Escola de Uberlândia homenageia Tânia Costta e batiza salas com nomes de personalidades negras: 'Valeu a pena ter sonhado', se emociona apresentadora
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Escola de Uberlândia homenageia Tânia Costta e batiza espaços com personalidades negras
A cantina agora leva o nome de Tia Ciata, baiana considerada uma das matriarcas do samba. A sala dos professores homenageia Antonieta de Barros, primeira deputada negra do Brasil e pioneira na luta pela educação pública. Já a sala de artes, leva o nome da grafiteira Criola, nome artístico de Tainá Lima. E a sala de aula do segundo ano do ensino fundamental foi batizada de Tânia Costta, jornalista que hoje atua na TV Integração.
Nomear as próprias salas com personalidade negras é mais um passo da Escola Municipal Sebastiana Silveira Pinto, no Bairro São Jorge, em Uberlândia, na consolidação da proposta de educação inclusiva e antirracista. E na manhã desta quinta-feira (7), a iniciativa foi tema do primeiro Integração na Educação, que estreou como quadro do Integração Notícia (assista abaixo) com a proposta de mostrar iniciativas escolares exemplares.
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“Educação é vida. Percorrer escolas e conhecer iniciativas que impactam crianças e famílias tem um gosto especial”, destacou a editora e apresentadora Tânia Costta.
Escola aposta em educação antirracista com referências negras nas salas
Educação antirracista como prática cotidiana
Segundo o Ministério da Igualdade Racial, a população negra no Brasil, que compreende a soma de pessoas pretas e pardas, representa quase 56% do total de habitantes, sendo a maioria demográfica do país. Com base no Censo 2022, essa população totaliza cerca de 112,7 milhões de pessoas. Para a diretora Stella Jacinto, trazer mais identidade para dentro das salas de aula é essencial.
“Tânia é uma mulher negra, mineira, uma potência jornalista e representa muitas das crianças que estão aqui na escola”, disse a diretora Stella Jacinto.
Segundo a diretora, o projeto de dar nomes de personalidades negras - especialmente mineiras, que se destacaram e destacam em diferentes áreas de conhecimento - aos espaços escolares, segue as diretrizes da Secretaria Municipal de Educação que fortalece, a cada ano, o compromisso com uma escola inclusiva. Em 2026, o tema norteador é “Uma Escola Inclusiva, Antirracista e sem Bullying”.
Tânia Costta mostra aos estudantes como improvisava microfone com caneta e goiaba no quintal de casa na infância em Ituiutaba
Madu Porto/G1
Dentro de um plano escola de educação antirracistas, cada turma estuda a trajetória do nome escolhido, produz trabalhos e compartilha aprendizados. Para as professoras Ana Paula Vitor e Juliana dos Reis Silva, ambas do segundo ano, a campanha tem sido enriquecedora para todos.
“Eles [alunos] aprendem com nossas experiências e com as histórias dessas personalidades. Muitas vezes se emocionam mais do que nós e nos surpreendem de forma encantadora”, contou as professoras.
Mesmo tão nova, a aluna Laís Nunes desenvolveu a consciência de que a campanha ajudou a entender que racismo e bullying machucam os colegas. Para ela, o mais importante é respeitar as diferenças e acolher os amigos que passam por situações assim. “Eu nunca vou fazer bullying”.
A homenagem a Tânia Costta
Escola de Uberlândia homenageia Tânia Costa e batiza espaços com nomes de personalidades negras
Madu Porto/G1
Tânia Costta é natural de Ituiutaba e cresceu sonhando com a comunicação, improvisando microfones com canetas e frutas no quintal de casa.
“Valeu a pena aquela menina ter sonhado. Estar aqui, em uma escola que pratica a comunicação antirracista, me emociona. Se alguma dessas crianças acreditar que pode chegar onde sonha, já valeu a pena”, disse Tânia, emocionada.
O impacto foi imediato. A aluna, Laís, compartilhou que quer ser apresentadora quando crescer. Maria Luísa, também estudante, reconheceu em Tânia o reflexo de sua própria identidade ao tocar nos cabelos da jornalista.
Durante a roda de conversa, Tânia compartilhou experiências de racismo vividas na infância, como quando compararam seu cabelo a objetos de limpeza. O relato sensibilizou Maria Luísa, que acariciou os fios da apresentadora e os elogiou: "seus cachinhos são lindos".
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Representatividade que faz diferença
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Madu Porto/G1
O trabalho da escola também emociona famílias. Gabriela Cássia, mãe da aluna Maria Luísa, destacou como a gestão escolar fortalece a autoestima das crianças.
“Elas se sentem cada vez mais acolhidas pelo cabelo crespo, pela cor da pele. Isso traz respeito e reconhecimento.”
“Meu coração está quentinho nesse lugar”, resumiu Tânia sobre toda a experiência da visita a escola.
* Estagiária sob supervisão de Fabiano Rodrigues.
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