Após troca de bombardeios e nova trégua, Trump diz que Irã 'pediu reunião' na terça; Teerã nega
29/06/2026
(Foto: Reprodução) EUA e Irã chegam a acordo para cessar ataques e retomar diálogo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que o Irã "pediu uma reunião" com seu governo, e ela ocorrerá na terça (30) em Doha, no Catar.
"O Irã solicitou uma reunião. Ela acontecerá amanhã em Doha!", afirmou Trump em comunicado inteiramente em caps lock em sua rede social Truth Social.
O governo iraniano, no entanto, apresentou outra versão. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse nesta segunda que não há reuniões planejadas para esta semana entre os representantes dos dois países para seguir as negociações do acordo de paz firmado no início do mês.
A fala de Gharibabadi, veiculada pela agência de notícias iraniana Tasnim, ocorreu após o site norte-americano Axios ter reportado que EUA e Irã planejavam se reunir na terça-feira em Doha, segundo uma autoridade sênior da Casa Branca.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira (29) que o Catar liberará US$ 6 bilhões - o equivalente a R$ 31 bilhões - em ativos iranianos congelados.
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Em meio a críticas sobre o acordo provisório assinado com os EUA para tentar dar fim à guerra entre os países, devido aos ataques ocorridos no Golfo Pérsico neste fim de semana, Pezeshkian defendeu os termos das negociações.
Em declaração à mídia estatal, chamou o acordo de "uma grande vitória para o povo iraniano".
"Com base nos planos elaborados, US$ 6 bilhões do total de US$ 12 bilhões em recursos iranianos no Catar serão liberados e devolvidos ao país, e os procedimentos de acompanhamento necessários estão sendo realizados”, afirmou, sem dar mais detalhes.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, mostra assinatura em memorando de entendimento com os EUA, em 18 de junho de 2026
Gabinete Presidencial do irã via AP
Neste domingo (28), o Irã e os Estados Unidos concordaram em interromper as hostilidades recentes no Golfo e retomar as negociações sobre a disputa em torno do Estreito de Ormuz, informou o site Axios.
A volta dos ataques após assinatura do acordo
Uma rodada de negociações mediadas, liderada pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi realizada na Suíça há uma semana, e Washington suspendeu sanções contra Teerã, mas os combates foram retomados e intensificados desde então.
O aparente retorno à diplomacia entre EUA e Irã ocorre após vários dias de ataques e contra-ataques, iniciados quando um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira (25); tanto os EUA quanto o Irã acusaram um ao outro de violar um cessar-fogo provisório acordado em 17 de junho.
O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein na manhã deste domingo, logo após o presidente Donald Trump ameaçar eliminar a liderança iraniana caso não cumprissem o acordo para encerrar o conflito.
"Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!", disse Trump nas redes sociais, antes da divulgação da reportagem do Axios.
O acordo de paz provisório de 14 pontos visava interromper os combates — iniciados pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro — e reabrir o estreito enquanto prosseguiam as negociações sobre questões como o programa nuclear do Irã.