Dona de mansões e carros de luxo: quem é Deolane Bezerra, a advogada e influencer com 21 milhões de seguidores, presa pela 2ª vez em SP
21/05/2026
(Foto: Reprodução) Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem
Presa pela 2ª vez nesta quinta-feira (21) em São Paulo, a advogada Deolane Bezerra é uma influenciadora digital e empresária brasileira que ganhou grande notoriedade nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021.
MC Kevin morreu em 16 de maio de 2021, aos 23 anos, após cair da varanda de um quarto de hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde estava hospedado com a esposa.
Segundo a investigação da Polícia Civil do Rio, Kevin caiu do quinto andar do hotel onde estava hospedado. A perícia concluiu que a morte foi acidental e não encontrou indícios de agressão ou luta corporal no quarto.
Depois disso, Deolane ampliou sua presença nas redes sociais, participando de programas de TV, além de passar a atuar também no mercado de apostas online e publicidade digital.
Uma das mansões e dos carros de luxo da advogada Deolane Bezerra, postado nas redes sociais.
Reprodução/Redes Sociais
A advogada tem atualmente cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, segundo plataformas de monitoramento de redes sociais. Ela ganhou notoriedade após começar a postar fotos de carros de luxo e das mansões onde morou ou mora atualmente, na região de Alphaville, em Barueri, cidade da Grande SP.
A rotina de luxo chamou atenção das autoridades e, em setembro de 2024, ela foi presa pela primeira vez, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais ligados a bets e casas de apostas.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Deolane investiu nada menos do que R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo nos últimos três anos.
Nas redes sociais, ela mesma fazia questão de ostentar fotos, em detalhes, de cada um dos endereços.
A influencer ficou presa por cinco dias no Recife e depois conseguiu habeas corpus, passando a responder em liberdade com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Deolane Bezerra, viúva de MC Kevin, faz tatuagem em homenagem ao cantor: 'No meu coração, só ficará momentos bons'
Reprodução/Instagram
Operação Integration
O Fantástico conseguiu informações exclusivas sobre a operação que investiga Deolane e Gusttavo Lima
A Operação Integration, da Polícia Federal de Pernambuco, apurou um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais e plataformas de apostas online, as chamadas bets.
Na época, as autoridades afirmaram que o grupo investigado usaria empresas de publicidade, eventos, casas de apostas e outras operações financeiras para ocultar dinheiro proveniente de jogos de azar ilegais.
A polícia também apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e bloqueou cerca de R$ 2,1 bilhões em bens e ativos dos investigados.
De acordo com a investigação, Deolane foi investigada por suspeita de:
Deolane Bezerra na saída da prisão na tarde desta segunda-feira (9)
Genival Paparazzi / AgNews
lavagem de dinheiro;
participação em organização criminosa;
ligação financeira com empresas investigadas no setor de apostas e jogos ilegais.
A defesa dela negou qualquer irregularidade e afirmou que ela era vítima de perseguição e abuso de autoridade.
Até o momento, não houve condenação definitiva divulgada publicamente contra Deolane nesse caso.
2ª prisão
Deolane Bezerra foi presa pela 2ª vez na manhã desta quinta-feira (21) , durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também foram alvo da operação parentes e pessoas ligadas ao líder da facção Marco Herbas Camacho (Marcola), que já está preso há anos.
Também foi preso Everton de Souza (vulgo Player), indicado como operador financeiro da organização. A defesa deles não foi localizada pela reportagem.
Outros alvos da Operação Vérnix incluem o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. No total, são seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Segundo a investigação, o esquema de lavagem envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa, considerada a maior do país.
Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC
Reprodução
Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20). Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão na casa dela, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela.
O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, que é considerado um filho de criação por Deolane, e um contador são alvos de busca e apreensão.
Everton de Souza (vulgo Player) aparece nas mensagens interceptadas durante a investigação dando orientações sobre distribuição de dinheiro da transportadora de cargas controlada pela família de Marcola e indicando contas de destino, por isso, é indicado como operador financeiro da organização.
Outros dois alvos de prisão estão no exterior, segundo a suspeita da polícia: Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha de Marcola e apontada como intermediária nos negócios da família) estaria na Espanha e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho de Marcola e apontado como o destinatário do dinheiro lavado da família) estaria na Bolívia.
Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre a nova ordem de prisão preventiva.
Também foi determinado o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados.
Sobre a investigação
A investigação começou em 2019 com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada.
O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal.
Entre os trechos analisados, chamou atenção dos investigadores a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa.
Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso.
As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
A investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.
Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos - indicado como operador central - trouxe para o MP e para a Polícia Civil ainda mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Isso abriu uma nova frente de investigação, sobre suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional.
A partir das análises, o inquérito apontou que Ciro Cesar Lemos atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles, o que o coloca como homem de confiança da liderança da facção.
As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro César Lemos. Ele está foragido, assim como a esposa.
Segundo a investigação, os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e a seus familiares. Para as transações, foram usadas as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra.
A apuração ainda constatou que essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da investigação, agora voltada a esmiuçar um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão por parte de Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
Risco de fuga e sofisticação de esquema
Ao decretar as prisões, a Justiça de São Paulo entendeu que provas do crime e indícios fortes de autoria contra todos os investigados, incluindo movimentações financeiras suspeitas e vínculos diretos com a organização criminosa, e que a prisão era necessária para a garantia da ordem pública porque os investigados continuavam operando esquema criminoso, inclusive de dentro da prisão, representando risco real de destruição de provas e interferência na investigação.
A Justiça também entendeu que outras medidas cautelares seriam insuficientes diante da sofisticação do grupo e que havia risco de fuga e ocultação de patrimônio, agravado pelo fato de alguns investigados estarem no exterior.
Deolane Bezerra Santos como recebedora de dinheiro proveniente do PCC
A investigação fez cruzamentos de provas apreendidas nos últimos anos com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas em nome da influenciadora Deolane Bezerra para identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC.
Parte das movimentações ocorrem em depósitos em espécie, partindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas, e ordenados pela cúpula da facção, segundo a investigação.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing). Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza (vulgo “Player”), que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais.
Outro fato que aparece na investigação são quase 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um homem moradora da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês.
A análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, mostram que não foram identificado nenhum pagamento relacionado a esses tais créditos, o que é apontado pela investigação como um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC.
Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados para as contas da influenciadora e de suas empresas. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. O valor diz respeito ao que ela não comprovou a origem - com indicativos de lavagem de dinheiro.