Contador alvo de operação por fraude fiscal apoiava esquema que causou prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres de MT
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Empresa com endereço de penitenciária é alvo de operação contra fraude fiscal em MT
Um contador é apontado pela Polícia Civil como o principal articulador do esquema de empresas fantasmas voltado à sonegação fiscal em Mato Grosso. Ele foi alvo da Operação CNPJ na Cela, nessa nesta terça-feira (3), e era investigado na Operação Hortifraude, que apurava um esquema no setor de hortifruti que causou um prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres públicos.
Segundo as investigações, o profissional, que não teve a identidade divulgada, usava o próprio registro para estruturar e validar fraudes fiscais, criando empresas de fachada e emitindo notas fiscais sem lastro. Por causa da gravidade dos fatos e da reincidência no uso da profissão para encobrir crimes, a Justiça determinou a suspensão do exercício profissional do contador.
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As investigações são conduzidas pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT).
Deflagrada em setembro de 2025, a Operação Hortifraude cumpriu 148 medidas judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, e no estado de São Paulo, com o apoio da Polícia Civil paulista.
CNP na Cela
Já a Operação CNPJ na Cela foi cumprida nos municípios de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, e Várzea Grande, na região metropolitana da capital.
No esquema investigado na operação CNP na Cela, o contador não se limitava à prestação de serviços burocráticos. De acordo com a polícia, ele teria usado a função para dar aparência de legalidade a negócios inexistentes, operando cadastros, validando informações falsas e mantendo empresas de fachada que emitiam notas fiscais sem lastro. As investigações iniciais identificaram mais de R$ 190 mil em prejuízo, porém com o avanço das investigações é possível que os valores cheguem a cifras milionárias, aponta a polícia.
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados judiciais, sendo nove de busca e apreensão pessoal e domiciliar e 21 de suspensão do exercício de atividades econômicas ou financeiras de empresas investigadas, além da quebra de sigilo de dados telemáticos, a suspensão do registro profissional de um contador e a interrupção das atividades das empresas envolvidas.
O esquema também incluía a simulação de atividade rural e o uso de dados pessoais de terceiros para abertura das empresas, em muitos casos de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou com ligação com o sistema prisional. Em um dos casos, a empresa tinha como endereço oficial o local de uma penitenciária, conforme as apurações.
Contador alvo de operação nesta semana já havia sido investigado em ação de 2025
PJC-MT