'Exército do Lula': Janones fala sobre canal com 10 milhões de pessoas e descarta ministério

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
André Janones (Rede-MG) Reprodução/TV Globo O canal de mensagens criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) se transformou em um dos fenômenos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um quarto mandato. O chamado "Exército do Lula" reuniu mais de 10 milhões de pessoas nas três semanas anteriores ao segundo turno. Janones, que criou o espaço, foi reeleito para o seu terceiro mandato como deputado federal e afirmou que não assumirá um ministério no governo federal. "Eu não vou aceitar nenhum ministério", disse Janones, em entrevista exclusiva ao Fantástico. "Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo". A reportagem encontrou Janones dois dias depois da eleição, em um hotel em São Paulo. O deputado contou que havia passado a noite acompanhando a apuração e que, após o resultado ser anunciado, dormiu apenas uma hora e meia. Depois da campanha, planejava descansar no Rio de Janeiro, mas uma longa agenda de entrevistas com veículos estrangeiros mudou os planos. Janones administra o "Exército do Lula" diretamente em seu celular. Ao comentar uma queda de cerca de 200 mil participantes, disse acreditar que parte deles não eram apoiadores do presidente. "Eu acho que vai cair até mais, porque, agora, muitos do lado de lá começaram a sair. Deve ter 1 milhão de infiltrados. E 9 milhões são do nosso campo", avaliou. Cansado, Janones não publica vídeos com as chamadas "missões" no "Exército do Lula" desde o fim das eleições. Ele reconheceu que o canal concentrava decisões em sua figura e disse que o modelo não representa a democracia em seu estado pleno. "É um modelo transitório, necessário para a gente vencer uma eleição, necessário para a gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora. Mas é um modelo que deve servir como transição", afirmou. O deputado afirmou que este não é o modelo que quer para o Brasil. "A democracia que eu quero viver é onde você posta o que você quiser na sua rede", disse. "Só que nesse momento, não dá para ser assim. Até a gente discutir o papel das big techs na nossa sociedade". A dois dias do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrou das plataformas reforço das equipes e tratamento igualitário às campanhas. A Meta, o Google e o X disseram para o tribunal que não encontraram irregularidades no canal de apoiadores do presidente Lula. O deputado afirmou que continuará filiado à Rede Sustentabilidade e que já conversou com Lula sobre quem deve ficar à frente do espaço de comunicação com eleitores. "Eu disse, olhando nos olhos dele: 'O canal é do senhor, o exército é do Lula, tudo foi construído com o nome do senhor'". Telefonema de Lula e encontro no Alvorada André Janones (Rede-MG) administra o "Exército do Lula" diretamente em seu celular Reprodução/TV Globo Enquanto estava no Rio, Janones recebeu uma ligação de Lula. Na conversa, o presidente o convidou para ir a Brasília no dia seguinte, participar de uma transmissão ao vivo e almoçar com ele. O deputado aceitou o convite e mudou os planos de descanso. Na quinta-feira, foi para a capital federal e seguiu diretamente para o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. O almoço com Lula e a primeira-dama Janja levou cerca de três horas. Ao deixar o Alvorada, Janones contou que o presidente havia comido tilápia e continuava com problemas na garganta. Na conversa com o Fantástico, Janones comentou sobre sua relação com políticos de outros campos ideológicos. Citou o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), apoiador de Flávio Bolsonaro. "Ele é um amigo, um amigo mesmo", disse Janones sobre Cleitinho. "É um cara que está se propondo a fazer algo que o país precisa muito, que é pacificar, que é superar essa questão ideológica, essa polarização que tem feito tão mal para o povo brasileiro". "É alguém que fala a língua do povo, e eu realmente acredito que ele vai fazer um bom governo para Minas Gerais", disse Janones. Repercussão internacional e rotina intensa Estratégia digital liderada por Janones virou assunto na imprensa de vários países após vitória de Lula Reprodução/TV Globo A estratégia digital liderada por Janones virou assunto na imprensa de vários países depois da virada histórica de Lula. O deputado citou entrevistas com o francês Le Monde e o britânico The Guardian, além de convites vindos de países como Alemanha, França, Itália, Espanha, Colômbia e México. "A repercussão internacional é a única coisa que não estava no meu radar", afirmou. A rotina intensa teve consequências. Durante uma entrevista, Janones relatou dificuldades para falar e precisou interromper o compromisso. Segundo sua médica, um medicamento utilizado para tratar a garganta provocou o mal-estar. Cerca de uma hora depois, já recuperado, retomou a conversa com um jornalista britânico. A campanha também exigiu deslocamentos frequentes. Janones contou que chegou a percorrer cerca de 2 mil quilômetros por semana de carro para não ficar nenhum momento sem sinal de internet. Processos e polêmicas O Fantástico também perguntou sobre assuntos polêmicos na trajetória política de Janones, como a medida protetiva solicitada por uma ex-companheira em decorrência de uma acusação de violência psicológica e uma investigação sobre suspeita de rachadinha. Sobre a medida protetiva, solicitada com base na Lei Maria da Penha, Janones disse que não poderia comentar porque o processo segue em segredo de Justiça. Ele afirmou não ter sido condenado e que "a verdade prevalecerá". André Janones (Rede-MG) Reprodução/TV Globo Entre 2019 e 2020, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Janones praticou a chamada rachadinha com um cartão de crédito de um assessor para pagar despesas pessoais. O deputado negou ter desviado salários de funcionários. Janones fez um acordo para encerrar o processo sem condenação e disse ter devolvido R$ 131.511. O parlamentar comentou ainda os embates com opositores na Câmara que levaram à suspensão de seu mandato por três meses. Ele disse que não se arrepende das atitudes e que decisões desse tipo são influenciadas por questões políticas. Questionado sobre as acusações de divulgação de notícias falsas, citou um vídeo publicado antes do segundo turno sobre possíveis cortes em programas sociais caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. O adversário de Lula contestou o conteúdo na Justiça e pediu a retirada da publicação do ar. Para Janones, a informação poderia ser considerada duvidosa, mas negou que fosse falsa. "Eu não estou mentindo, simples assim", afirmou. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/11/01/janones-exercito-lula-descarta-ministerio.ghtml


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