Eleições no Peru: recontagem de votos pode definir resultado; entenda
11/06/2026
(Foto: Reprodução) 'O país da apuração interminável': por que o resultado da eleição no Peru demora tanto?
Não é só a disputa voto a voto que está ocorrendo na apuração das eleições presidenciais no Peru que deixam o resultado incerto. A recontagem de votos que corre em paralelo também pode embaralhar ainda mais o pleito.
➡️ O Peru foi às urnas no fim de semana para escolher o próximo presidente do país, no 2º turno das eleições presidenciais. Na corrida, estão a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e o esquerdista Roberto Sánchez. Nesta quinta-feira, a diferença entre os dois era de apenas 651 votos, com 98,216% das urnas apuradas.
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Nesta semana, o Jurado Nacional de Eleições, órgão que faz a contagem dos votos (similar ao Tribunal Superior Eleitoral do Brasil) afirmou que cerca de 1.000 atas — documentos com o relatório de votos por cada mesa eleitoral — precisarão passar por nova contagem.
A quantidade é pequena se comparada ao total de votos no Peru — no total, há 92.700 atas no sistema eleitoral peruano. No entanto, a disputada na apuração é tão acirrada, que as atas revisadas podem redefinir o resultado.
Até a manhã desta quinta, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez tinham menos de 600 votos de diferença. Cada ata pode ter até 300 votos, segundo o sistema eleitoral peruano. Portanto, até cerca de 300 mil votos ainda podem ter de ser revistos. O Jurado Nacional de Eleições não informou quantos votos estão em revisão.
O presidente do Jurado Nacional de Eleições, Roberto Rolando Burneo Bermejo, disse que o processo de recontagem é demorado, e, por isso, estimou que o resultado pode sair apenas em meados de julho, dada a proximidade do número de votos de cada candidato.
"Temos de fazer uma audiência de recontagem, e, após três dias, é emitida uma decisão que pode ser contestada por qualquer uma das organizações políticas. Caso isso ocorra, o caso é encaminhado ao plenário da JNE", explicou o magistrado. "O plenário deve agendar uma audiência para ouvir os argumentos legais das partes, e uma decisão final é emitida após três dias".
Bermejo afirmou ainda que mais atas podem ser submetidas a recontagens caso o Jurado Nacional de Eleições entenda que seja o caso.
As recontagens podem ser feitas por diferentes razões, como:
O número de cédulas eleitorais não correspondente ao de eleitores daquela mesa eleitoral;
Quando há divergência no número de votos do boletim da ata e da urna correspondente;
Quando os partidos concorrentes contestam o resultado da ata e a mesa eleitoral aceita a contestação.
Nova virada
O passo a passo da apuração das eleições presidenciais no Peru às 7h do dia 11 de junho
Arte g1
Keiko Fujimori assumiu novamente a dianteira na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru nesta quinta-feira (11).
Após três dias atrás de Roberto Sánchez, a candidata conservadora está com o maior número de votos: 50,002% contra 49,998% do deputado de esquerda.
Os candidatos Roberto Sánchez, da Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, da Força Popular, disputam voto a voto a eleição presidencial no Peru. A votação foi no domingo (7) e o resultado deve seguir indefinido até o fim.
A virada de Fujimori se deve à sua preferência entre os peruanos no exterior: 63,42% contra 36,57% de Sánchez.
Nesta quarta-feira (10), pela manhã, apenas 67% das urnas no estrangeiro haviam sido abertas e contabilizadas. Com o passar do dia e o avanço na apuração delas, a diferença entre Keiko e Sánchez foi diminuindo cada vez mais. Agora 94,49% foram apuradas no exterior.
No Peru, 98,32% das urnas já foram apuradas.
O passo a passo da votação
Os primeiros dados oficiais da apuração foram divulgados por volta das 22h de domingo (7) pelo órgão eleitoral peruano: Keiko Fujimori largou na frente, cinco pontos percentuais à frente de Roberto Sánchez.
A diferença entre os dois foi diminuindo à medida que a apuração avançava. Por volta das 7h de segunda-feira (8), Keiko tinha menos de um ponto de vantagem sobre Sánchez.
Às 13h07 de segunda, no horário local, o candidato da Juntos pelo Peru ultrapassou Keiko.
A autoridade eleitoral informou que a divulgação do resultado final pode demorar dias. A votação no Peru é feita com cédulas de papel. O país tem 27,33 milhões de eleitores aptos a votar.
Agora no g1
Confira no mapa o desempenho dos candidatos em cada região peruana nesta terça-feira (9):
Mapa mostra votação de Roberto Sánchez e Keiko Fujimori em cada região do Peru.
Arte/g1
Perfil dos candidatos
Keiko Fujimori concorre pelo partido Força Popular, legenda que fundou em 2008 para liderar a corrente fujimorista. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a candidata disputa a presidência pela quarta vez, tendo sido derrotada no segundo turno nas eleições de 2011, 2016 e 2021.
Na votação de primeiro turno em 2026, Keiko obteve 17,2% dos votos válidos.
Keiko Fujimori (à esquerda) e Roberto Sánchez (à direita).
Stifs Paucca e Angela Ponce / Reuters
O deputado Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, chegou ao segundo turno após obter 12% dos votos no primeiro turno.
A base de apoio de Sánchez é identificada majoritariamente em zonas rurais e áreas afastadas das regiões urbanas.
Histórico e contexto eleitoral
As eleições de 2026 registraram um recorde de 35 candidatos à presidência no primeiro turno. O processo ocorre em um cenário no qual o Peru registrou 9 presidentes em 10 anos, sendo que os mandatos constitucionais deveriam ser de cinco anos.
Dados de pesquisas indicam que 90% dos peruanos manifestam pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional.
Além disso, apenas 10% dos peruanos afirmam estar satisfeitos com a democracia no país, situação que pesquisadores classificam como uma "desconfiança crônica".