Banco Central identifica indícios de fraudes do Banco Master em transações com fundo investigado por ligação com PCC
31/12/2025
(Foto: Reprodução) Caso Master: Banco Central identifica indícios de crimes em negociações com fundos da Reag
Nos esclarecimentos que apresentou ao Tribunal de Contas da União, o Banco Central relatou indícios de crimes do Banco Master com uma gestora do setor financeiro, que se chama Reag, e está sendo investigada por ligação com o PCC.
Ontem, depois de divergências nos interrogatórios, a Polícia Federal concluiu a acareação entre o dono do master, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
A acareação durou cerca de uma hora e terminou por volta de dez da noite. Antes, a delegada da polícia federal, Janaina Palazzo ouviu separadamente três citados.
Além do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi ouvido Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central. Ele não é investigado e foi liberado da acareação. Investigadores consideraram o depoimento dele útil e didático.
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Jornal Nacional
Vorcaro e Paulo Henrique Costa foram colocados frente a frente porque a delegada encontrou divergências nos depoimentos deles. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master vendeu para o BRB falsas carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, com o objetivo de arquitetar uma operação fraudulenta para salvar o Master. Em março deste ano, o BRB anunciou a compra do Master, que foi negada pelo Banco Central.
Antes de ser demitido do comando do BRB, Paulo Henrique Costa defendeu a transação. Ele e Daniel Vorcaro estiveram à frente das negociações. Os depoimentos e a acareação foram acompanhados pelo juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, Carlos Vieira von Adamek, e pelo subprocurador Joaquim Cabral da Costa Neto.
O início dos trabalhos foi marcado por tensão e discordâncias entre a delegada e o juiz auxiliar de Dias Toffoli. Logo na chegada, a delegada anunciou que faria a acareação com os 3 citados, alegando que não havia determinação de Toffoli para depoimentos individuais.
O juiz auxiliar recorreu a Toffoli, que reforçou decisão do dia anterior para que todos fossem ouvidos separadamente e enviou uma lista de perguntas, o que gerou ainda mais tensão. A delegada só aceitou incluir as questões se ficasse registrado em ata que elas tinham sido formuladas pelo ministro Dias Toffoli.
Além da suspeita de irregularidade nas negociações do Master com o BRB, o Banco Central também identificou indícios de crime contra o Sistema Financeiro Nacional em outras operações. Desta vez do Master com a gestora de fundos Reag. O Banco Central encaminhou o caso ao ministério público federal em novembro.
Há suspeitas de que as transações tenham sido feitas com o objetivo de desviar dinheiro do conglomerado Master.
Em agosto, a Reag foi um dos alvos de busca e apreensão em uma mega operação contra o crime organizado, que mirou o esquema de lavagem de dinheiro usado pelo PCC. Segundo os investigadores, fundos administrados pela Reag - que não estavam disponíveis a qualquer cotista - eram abastecidos com dinheiro ilegal.
A Reag afirmou que não se envolve nas atividades econômicas dos clientes. Segundo o relato do Banco Central ao Ministério Público fFederal, a fraude funcionava assim:
Uma empresa que fazia parte do esquema pegava dinheiro emprestado com o Master e aplicava em um fundo administrado pela Reag;
Este fundo, por sua vez, comprava títulos a um valor supervalorizado de um vendedor que também era da Reag;
E assim o dinheiro ia passando de fundo em fundo até voltar para fundos de Vorcaro e sócios do Master;
O valor dessas transações pode chegar a R$ 11,5 bilhões.
De acordo com o BC, o esquema fraudulento começou em julho de 2023 e foi até julho de 2024, combinando diferentes tipos de investimentos em uma única transação e botavam em risco os recursos dos clientes.