Briga por chiclete: defesa de piloto que deixou jovem em coma pede habeas corpus ao STJ
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia prende Pedro Turra, jovem piloto que brigou com um adolescente de 16 anos, internado em coma.
A defesa do piloto e empresário Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, entrou com um novo pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quarta-feira (4).
O pedido foi protocolado no sistema do STJ, mas ainda não começou a tramitar.
Os advogados afirmaram em nota (veja a íntegra abaixo) que atuam “de forma plena, técnica e responsável”, utilizando todos os instrumentos jurídicos previstos na Constituição e em respeito ao Estado Democrático de Direito.
A defesa diz ainda esperar que o ministro relator promova a “redignificação do devido processo legal”, restaurando garantias constitucionais que, segundo a defesa, vêm sendo “tensionadas e desrespeitadas”.
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Cela individual
Pedro Turra segue preso no Complexo Penitenciária da Papuda, em Brasília — mas isolado dos demais detentos. Nesta quarta, a Justiça do DF manteve a garantia de cela individual.
Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP) desde segunda-feira (2) – ele é investigado por deixar um adolescente de 16 anos em coma após uma sequência de socos.
No domingo (1º), ele foi transferido a uma cela individual após relatar ameaças feitas por policiais e por outros presos.
A decisão é do desembargador Diaulas Ribeiro, da 2ª Turma Criminal. A direção da Papuda também defendeu que Turra seja mantido em cela individual até segunda ordem.
"Asseguro a cela individual até que haja alteração da base fática e/ou jurídica e pedido do Ministério Público", diz Ribeiro no despacho.
➡️No dia 23 de janeiro, o piloto Pedro Turra e o jovem de 16 anos se envolveram em uma briga. A confusão começou por conta de uma brincadeira em que Pedro jogou um chiclete mascado na direção de outra pessoa.
➡️ Turra chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola. E voltou a ser preso preventivamente nesta sexta (30), por ordem da Justiça.
➡️ Pedro Turra já é investigado por quatro denúncias – duas delas, de episódios anteriores que só foram levados à polícia após a repercussão da briga recente. São três agressões e uma tentativa de dar bebida a uma jovem menor de idade.
Quando pediu posicionamento da direção da Papuda, no início da semana, Diaulas Ribeiro reforçou que Pedro Turra não tem direito a prisão especial e não está em uma cela especial.
"O seu direito, sob encarceramento, é o de ter incólume sua integridade física. Por enquanto, mantenho a prisão em cela individual, sujeitando-o, contudo, às mesmas condições dos demais presos", disse o magistrado.
Pedro Turra, em vídeo divulgado pela defesa
Arquivo pessoal/Reprodução
Família torce por melhora
Em entrevista a exclusiva à TV Globo, o pai falou sobre a confiança da família na recuperação do jovem.
"Eu vou ficar aqui até ele sair daqui comigo em pé, andando, conversando comigo. [...] Essa é a minha expectativa, de sair com ele daqui bem, sem sequelas, pra contar a história."
Por medo de retaliações, o homem pediu que a voz, o rosto e o nome fossem mantidos em sigilo.
Briga por chiclete: 'Vou ficar aqui até ele sair daqui andando e conversando', diz pai
"Na verdade, ele chegou a morrer. Ele foi ressuscitado após 12 minutos pela equipe aqui do hospital. A enfermeira abriu a porta e falou: ‘Ele voltou’. Quando ele voltou, a gente desabou a chorar, né?", contou o pai.
Após ser reanimado, o adolescente foi levado diretamente para a cirurgia. Os médicos identificaram uma hemorragia entre o crânio e a dura-máter — uma das membranas que cumprem a função de proteger mecanicamente o cérebro e a medula espinhal.
Para conter o edema cerebral, foi necessário retirar parte do osso do crânio.
Após a agressão, o adolescente foi socorrido pelo pai de um amigo. Ainda no carro, o jovem ligou para o pai.
Desde então, o jovem segue internado em estado gravíssimo em um hospital particular de Águas Claras. Ele está em coma induzido, sedado, entubado, sob monitoramento constante e sem previsão de alta.
Agressor foi levado para a Papuda
Piloto que deixou adolescente em coma após briga por chiclete é preso no DF
O piloto e empresário Pedro Turra, preso acusado de agredir o adolescente, foi encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda nesta segunda-feira (2). A informação foi confirmada pelo advogado de Pedro Turra.
O piloto foi preso na casa da mãe na sexta-feira (30). Neste domingo, a defesa alegou supostas ameaças de presos e agentes policiais, e Turra foi transferido para uma cela isolada no Departamento de Polícia Especializada.
Segundo o Tribunal de Justiça do DF, ele estava na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) e foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.
Na decisão que autorizou a transferência para uma cela especial, o juiz determinou a transferência de Turra para uma cela isolada devido ao risco à sua integridade física dado a exposição do caso.
Em nota, a defesa do adolescente agredido pelo piloto lamentou a decisão da transferência para a cela especial. "Reforça a sensação de privilégio e tratamento diferenciado, algo que, infelizmente, vem sendo observado desde o início do caso."
Pedro Turra é suspeito de agredir adolescente de 16 anos em Vicente Pires.
TV Globo/Reprodução
Quais são os casos em investigação?
Ao todo, quatro ocorrências envolvendo Pedro Turra estão sendo investigadas pela Polícia Civil. São elas:
a agressão da última sexta-feira (24) contra o adolescente de 16 anos;
uma briga em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 (registrada naquele mês);
a denúncia de uma jovem que afirma que Pedro a forçou a ingerir bebida alcoólica quando ela ainda era menor de idade;
e a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito (veja abaixo).
O que diz a defesa
"A defesa de Pedro Arthur Turra Basso afirmou, em nota (veja a íntegra abaixo), que atua “de forma plena, técnica e responsável”, utilizando todos os instrumentos jurídicos previstos na Constituição e em respeito ao Estado Democrático de Direito.
Os advogados disseram esperar que o ministro relator promova a “redignificação do devido processo legal”, restaurando garantias constitucionais que, segundo a defesa, vêm sendo “tensionadas e desrespeitadas”.
A Defesa Técnica de PEDRO ARTHUR TURRA BASSO, informa que atua de forma plena, técnica e responsável, utilizando todas as ferramentas jurídicas constitucionalmente asseguradas, em estrita observância ao Estado Democrático de Direito.
No exercício desse dever, foi impetrado Habeas Corpus perante o Superior Tribunal de Justiça, onde se aguarda que o Eminente Ministro Relator proceda à necessária redignificação do devido processo legal, restabelecendo as garantias e direitos constitucionais que, até o presente momento, mostram-se frontalmente tensionados e desrespeitados.
A Defesa confia que o controle jurisdicional superior atuará como instância de equilíbrio, pois não é compatível com a Constituição Federal um cenário em que o Estado tudo pode e o cidadão nada pode. A normalização de exceções, o esvaziamento das garantias e a flexibilização do devido processo conduzem, inevitavelmente, a tempos sombrios, incompatíveis com uma ordem jurídica fundada na legalidade, na dignidade da pessoa humana e na presunção de inocência.
O processo penal não é palco, a prisão cautelar não é instrumento de exposição pública, e a Justiça não pode ser substituída pelo clamor midiático.
A Defesa seguirá atuando com serenidade, firmeza técnica e absoluto compromisso com a legalidade constitucional, confiando que o Direito — e não o espetáculo — prevalecerá."
Vídeo mostra piloto Pedro Turra agredindo homem em meio a discussão em Águas Claras, no DF
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