'Chegavam a cobrar R$ 500 mil pela aprovação': esquema de fraude em concursos tinha preço por cargo e incluía ‘mensalidade’
26/03/2026
(Foto: Reprodução) Fraude em concursos podia custar até R$ 500 mil, diz PF
Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de fraudes em concursos públicos que cobrava até R$ 500 mil para garantir a aprovação de candidatos em cargos de alto nível.
De acordo com apuração exibida pelo Fantástico, a organização criminosa atuava em seleções em todo o país, incluindo concursos para tribunais, bancos federais e universidades. O valor pago variava conforme o cargo pretendido — quanto mais alto o salário e poder do posto, maior era o preço cobrado pela quadrilha.
"A remuneração da organização criminosa variava de acordo com o cargo para o qual as pessoas concorriam. Os cargos mais altos chegavam a cobrar R$ 500 mil por essa aprovação", diz o superintendente da Polícia Federal.
Segundo a Polícia Federal, os pagamentos nem sempre eram feitos à vista. Em muitos casos, os candidatos parcelavam os valores ou adquiriam bens de alto valor, como carros de luxo, como forma de quitar a dívida com a quadrilha. Também havia casos em que os beneficiados passavam a pagar uma espécie de “mensalidade” após a aprovação.
Entre os métodos utilizados estavam o uso de “bonecos” — pessoas pagas para fazer a prova no lugar do candidato —, pontos eletrônicos, além de fotografias dos cadernos de questões e do gabarito, enviadas antes ou durante a aplicação da prova.
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Investigação desmontou esquema de fraudes em concurso público
Reprodução/TV Globo
Investigações
A investigação começou com uma denúncia anônima que levou os investigadores até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, na cidade de Patos, na Paraíba. Ele e dois parentes foram aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, com salário superior a 22 mil reais.
No celular da sobrinha dele, Larissa Neves, a polícia encontrou áudios que ajudam a explicar o esquema.
"O custo vai ser dobrado porque tem como ter vigilante, tem que corromper a chefe do vigilante. É um rolo do desativar as canas. É como se fosse ter um 'boneco', entendeu?".
As investigações também identificaram Thyago José de Andrade como chefe da organização criminosa. Ele seria responsável por cooptar funcionários de instituições organizadoras de concursos em todo o Brasil. Além do CNU, o grupo atuava em seleções para tribunais, bancos federais e universidades.
Mensagens interceptadas mostram negociações que envolviam centenas de milhares de reais. Em um dos áudios, Wanderlan fala sobre uma dívida de R$ 400 mil a Thyago por um serviço prestado a um candidato.
Avanço das investigações
A investigação avançou após a delação de Thyago e da namorada dele, Laís Giselly Nunes de Araújo. A partir daí, surgiram novos nomes, entre eles o do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento.
Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Dois professores suspeitos de resolver provas para candidatos foram presos. O delegado-geral de Alagoas foi alvo de busca e apreensão.
Outro caso investigado é o de uma candidata,14459654. Segundo a PF, o marido dela, delegado em Pernambuco, teria pago pela sua aprovação. Ela continua trabalhando como auditora.
As defesas dos investigados Antônio Limeira das Neves e Larissa de Oliveira Neves negam as acusações ou afirmam que ainda não há denúncia formal. Thyago José e Laís dizem que não fazem parte de nenhuma organização criminosa e que são inocentes.
A fundação responsável pela organização do concurso diz que também é vítima das fraudes.
Os outros não conversaram com a reportagem. Os investigados podem responder por crimes como fraude em concurso público, organização criminosa e concussão.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Polícia Federal aponta Chefe da Polícia Civil de Alagoas como partipante de esquema de fraudes em concursos públicos
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