Chanceler do Irã acusa EUA e Israel de genocídio e pede que ONU condene ataque a escola em Minab, que matou mais de 170
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi
REUTERS/Dilara Senkaya/File Photo
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra e pediu que a ONU condene os dois países pelo ataque à escola em Minab, que deixou matou cerca de 175 pessoas, entre alunos e professores.
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A acusação de Araqchi ocorreu em fala ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). A sessão em Genebra teve como tema central o ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, localizada em Minab, no sul do país, ocorrido no primeiro dia da guerra entre EUA, Israel e Irã.
"Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio", afirmou Araqchi.
O chanceler iraniano disse que as vítimas do ataque foram "massacrados de forma completamente intencional e brutal", em um crime de guerra e contra a humanidade. O bombardeio foi feito por engano pelo Exército dos EUA, segundo análises da mídia norte-americana. Uma investigação militar, que ainda se encontra em etapa preliminar, também indicou que as forças dos EUA teriam responsabilidade no ocorrido. (Leia mais sobre o ataque abaixo)
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Veja abaixo outras coisas que Araqchi falou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em sessão nesta sexta:
acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas durante a guerra, o que resultou em mais de 1.000 alunos e professores mortos ou feridos;
voltou a criticar os EUA por iniciarem a guerra durante negociações nucleares entre os dois países;
criticou ameaças de ataques a infraestruturas vitais —feitas pelos EUA nos últimos dias— e disse que instalações dessa natureza e também civis já sofreram ataques durante a guerra;
disse que o Irã nunca buscou a guerra e continuará se defendendo pelo tempo que for preciso.
Os Estados Unidos não tiveram um orador na sessão do conselho para se defender das acusações de Araqchi. Oficialmente, o governo Trump acusa o Irã pelo ataque à escola em Minab e diz que não tem civis como alvo.
O representante do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o ministro André Simas Magalhães, afirmou que o país condena fortemente o ataque. "Este ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo", disse.
Esta reportagem está em atualização.