Eu não faço música que dá para fazer dancinha, diz Ananda antes de estreia no Rock in Rio

  • 01/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ananda se prepara para subir ao palco Supernova do Rock in Rio. Tom Morais. Não tinha como ser muito diferente para Ananda. Neta do percussionista Bola Morais, integrante dos Novos Baianos, e filha do percussionista e produtor Tom Morais, ela cresceu arrodeada por música. Bem novinha, aos 12 anos, começou a se aventurar postando covers na internet, ainda na época do Musical.ly, antecessor do TikTok. Entre os primeiros vídeos, estava uma versão de “Ela Só Quer Paz”, de Projota. De lá para cá, as coisas ficaram sérias. Seu primeiro lançamento foi “Portugal”, em parceria com Kawe, quando tinha 16 anos. A faixa ultrapassou 60 milhões de reproduções no Spotify. Em março de 2023, Ananda lançou o EP “Todas pra você que me fez sofrer”, com quatro faixas. Em 2024, apresentou seu primeiro álbum, “Cosmos”, com 10 músicas. Seu lançamento mais recente foi “te traindo com você”, em agosto de 2026. Já com uma carreira estabilizada na música, Ananda chega ao Rock in Rio para se apresentar no palco Supernova, em 11 de setembro, por volta das 18h, em um line-up formado exclusivamente por mulheres (Muse Maya, Isa Buzzi, NandaTsunami e ela). "Por ser um festival com muitos artistas, o maior objetivo é fazer as pessoas pararem, me ouvirem, e lembrarem das minhas músicas. Mas independentemente do número de pessoas, eu vou fazer o meu show. Estou indo para me divertir", comentou ao g1. Ananda se prepara para subir ao palco Supernova do Rock in Rio. Tom Morais Ela diz que gosta de cantar e escrever sobre seu processo de amadurecimento frente à vida. Confessa ter uma melancolia guardada. Seu trabalho costuma passear pelo pop e pela nova MPB e já rendeu parcerias com artistas como Supercombo, Clau, Day Limns, Mariana Aydar, Joyce Alane e Clarissa. Fã declarada de funk, ela prefere não se definir dentro de um gênero musical. A artista paulistana de 23 anos soma cerca de 9,4 milhões de seguidores no TikTok e 7,1 milhões no Instagram. Por lá, costuma compartilhar a rotina como artista, os ensaios, os processos criativos de composição. No Spotify, acumula 1,2 milhão de ouvintes mensais, a maioria concentrada em São Paulo. Ao g1, ela fala sobre a família de músicos, o começo na internet, a pressão para viralizar e a preparação para o show no Rock in Rio. Confira: Agora no g1 g1 — Você começou na internet muito nova, em 2016. Como a música entrou nessa história? Ananda — Eu sempre fiz um pouco dos dois. Comecei postando vídeos variados, porque não tinha muito objetivo de fazer alguma coisa com aquilo. Até que o vídeo que foi melhor, que realmente me fez pensar “acho que dá para fazer alguma coisa”, foi cantando, um cover, no Musical.ly. Postei esse vídeo, as pessoas reagiram bem, mostrei para o meu pai e ele falou: “Nossa, você está cantando bem, afinada”. Foi daí que partiu isso. g1 — E como a criação de conteúdo e a carreira de cantora foram se encontrando? Ananda — Sempre foi muito unido. Eu sempre fui conhecida como uma criadora que cantava, porque, como não tinha minha música ainda, era sempre essa questão do cover. Eu era muito nova e tinha que conciliar com a escola, então eram os dois mundos ali. Eu contava histórias, dublava, atuava, fazia covers. Sempre tinha a ver com esse lado artístico. g1 — Quando veio a virada para a carreira de cantora? Ananda — Foram uns três anos fazendo cover na internet até decidir fazer minha própria música. Em 2019, lancei minha primeira. Na verdade, foi um feat, “Portugal”, que até hoje é a minha maior música. Ela estourou e ficou gigantesca. Depois comecei a lançar minhas músicas sozinha. Aí veio essa virada de ser cantora, porque você precisa ter seu lançamento para virar cantora. g1 — E quando você começou a se encontrar como compositora? Ananda — Nas primeiras músicas, principalmente as mais antigas, elas nem têm tanto a minha cara porque eu ainda não escrevia. Eu sempre gostei de contar histórias, sempre fui muito envolvida com séries, filmes e livros. A narrativa sempre me encantou muito. Comecei a escrever mais ou menos em 2020, um ano depois de começar a lançar as músicas. No começo, precisava de ajuda para criar uma melodia ou alguma coisa assim, porque escrever um texto ou um poema é diferente de escrever uma música. Mas fui me encontrando. g1 — Suas letras costumam falar sobre relacionamentos, vulnerabilidade e saúde mental. Por que você gosta de escrever sobre esses temas? Ananda — Sempre gostei de escrever essa parte mais vulnerável da vida, de dissertar sobre sentimentos e falar até das coisas que as pessoas não gostam de falar. Seja no amor, seja sobre saúde mental, seja sobre se encontrar ou estar perdido. Acho que as músicas seguem o mesmo caminho que a minha vida. Tenho 23 anos, então cada ano muda muito. Acho que as músicas imprimem muito isso também. Elas foram ficando mais maduras, mas também com esse quê de autoconhecimento. g1 — Seu pai é músico e hoje trabalha com você. Como funciona essa parceria? Ananda — Meus pais trabalham comigo no campo geral, de publicidade e tudo mais. Eles são meio que meus assessores, pessoas de confiança em todas as áreas. Meu pai também trabalha comigo na música. Está sempre comigo, principalmente na produção das músicas. Ele assina as produções e fazemos tudo juntos no estúdio, com meu produtor. Às vezes, ele também participa das composições. g1 — Fica estranho em algum momento compor com o pai sobre temas tão íntimos? Ananda — Acho que a gente sai um pouco dessa nossa casca de pai e filha. Vira mais uma parceria. Eu acabo guiando porque sei a história que quero contar e tenho a idade que tenho, então sei o que quero falar para o público. Mas acho importante também ter a opinião de outras pessoas. Se eu fico muito “eu, eu, eu”, as coisas acabam seguindo um caminho parecido, porque a gente fica condicionado às nossas referências. g1 — E ser neta de quem você é certamente te influenciou a seguir na música, né? Ananda — Não sei se influenciou a começar a cantar na internet, porque, como falei, foi uma coisa muito do nada. Meus pais sempre foram muito “faz o que você quiser” e nunca me colocaram em um caminho exato. Acho que tem uma influência subconsciente, porque não tem como: meu avô, meu pai e, no fim, eu também. Alguma coisa aconteceu ali. g1 — Quais artistas estão no seu fone hoje e quais são suas referências? Ananda — Nunca fui uma pessoa muito fã de um artista específico. Sempre ouvi muita coisa, porque em casa sempre me apresentaram muita música, principalmente MPB. Meu avô era percussionista, então sempre teve muita música brasileira na minha casa. Eu gosto muito de prestar atenção na letra e na composição. No Brasil, amo Marisa Monte. Gosto do jeito que ela escreve, porque é simples, mas muito profundo. Tim Bernardes também. De fora, tenho ouvido muito Lizzy McAlpine. Acho ela incrível e bem melancólica, como eu. g1 — Você sente que a história de uma música é mais importante do que o gênero dela? Ananda — Total. Nas minhas músicas, a história lidera mais do que o gênero. Por isso acabo permeando muitos gêneros diferentes. É difícil para mim me colocar numa caixa, porque sinto que cada letra pede um sentimento. Eu me encontrei muito nisso. g1 — Seu público também foi amadurecendo junto com você? Ananda — Sinto que foi mudando. Na maioria, é muito da minha faixa etária. Eu sou, com certeza, o meu público-alvo. Initial plugin text g1 — Como você faz se divide entre a face cantora e a criadora de conteúdo? Ananda — A internet é uma ferramenta muito poderosa para divulgar as músicas. E eu sou a Ananda cantora, assim como sou a Ananda criadora de conteúdo e a Ananda aqui com você. Não sinto que tem tanta diferença, porque foi um caminho que decidi seguir. Gosto de ser verdadeira, é o jeito que consigo lidar com as coisas. Eu me encontrei muito contando histórias e gosto de fazer isso nos meus conteúdos também. Faço muitos conteúdos com textos meus, que seguem o mesmo caminho que uso para fazer as músicas. Então sinto que eles andam juntos. g1 — E quais são hoje as maiores dificuldades dessa carreira de artista? Ananda — Acho que é tudo. É converter essas pessoas que já me seguem para ouvirem as músicas, porque são públicos diferentes. E show é uma questão de tirar as pessoas de casa. Não é algo simples para ninguém. Então acho que também é uma questão de ir construindo. É um trabalho muito de tijolinho. Tudo na minha vida sempre senti que foi criado com uma base forte. Então acredito muito em construir uma comunidade de pessoas que gostam de mim. g1 — Você pensa em viralizar quando compõe? Ananda — Nunca fiz uma música pensando “essa aqui, essa parte vai ser muito viral”. Tenho uma música que tem um minuto e pouco, que é uma ligação de telefone, “Desculpa Te Ligar Assim”. Nem achei que fosse dar em nada, porque é muito curta. Era mais para completar meu EP e contar uma história. E ela virou uma das maiores músicas que tenho, uma das mais amadas no show. A galera gosta muito de cantar. Então acho que é sobre criar a sua verdade, dentro do possível, porque a gente ainda trabalha e precisa pagar as contas. Ananda, cantora e youtuber, se apresenta no palco Supernova e em uma tenda promocional Reprodução/Instagram da cantora g1 — Você acha que não ter uma música pensada para dancinha dificulta chegar ao público? Ananda — Com certeza fica mais difícil das pessoas criarem conteúdo. E acho que isso é muito importante, não só para você divulgar, mas para o público abraçar isso também. Essas coisas virais funcionam muito, mas não tem muito o que fazer. Eu não faço música que dá para fazer dancinha pelo estilo musical mesmo. Dá um medo, porque no Brasil, se você pega o Top 50, é sertanejo ou funk. Mas também acredito muito que, quando a música é para ser, ela vai. g1 — E agora vem um momento enorme: o Rock in Rio. Como foi receber esse convite? Ananda — Foi muito legal o convite. Não esperava. Existem muitos artistas no mundo, muitas pessoas talentosas. Então ter sido chamada e poder cantar lá já é incrível para mim. g1 — Você vai se apresentar no dia 11, em um line-up só de mulheres. O que significa estar nesse palco? Ananda — Acho que vai ser um ótimo dia, com um público muito legal. Mas não é um show meu, então nunca é garantido que vão ter pessoas suficientes ali cantando. Só que ter pessoas é sempre o suficiente, independentemente do número. Eu vou fazer o meu show. Meu show é às seis e acho que vai ser um bom horário. g1 — Como está a preparação para o show? Ananda — Já estou tendo vários ensaios. É bom que já é um setlist que montei e que conheço. Tem só duas músicas mais novas. Lancei uma recentemente e vai ter uma inédita também, porque estou vindo com um projeto. Quero aproveitar para poder cantar essa música. O restante são músicas com as quais já tenho familiaridade. g1 — Como você pensou o repertório para um festival? Ananda — Dei preferência às músicas que a galera gosta bastante. Por ser um festival, acho que o maior objetivo é as pessoas ouvirem, pararem, lembrarem talvez da música e gostarem do show. Mas estou indo para me divertir, principalmente. É um show com banda. Eu sempre faço com banda, mas sou só eu. Não tenho dançarina ou algo do tipo. Já fiz de vários formatos, inclusive show acústico, só eu e um violão. Mas esse tem baterista, baixista, guitarrista, tecladista. É bem completão mesmo. g1 — Depois de tantos anos entre a internet e a música, o que você sente que está construindo? Ananda — Acho que estou construindo a minha verdade. É um trabalho de tijolinho em tijolinho. Você está sempre lançando aquilo em que mais acredita, com toda a fé, e às vezes não vai. Então também é saber lidar com as frustrações. É um aprendizado a cada dia. Não tem receita de bolo. Mas estou fazendo e acho que está rolando.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/rock-in-rio/noticia/2026/09/01/eu-nao-faco-musica-que-da-para-fazer-dancinha-diz-ananda-antes-de-estreia-no-rock-in-rio.ghtml


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