Coração com a mão e míssil no ar: Caco Barcellos flagra outdoor com sinal de amor a foguete no Irã
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Exclusivo: Caco Barcellos e Thiago Jock conseguem autorização para entrar no Irã
Em meio à guerra no Irã, um contraste chamou a atenção do repórter Caco Barcellos: um outdoor com gesto de amor direcionado a um míssil. A imagem que resume o clima no país, onde manifestações de afeto e patriotismo convivem com a escalada militar e os bombardeios constantes.
Em reportagem exclusiva do Fantástico deste domingo (12), Barcellos e o repórter Thiago Joque mostram os bastidores de uma viagem rara ao país em guerra. Eles conseguiram entrar no Irã após uma checagem de duas horas na fronteira, algo que, segundo o relato, “centenas de repórteres já tentaram, continuam tentando e não conseguiram”.
Foram seis dias em Teerã, a capital, registrando os impactos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o regime iraniano. O cenário é de destruição e tensão constante. “O que mais nos impressiona nesta guerra é que o perigo é invisível, vem de cima”, relata Barcellos. “Não se ouve nem o barulho dos aviões que lançam os mísseis.”
A equipe acompanhou funerais de militares mortos em ataques e encontrou uma população dividida entre o luto, o nacionalismo e a tentativa de manter a rotina. Em meio ao cortejo, uma jovem criticou duramente os Estados Unidos: “Esse governo americano é o pior de todos os tempos”.
Equipe acompanhou funeral de um general da marinha iraniana
Fantástico
Os ataques atingem diferentes alvos. Em áreas residenciais, um único míssil destruiu casas e deixou dezenas de mortos. Em um dos locais visitados, 25 pessoas morreram. “É um conjunto de prédios residenciais que virou isso: escombros”, descreve o repórter.
Hospitais e centros de saúde também foram atingidos. Médicos protestaram contra os bombardeios. “Não se pode bombardear infraestruturas de saúde”, afirmou uma médica. Segundo profissionais locais, mais de 300 unidades foram afetadas durante o conflito.
A equipe também visitou universidades atacadas e áreas onde cientistas ligados ao programa nuclear foram mortos. Autoridades ocidentais acusam o Irã de desenvolver armas atômicas, o que é negado pelo governo iraniano, que afirma usar o programa apenas para geração de energia.
Apesar da guerra, a vida segue nas ruas. Famílias fazem piqueniques, jovens se reúnem e manifestações acontecem diariamente. Em uma delas, moradores ofereceram chá e doces aos participantes. “Não temo as ameaças”, disse um pesquisador à reportagem.
Área atingida por bombas, levando a morte de 25 pessoas no Irã
g1
À noite, multidões ocupam as ruas em protestos contra Estados Unidos e Israel. Mesmo sob risco de novos ataques, não há abrigos preparados. “A ameaça vem do céu”, diz Barcellos.
A reportagem também mostra episódios emblemáticos do conflito, como o bombardeio a uma escola que matou 170 crianças. Segundo investigação do jornal The New York Times, o ataque foi feito com base em informação desatualizada — o local teria deixado de ser uma base militar anos antes.
De acordo com o governo iraniano, mais de 3 mil pessoas morreram desde o início da guerra. Em parques da capital, memoriais improvisados homenageiam as vítimas, principalmente crianças.
Ao longo da cobertura, os jornalistas destacam o controle do regime sobre a sociedade e a dificuldade de ouvir opositores. Tentativas de entrevista não tiveram sucesso.
Na última noite da equipe no país, o clima era de expectativa após um ultimato do presidente Donald Trump. Mesmo assim, multidões permaneceram nas ruas. Horas depois, já durante o retorno dos repórteres ao Brasil, foi anunciado um cessar-fogo e o início de negociações para encerrar o conflito.
Caco Barcellos entrevistou porta-voz do ministro das Relações Exteriores do Irã
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Piquenique em Teerã
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