Eleições no DF: 2º turno na capital tem queda na abstenção, nos votos em branco e nos votos nulos

  • 27/10/2026
(Foto: Reprodução)
O Distrito Federal terá Celina Leão, do PP, como governadora pelos próximos 4 anos Após registrar abstenção recorde de 18,99% no primeiro turno das eleições de 2026, o Distrito Federal teve maior comparecimento de eleitores às urnas no segundo turno – e uma redução dos votos brancos e nulos (veja detalhes abaixo). ➡️No DF, 2.253.132 pessoas estavam aptas a votar, o maior número da história. ➡️Na disputa pelo governo, tanto a candidata reeleita Celina Leão (PP) quanto Leandro Grass (PT) aumentaram a votação no segundo turno. Eles receberam, respectivamente, 161.612 e 169.200 votos a mais na comparação com o primeiro turno. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Para o cientista político e professor do Ibmec Brasília Leandro Gabiati, o maior comparecimento às urnas foi provocado pela mobilização do segundo turno. "A polarização presidencial, combinada com a disputa pelo governo do DF, ampliou o interesse do eleitor e estimulou a atuação das campanhas. Com apenas dois candidatos por cargo, a percepção sobre as consequências do resultado tende a ficar mais clara, incentivando a participação", explica. Na disputa pelo governo, houve redução das abstenções e dos votos brancos e nulos nas regiões administrativas do DF. No segundo turno, Santa Maria registrou os maiores percentuais de votos brancos (4,05%) e nulos (4,37%). Já Sobradinho teve a maior abstenção, de 17,16% – ainda abaixo da média do DF no primeiro turno. Disputa presidencial Na eleição para presidente, no entanto, o percentual de votos nulos aumentou no DF: passou de 1,81% para 2,20%. Como aconteceu no restante do país, no entanto, a abstenção e o número de votos em branco caiu. Ao fim da apuração, como já havia acontecido no primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no DF – recebeu 54,28% dos votos válidos, contra 45,72% de Lula. Apesar disso, o vice-diretor do Instituto de Ciências Políticas da UnB, Thiago Trindade, aponta um recorte curioso: o DF está no "top 3" de unidades da Federação onde Lula mais ampliou a votação no segundo turno. "Curiosamente, onde ele ganhou mais votos foi em Goiás, 9,28 [pontos percentuais]. Em São Paulo, quase 8. E o terceiro foi o DF, com 7,61", enumera. O bom resultado de Lula, nas três semanas entre o primeiro e o segundo turno, não parece ter se refletido na votação de Leandro Grass (PT), candidato ao Palácio do Buriti. Trindade avalia que o cenário já era esperado pelas próprias campanhas. "O Leandro Grass, para usar um jargão político, é o cara que foi para o sacrifício. Ele sabia que a chance de vitória era muito improvável [...] A grande função da candidatura do Leandro Grass era puxar palanque, puxar a voto para a candidatura nacional", diz. Abstenção no segundo turno é a menor em 20 anos Para Thiago Trindade, o eleitorado do DF tem um perfil mais conservador – o que não implica, necessariamente, em aderir ao mesmo campo político na escolha de todos os votos em uma eleição. "Na cabeça do eleitorado brasileiro, não há nenhum tipo de problema entre você votar no Lula para presidente e votar no candidato a governador que seja do lado oposto." Leandro Gabiati aponta que essa diferença aparece, inclusive, nos índices de votos brancos e nulos – que permanecem proporcionalmente maiores na disputa pelo governo do DF do que na presidencial. "Isso sugere que a mobilização nacional não necessariamente se traduz em identificação com as candidaturas locais." Urna eletrônica Divulgação/Nelson Jr./ASICS/TSE Votos brancos e nulos no DF Além do maior comparecimento às urnas, o segundo turno registrou percentuais menores de votos brancos e nulos na disputa pelo governo do Distrito Federal. Segundo o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco ocorre quando o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Para votar nulo, o eleitor digita um número de candidato inexistente, como "00", e confirma o voto. 🔎 Pela Constituição Federal e pela Lei das Eleições, apenas os votos válidos entram no cálculo para definir os eleitos. Votos brancos e nulos são igualmente desconsiderados. Mais eleitores, menos votos brancos e nulos: como Lula obteve virada no 2º turno Para Thiago Trindade, a maior mobilização política no segundo turno ajuda a explicar não apenas o aumento do comparecimento às urnas, mas também a redução de brancos e nulos. "O voto branco ou nulo, ele tende, ele indica duas coisas. Primeiro, uma posição de indecisão. Segundo, um voto de protesto, ou seja, o voto contra tudo o que está aí". Segundo o cientista político, a mudança está ligada ao engajamento provocado no segundo turno, tanto por parte das campanhas quanto por parte da população. "Se a campanha eleitoral consegue de fato engajar e mobilizar as pessoas, [...] Se a campanha eleitoral consegue ser bem-feita nesse sentido, a tendência é que haja uma redução do voto de protesto, que haja uma redução da abstenção." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/eleicoes/2026/noticia/2026/10/27/eleicoes-no-df-2o-turno-na-capital-tem-queda-na-abstencao-nos-votos-em-branco-e-nos-votos-nulos.ghtml


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