Fronteira registra fila de carros para abastecer mesmo após gasolina quase dobrar de preço na Venezuela
30/01/2026
(Foto: Reprodução) Posto de combustível vende gasolina a R$ 3 na Venezuela
Mesmo após o aumento no preço em um posto de gasolina na fronteira da Venezuela com Brasil, motoristas brasileiros e venezuelanos continuam formando longas filas para abastecer na fronteira com Roraima. Nesta sexta-feira (30), o litro passou de R$ 3 para R$ 6,30 em um posto localizado em Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana colada a Pacaraima, no Norte do estado.
Mesmo com o aumento, o valor ainda é R$ 1,5 real mais barato que o combustível vendido em Pacaraima, que é de R$ 7,80.
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Fila se forma para abastecer em posto de gasolina na fronteira da Venezuela com o Brasil
Ailton Alves/Rede Amazônica
O combustível mais barato atraiu motoristas desde a quarta-feira (28). Com a alta repentina no valor, o movimento não diminuiu. A Rede Amazônica foi até o município e constatou que momentos de maior concentração, a fila de veículos chegou até a linha da fronteira entre os dois países.
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A gasolina vendida a R$ 3 acabou ainda na quinta-feira (29). O novo carregamento chegou entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta, já com o preço reajustado para o atual valor.
Posto de gasolina no lado venezuelano da fronteira com o Brasil, onde fila de brasileiros se forma para abastecer
Ailton Alves/Rede Amazônica
Para tentar organizar o fluxo, a entrada no local está sendo liberada de cinco em cinco veículos. Além disso, o abastecimento é permitido apenas diretamente no tanque dos carros, sem liberação para carotes ou recipientes.
O posto onde o abastecimento ocorre conta com quatro bombas de abastecimento. A fachada dele leva o nome da PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela. O país vizinho concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta — mais de 300 bilhões de barris.
Vantagem ainda com aumento
Da esquerda pra direita: Fernando Germano, taxista; Ricardo Dias, taxista; Wemerson Chaves, frentista brasileiro
Ailton Alves/Rede Amazônica
Mesmo com o aumento, o valor ainda é considerado mais vantajoso em comparação a Pacaraima. O taxista Ricardo Dias, afirmou que não conseguiu abastecer quando o valor era mais baixo, mas decidiu enfrentar a fila mesmo com o novo preço.
“Ontem não deu para pegar a de R$ 3, mas hoje, a R$ 6,30, ainda compensa um pouco. Aqui no Brasil está mais caro, então para quem mora em Pacaraima ainda vale a pena”, disse.
Apesar do movimento intenso, parte dos taxistas prefere aguardar antes de abastecer. O taxista Fernando Germano, que atua há 15 anos na fronteira, afirmou que ainda tem receio quanto à qualidade do combustível.
Segundo ele, a insegurança faz com que alguns motoristas esperem para ver se não haverá problemas mecânicos nos veículos, já que a gasolina no país vizinho não é fiscalizada pelo Brasil.
“Os carros hoje são eletrônicos, flex. Eu prefiro esperar um tempo para ver se não vai dar problema. Talvez daqui a alguns meses eu use, se o preço se mantiver e não tiver reclamação”, explicou.
Do lado brasileiro, o aumento do movimento na Venezuela já refletiu nos postos de Pacaraima. O gerente Wemerson Chaves afirmou que as vendas caíram quando o litro chegou a R$ 3 do outro lado da fronteira.
“Com a gasolina a R$ 3 lá, nosso movimento caiu bastante. Não tem como competir por causa dos impostos. Mesmo agora, com o valor a R$ 6,30, ainda fica difícil para a gente”, afirmou.
O cenário na região é diferente do registrado na primeira semana de janeiro de 2026, quando os Estados Unidos realizaram um ataque contra a Venezuela, com explosões no país, e capturaram o então presidente Nicolás Maduro e a esposa dele, que foram levados para os EUA.
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