Dengue cai 98% em Ribeirão Preto, SP, mas Franca, SP, tem incidência cinco vezes maior em 2026

  • 11/08/2026
(Foto: Reprodução)
Dengue cai 98% em Ribeirão Preto, mas Franca tem incidência cinco vezes maior Os casos de dengue caíram de forma expressiva em Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP) em 2026, mas a incidência da doença ainda é maior em Franca, segundo dados das Secretarias Municipais de Saúde. De janeiro a julho deste ano, Ribeirão Preto registrou 363 confirmações da doença, contra 21.400 no mesmo período de 2025. A queda foi de aproximadamente 98%. Em Franca, também houve redução. O município contabilizou 927 casos entre janeiro e julho de 2026, ante 5.173 confirmações no mesmo intervalo do ano passado. A diferença aparece na comparação proporcional. Ribeirão Preto tem 49,6 casos a cada 100 mil habitantes. Em Franca, a taxa é de 253,6, cerca de cinco vezes maior. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Larvas do mosquito da dengue coletadas em Ribeirão Preto, SP aedes aegytpi Reprodução/EPTV Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o cenário não pode ser explicado por um único fator. Entre as hipóteses estão a imunidade da população depois das epidemias recentes, a circulação dos sorotipos, as condições climáticas, as ações de combate ao mosquito e a vacinação. Menos casos, mais mosquitos Apesar da queda nas confirmações, indicadores de infestação do Aedes aegypti aumentaram em Ribeirão Preto, segundo dados da Vigilância Epidemiológica repassados ao g1. Em julho deste ano, o Índice de Breteau, que mede a quantidade de recipientes com larvas encontrados a cada 100 imóveis vistoriados, chegou a 2,23. No mesmo período de 2025, o indicador era de 1,1. O Índice Predial, que mostra a proporção de imóveis com focos do mosquito, também subiu em 2026. O indicador chegou a 1,70 em julho, contra 1,39 em maio. Para especialistas, esse dado indica que a queda nos casos não significa ausência de risco. Uma das explicações é que parte da população pode estar protegida contra sorotipos que circularam nos últimos anos, mas o mosquito continua presente. A diretora da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, Luzia Márcia Romanholi Passos, afirma que o alerta precisa ser mantido. “Nós não podemos baixar a guarda e deixar de eliminar criadouros, porque, em Ribeirão Preto, o risco é contínuo. A preocupação tem que ser contínua, tanto nossa, de manter o trabalho, quanto da população”, diz. O pediatra Homero Antônio Rosa Júnior, de Franca, também avalia que a presença de larvas exige atenção. Segundo ele, o aumento da infestação pode influenciar o comportamento da dengue nos próximos meses. “Isso pode ser indício de que o ano que vem tenha muito mais casos do que este ano. Se há mais larvas nos pontos coletados, há uma chance maior de casos”, afirma. Agentes em dia de mutirão contra a dengue em Ribeirão Preto, SP Prefeitura de Serrana Barreira da imunidade coletiva Segundo os especialistas, um dos fatores que ajudam a explicar a queda em 2026 é a imunidade coletiva criada depois das epidemias registradas em 2024 e 2025. A avaliação é que muitas pessoas contraíram dengue nesses dois anos e passaram a ter proteção contra os sorotipos responsáveis pela infecção. Em Ribeirão Preto, os sorotipos 1 e 2 foram predominantes nesse período, segundo Luzia. “Muitas pessoas já foram infectadas, já adoeceram e, portanto, são imunes. Isso vai formando barreiras para a transmissão. Quem teve dengue pelo sorotipo 1 não tem mais a doença pelo 1. Quem teve pelo sorotipo 2 também não”, explica. Homero concorda que a chamada memória imunológica da população pode ter contribuído para segurar os números neste ano. “Se muita gente foi acometida nos últimos anos pelo subtipo 1, isso dá uma memória imunológica para esse subtipo específico”, diz. O mosquito Aedes aegypti Freepik Por que Franca registra incidência maior? Embora Ribeirão Preto e Franca tenham registrado queda nos casos, os especialistas afirmam que a comparação entre as cidades exige cautela. Segundo Luzia, o histórico epidemiológico dos municípios é diferente. Ribeirão Preto convive com grandes epidemias de dengue há décadas. Franca, por ter clima mais frio, demorou mais para enfrentar surtos de grande proporção. “A gente precisa ter muito cuidado quando vai comparar cidade com cidade. O comportamento da imunidade da população em Franca é muito diferente”, afirma. Homero também aponta essa diferença. Segundo ele, Franca passou muitos anos com poucos casos, mas viu a doença avançar a partir de 2021. “Franca teve uma defasagem de tempo para chegar nessa situação que está hoje. De 2021 para cá, nós aumentamos bastante o número de casos graves e de óbitos”, diz. Larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue Ribeirão Preto franca, SP Reprodução/EPTV LEIA TAMBÉM Dengue: agentes ficam sem entrar em quase metade das casas durante vistorias em Ribeirão Preto Vacina contra a dengue: 27% das crianças e adolescentes estão imunizados na região de Ribeirão Preto Tendas, contêiner e atendimento em 'Y': Ribeirão Preto anuncia medidas para combate à dengue O debate sobre a vacina A vacinação também entrou no debate sobre a redução dos casos. Embora a imunização seja importante, o médico não acredita que as doses aplicadas até agora tenham sido responsáveis pela queda expressiva nos números de 2026. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o imunizante para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Segundo Homero, o público escolhido apresenta baixa incidência de quadros severos. "A faixa etária escolhida de 10 a 14 anos é de poucos casos de importância clínica e mesmo de óbitos, pouquíssimos. E muitos adolescentes se recusaram a tomar a vacina", explica o pediatra. Para o especialista, a estratégia atual do Ministério da Saúde precisaria ser revista para alcançar a parcela da população que realmente lota os hospitais e sofre com os agravamentos. "A partir de 30 anos que avança, de 60 para cima que realmente temos muito mais óbitos. Essa faixa etária escolhida pelo Ministério da Saúde tecnicamente não tem sentido. Para ter impacto mesmo na contenção do avanço da doença, teria que vacinar pessoas acima de 30 anos", argumenta. Diante desse cenário, Homero defende que a ampliação da cobertura vacinal seria a única alternativa capaz de mudar a situação epidemiológica do país a longo prazo. Na visão do médico, isso significa imunizar pelo menos 80% dos brasileiros. "A única saída possível que eu visualizo seria a vacinação em massa contra o vírus. Nós não vamos acabar com a doença, mas vamos conter o avanço do vírus, administrar casos mais leves e com menos mortes", conclui. Vacina contra a dengue Reprodução/ TV Anhanguera Ações de combate e alerta No primeiro semestre, a Prefeitura de Ribeirão Preto vistoriou 313.760 imóveis e eliminou 14.468 focos do mosquito transmissor da dengue. O município também recolheu mais de 17 toneladas de materiais que serviam de criadouros e mantém 1.300 estações disseminadoras de larvicida. Em Franca, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as ações de prevenção e controle seguem as diretrizes nacionais do Ministério da Saúde e são planejadas de acordo com o mapeamento das regiões com maior necessidade de intervenção. Entre as medidas estão visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, remoção de focos de larvas, mutirões de limpeza e ações educativas. O município também realiza avaliações de densidade larvária para identificar áreas críticas e direcionar o trabalho das equipes. A estratégia inclui ainda notificações de terrenos, arrastões para recolhimento de materiais que podem acumular água e campanhas de conscientização em escolas, locais de grande circulação e meios de comunicação. Para Luzia, as ações são fundamentais, mas não explicam sozinhas a redução dos casos. Homero também aponta limitações no controle do mosquito, principalmente porque parte dos imóveis não consegue ser vistoriada. “Você tenta controlar o inseto, mas sabe-se que uma boa parte das casas não consegue ser vistoriada”, afirma. Especialistas também alertam para a circulação do sorotipo 3 no Brasil. Como a imunidade adquirida nos últimos anos protege contra sorotipos específicos, uma mudança no vírus predominante pode aumentar o risco de novos surtos. Com a volta das chuvas no segundo semestre, a orientação é manter a eliminação semanal de criadouros dentro de casa. “Contra a dengue, a gente precisa de conhecimento, atitude e prática. A atitude é ir lá e eliminar o criadouro, mas não se pode fazer isso uma vez por mês e esquecer. Tem que ser uma prática de toda semana”, afirma Luzia. Agentes em dia de mutirão contra a dengue em Ribeirão Preto, SP Divulgação *Sob supervisão de Lucas Zanetti Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/08/11/dengue-cai-98percent-em-ribeirao-preto-sp-mas-franca-sp-tem-incidencia-cinco-vezes-maior-em-2026.ghtml


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