CPI do INSS encerra trabalhos sem aprovar relatório final
28/03/2026
(Foto: Reprodução) CPI do INSS encerra trabalhos sem aprovar relatório final
Reprodução/Jornal Nacional
Depois de quase dezesseis horas de discussão, a CPI do INSS terminou os trabalhos na madrugada sem aprovar um relatório final.
O relatório do deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil, pedia o indiciamento de 216 pessoas por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva.
Durante a sessão, parlamentares da base e da oposição trocaram acusações sobre a origem dos desvios e o combate às irregularidades.
"Essa é a gênese do que aconteceu, e o Governo Bolsonaro não combateu", disse Rogério Correia (PT-MG). "Foi preciso o Governo do Presidente Lula para iniciar esse combate, através da Controladoria-Geral, da Polícia Federal e, é claro, daqui da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, daqueles que não taparam os olhos para achar e olhar só o momento atual. Várias vezes, eu disse: 'Olha, o relatório parece que vai abordar apenas o que aconteceu posteriormente ao Governo Bolsonaro, como se não existisse passado'. Parece uma sina dos bolsonaristas: esquecem o passado. É o negacionismo da história."
"Foi esta Comissão que impediu a investigação seletiva", disse o senador Rogério Marinho (PL-RN). "Lembrem-se que quando a AGU e a CGU começaram finalmente a se debruçar de uma maneira séria a respeito do tema, apenas 11 entidades estavam arroladas na investigação inicial. Foi esta CPMI — com a cobrança, com a forma incisiva, dura com que foi colocada — que fez com que essa investigação fosse ampliada para as demais trinta e tantas associações, inclusive aquelas protegidas pelo governo atual."
Deputados e senadores da base do governo apresentaram um relatório alternativo.
Já de madrugada, a senadora Eliziane Gama apresentou uma questão de ordem, pedindo esclarecimentos sobre o que ocorreria se o relatório oficial fosse rejeitado. E defendeu a votação do outro texto:
"Vencido o Relator e havendo a apresentação de relatório alternativo, é consequência lógica das disposições regimentais citadas que ele seja submetido à apreciação do Colegiado e isso deve se dar na mesma reunião, se a maioria decidir nesse sentido."
A votação do relatório oficial começou depois de uma da manhã. O documento foi rejeitado por 19 deputados e senadores da base do governo e do Centrão. Doze parlamentares da oposição votaram a favor.
Só então o presidente da comissão, senador Carlos Viana, do Podemos, respondeu ao questionamento da senadora:
"É descabida a questão de ordem e qualquer outro tipo de provocação que vide obrigar a presidência a designar imediatamente um relator. O pedido está indeferido."
O senador afirmou que uma cópia do relatório de Alfredo Gaspar será enviada para a Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República.
A CPI mista do INSS teve duração de seis meses. A comissão foi criada para apurar descontos ilegais em benefícios de milhões de aposentados e pensionistas. A Polícia Federal estima que o esquema tenha desviado até seis bilhões de reais.