Chega de “apenas diga não”: escolas canadenses terão diretrizes para lidar com uso de substâncias por estudantes

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Bandeira canadense é vista a meio mastro no Consulado Geral do Canadá em Nova York, nos Estados Unidos. O primeiro ministro canadense Stephen Harper prometeu 'não deixar se intimidar' após ataque de mulçumano convertido ao Parlamento Timothy A. Clary/AFP A mensagem para os estudantes costumava ser simples: “Apenas diga não”. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, nas escolas de hoje, essa mensagem não está apenas ultrapassada — ela pode fazer parte do problema. Em todo o Canadá, o uso de substâncias por estudantes tem se tornado uma preocupação crescente. Segundo a pesquisa nacional mais recente com alunos, 15% dos estudantes do 7º ao 12º ano relataram ter usado cigarro eletrônico no último mês, e 18% disseram consumir múltiplas substâncias ao mesmo tempo. Vídeos em alta no g1 Muitos alunos do 7º ano não conseguem identificar os riscos à saúde relacionados a substâncias às quais têm fácil acesso. As escolas querem responder de forma mais eficaz. Mas muitas estão fazendo isso sem um direcionamento claro. Novo padrão baseado em evidências Um novo padrão nacional canadense, que será lançado oficialmente em breve, pretende mudar esse cenário. O documento estabelece como devem ser as ações de prevenção, educação e intervenção relacionadas ao uso de substâncias, da educação infantil até o ensino médio Em vez de prescrever um único programa, o padrão oferece uma estrutura compartilhada e baseada em evidências, descrevendo princípios, práticas e modelos com maior potencial de impacto. Ele foi criado para complementar o que províncias, territórios e distritos escolares já fazem atualmente. Mas o padrão, sozinho, não mudará o que acontece nas escolas. Sem apoio em nível sistêmico, até mesmo as melhores orientações correm o risco de ficar esquecidas. Uma pesquisa nacional realizada pelos autores com mais de 200 administradores escolares do ensino básico mostrou essa lacuna. Quase 90% relataram desafios frequentes relacionados ao uso de substâncias por estudantes, sendo o vape a principal preocupação. Embora quase dois terços afirmem estar dispostos a mudar a abordagem adotada, poucos acreditam ter evidências, recursos ou apoio suficientes para fazer isso de maneira eficaz. Sem alternativas claras, muitas escolas acabam recorrendo a respostas conhecidas, especialmente políticas de tolerância zero que podem levar à suspensão ou expulsão dos alunos — medidas que rompem justamente os vínculos que ajudam a proteger jovens dos danos associados ao uso de substâncias. Segundo os autores, isso não representa uma falha dos educadores individualmente, mas sim um problema estrutural. O novo padrão foi elaborado considerando os desafios enfrentados atualmente pelos jovens, incluindo a popularização do vape, a legalização da cannabis e o aumento da toxicidade no mercado de drogas. Sem diretrizes compartilhadas, as abordagens variam muito e muitas ainda se baseiam em táticas de medo e mensagens focadas apenas na abstinência, estratégias que décadas de pesquisa mostram não ter impacto duradouro. O problema vai além da sala de aula. Uma análise de quase uma década de cobertura jornalística canadense mostrou que o uso de substâncias por jovens costuma ser tratado como um problema individual, com adolescentes retratados como ameaça a si mesmos. Segundo os autores, essas narrativas ignoram fatores sociais e estruturais mais amplos que influenciam o consumo de substâncias, dificultando a adoção, pelas escolas, de abordagens mais acolhedoras e eficazes. Como o novo padrão é diferente O novo padrão foi desenvolvido por meio de uma parceria nacional entre o Wellstream: The Canadian Centre for Innovation in Child and Youth Mental Health and Substance Use, da University of British Columbia, o Canadian Centre on Substance Use and Addiction e a Canadian Association of School System Administrators. Também participaram da estratégia de implementação organizações como a Physical and Health Education Canada e a Students Commission of Canada. Educadores, pesquisadores, profissionais da saúde e representantes indígenas contribuíram para o desenvolvimento do projeto. Os jovens também participaram da construção da proposta desde o início. Estudantes integraram o comitê técnico, e suas vozes foram incorporadas como princípio orientador. Pesquisas mostram que abordagens desenvolvidas com participação dos jovens tendem a ser mais relevantes e eficazes, além de mais alinhadas às experiências reais. Idades diferentes exigem estratégias diferentes No centro da proposta está uma ideia simples, mas frequentemente ignorada: o que funciona para uma criança de 10 anos não funciona necessariamente para um adolescente de 17 anos. O novo padrão é organizado por estágios de desenvolvimento e níveis de apoio. Em vez de um programa único para todos, ele descreve práticas eficazes de prevenção, educação e intervenção — desde o fortalecimento de habilidades socioemocionais nas séries iniciais até o suporte direcionado para adolescentes que já fazem uso de substâncias. As evidências mostram que abordagens eficazes precisam evoluir conforme o desenvolvimento dos estudantes. Crianças menores se beneficiam mais do fortalecimento de competências pessoais; adolescentes mais novos respondem melhor a estratégias voltadas para normas sociais; e adolescentes mais velhos precisam de abordagens focadas em influência social e transições da vida. Uma revisão de estudos e meta-análises realizada pelos autores mostrou que os programas atuais costumam produzir apenas efeitos modestos, em parte porque o sucesso é frequentemente definido apenas como abstinência. O novo padrão amplia essa visão e passa a considerar resultados como bem-estar, vínculo com a escola e busca por ajuda. O documento também defende o abandono de respostas punitivas. Quando um estudante é flagrado usando vape, por exemplo, a suspensão pode interromper temporariamente o comportamento, mas não resolve o problema e ainda pode afastar o jovem de redes de apoio. Pesquisas de longo prazo mostram que práticas disciplinares excludentes e maior presença policial nas escolas estão associadas a taxas mais altas de uso de substâncias ao longo do tempo. Em vez disso, o novo padrão prioriza abordagens restaurativas e planos de apoio voltados à saúde, à segurança e à permanência do estudante na escola. O que as escolas precisam para fazer isso funcionar Mesmo o padrão mais robusto não terá sucesso sem condições adequadas para implementação. Os educadores já enfrentam sobrecarga. Sem tempo, recursos e capacitação dedicados, a iniciativa corre o risco de se tornar apenas mais uma proposta bem-intencionada pouco utilizada. Para apoiar a implementação, o padrão será acompanhado de uma ferramenta de autoavaliação que ajudará escolas a identificar onde suas práticas já estão alinhadas às evidências e onde ainda há espaço para melhorias. A proposta não é funcionar como auditoria, mas apoiar um processo contínuo de aperfeiçoamento. Os autores afirmam, porém, que mudanças significativas exigirão novos investimentos, incluindo tempo para formação profissional, criação de cargos específicos e parcerias mais fortes entre os sistemas de educação e saúde. Materiais de apoio também estão sendo desenvolvidos para ajudar nessa implementação, como treinamentos, conteúdos informativos para redes de ensino, famílias e estudantes, além de uma rede de especialistas e documentos explicando como o padrão se conecta a estruturas internacionais, nacionais e provinciais já existentes. A mensagem para os alunos não pode mais ser reduzida a "apenas diga não." Apoiar os jovens hoje exige abordagens que reflitam a complexidade de suas vidas — fundamentadas em evidências, conexão e cuidado. As escolas estão prontas para ir além das respostas ultrapassadas. Agora, os sistemas educacionais devem apoiá-los nesse processo. *Reg Klassen, diretor executivo da Associação Canadense de Administradores do Sistema Escolar, e Ryan Fahey, gerente de programas e educação da Physical and Health Education Canada, coautoraram esta matéria.

FONTE: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/10/escolas-canadenses-terao-diretrizes-para-lidar-com-uso-de-substancias.ghtml


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