Corregedoria faz operação contra 2 policiais suspeitos de cobrarem propina para interferir em investigações e negociar cargos
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Sede da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, na Rua da Consolação, região central da capital paulista.
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
A Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fazem nesta quinta-feira (12) uma operação para cumprir medidas cautelares contra dois investigadores de classe especial após evidências de envolvimento deles em um esquema de corrupção e tráfico de influência dentro da corporação.
A investigação, que tramita sob sigilo, é baseada em dados extraídos de celulares apreendidos na “Operação Face Off”. Segundo os documentos, as mensagens revelaram diálogos de Tania Aparecida Nastri e Carlos Huerta sobre pagamento de propinas e interferências em apurações internas.
De acordo com as apurações, os policiais teriam usado suas funções para obter informações privilegiadas em sistemas da corporação e assediar delegados responsáveis por investigações disciplinares.
Entre os episódios citados estão negociações para custear viagens de luxo a Dubai e o pagamento de valores em dinheiro para garantir benefícios administrativos, como transferência de unidades e gestão de férias.
Atualmente, Tânia trabalhava no Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (DOPE) e Huertas é chefe no 13º Distrito Policial da Casa Verde. Houve buscas em ambas delegacias onde os dois dão expediente. A defesa deles ainda não foi encontrada. O g1 tenta contato.
Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o afastamento imediato dos investigadores de suas funções públicas, a suspensão de suas atividades como sócios de empresas e a proibição de acesso a redes sociais e aplicativos de mensagens.
Também foi autorizada busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais dos investigados para recolher provas, como celulares, computadores e documentos.
A decisão judicial se baseia em investigações que apontam o envolvimento dos agentes em um esquema de recebimento de propinas estimado em R$ 1,5 milhão para interromper a “Operação Alfaiate”, que apurava o tráfico internacional de drogas.
Segundo as apurações, os pagamentos teriam sido feitos por narcotraficantes ligados a uma organização criminosa e intermediados por advogados.
Parte do valor, cerca de R$ 800 mil, teria sido depositada na conta de uma empresa de locação de veículos, enquanto outros R$ 700 mil teriam sido entregues em dinheiro.
Mensagens extraídas de celulares de outros investigados já presos indicam ainda que os policiais realizavam interferências indevidas em apurações da Corregedoria, acessavam dados sigilosos e negociavam vantagens pessoais, como presentes e passagens internacionais.
O g1 também procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) para comentar o caso, mas ainda não recebeu retorno.