando não só a fauna urbana, mas causando erosão e contaminação do solo”, detalhou. Estimativa de poluentes O professor comentou ainda sobre a estimativa de emissão de gases de efeito estufa (GEE) a partir de 120 toneladas de lixo gerado no Carnaval em Rio Branco. Segundo ele, o número depende de fatores como a composição dos resíduos, a destinação (aterro, incineração, compostagem), a eficiência de captura de biogás e o tempo de decomposição. A estimativa fica em torno entre 72 e 120 toneladas de CO₂ (dióxido de carbono) equivalente ao longo do tempo de decomposição, caso o lixo seja destinado ao aterro sanitário. "Se parte dos resíduos for reciclada ou compostada, as emissões caem bastante [...] o número é uma estimativa simplificada, já que cálculos oficiais exigem inventários detalhados como os que algumas cidades já começaram a fazer", justificou. Além disto, ele destacou que mesmo ao ir para o aterro sanitário, o lixo continua emitindo gases poluentes à atmosfera, contribuindo para o aquecimento global em uma escala microclimática. "Os resíduos orgânicos depositados em aterros passam por processos de decomposição anaeróbica (sem oxigênio), que geram principalmente metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂), dois dos principais gases de efeito estufa", falou. Limpeza na Praça Orleir Cameli, em Cruzeiro do Sul, iniciava logo após o fim da festa Arquivo/ Prefeitura de Cruzeiro do Sul Função do aterro sanitário Conforme o especialista, o aterro sanitário tem como função isolar o lixo do meio ambiente, tratando os subprodutos perigosos da decomposição. Por isso, há problema quando este material não é recolhido. “Apesar de ser a solução mais segura hoje, o aterro sanitário deve ser o último recurso. O papel dele deveria ser receber apenas o que não pode ser reciclado nem compostado (os rejeitos). Quando as 120 toneladas de lixo do Carnaval de Rio Branco vão direto para o aterro sem separação, por exemplo, estamos ‘jogando dinheiro fora’ e ocupando um espaço precioso do aterro com materiais que poderiam ter voltado para a indústria, reduzindo a vida útil dessas instalações que custam caro aos cofres públicos”, concluiu. O que diz a SMCCI Ao g1, a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI) disse que os resíduos são encaminhados à Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos (Utre), e não ao aterro sanitário. “Esse lixo é destinado a Utre, a parte central, de recebimento geral, e de lá as cooperativas fazem a questão da separação dos lixos porque a maioria são recicláveis”, resumiu. Em Rio Branco, sistema de logística reversa é utilizada para reciclagem de eletrônicos Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/02/24/gases-na-atmosfera-poluicao-da-agua-veja-riscos-das-mais-de-100-toneladas-de-lixo-recolhidas-no-carnaval-em-rio-branco.ghtml


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